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Crítica – 007 – Operação Skyfall

 

Bond +

Por Rafael Lopes

Há exatos 10 anos, quando os filmes do espião 007 comemoravam seu 40° aniversário, fizeram uma comemoração equiparada a um carnaval. Utilizaram tudo o que foi construído sobre Bond, com seus cacoetes, equipamentos sofisticados, vilões megalomaníacos (flertando com o comunismo, oh Deus), enfim, pegando tudo o que tornou James Bond um mito e jogando trivialmente na tela pra fazer um filme comemorativo. Para os fãs, um presente, daqueles que se ganha mas não valoriza muito, tipo uma panela de pressão dada num amigo oculto. Para quem não é fã, um filme de ação imbecilóide cheio de explosões e por aí vai. Foi o fim da era Pierce Brosnan, que se despedia do personagem que lhe consolidou como astro com um filme não tão digno assim. Não que seja de todo mal, mas 007 Um Novo Dia Para Morrer é divertido, cheio do tempero Bond, mas não passa disso. Veio Daniel Craig e seu James Bond boladão, briguento e raçudo, era o começo de uma nova era?

007 Cassino Royale é um filmaço, mas 007 Quantum of Solace não tão bom assim, e já se aproximava o evento que seria o 50° aniversário e também o lançamento da nova aventura. Seria então um repeteco de Um Novo Dia Para Morrer, levando em consideração o nível de Quantum of Solace? Obrigado a todos os envolvidos por provarem que definitivamente não, agora James Bond teria suas bodas de ouro como merecia. 007 Operação Skyfall é um filmaço. Quando anunciado, cercado de desconfiança. O diretor escalado, que sem sombra de dúvidas é um dos maiores dessa geração, Sam Mendes, veio com o papo de que seria um filme mais focado nos personagens, cortando as cenas de ação e por aí vai. Porém, trailer vai, trailer vem, sentíamos que não seria essa ideia que prevaleceria.

Olhando para trás, os filmes de 007 são marcantes por terem cenas de ação incríveis e não tendo incríveis cenas de ação. Não são cenas de ação que estão ali apenas para preencher espaço, são cenas de ação que possuem uma causa e geram um efeito a qualquer momento, e assim começa o filme, com Istambul ao fundo e James Bond precisando recuperar um HD contendo informações de espiões infiltrados em redes terroristas. Tamanha a seriedade da situação que faz com que M precise escolher entre a vida de seu melhor agente e o futuro do MI6. Ela perde os dois. Bond, que milagrosamente sobrevive, precisa voltar para impedir que Silva, munido dessas informações, cause um colapso na segurança não somente da Inglaterra, mas devidas as proporções, do mundo, só que quanto mais investiga, vai descobrindo que as intenções são outras, e que tudo pode se perder caso cometa algum erro.

E acredite, as cenas de ação estão lá, e não são somente explosões e tiroteios, mas também toda a tensão que cresce de forma impecável ao longo do filme, caminhando para um clímax que sem pestanejar pode ser considerado como um dos maiores de toda a cine série. Sam Mendes não sente o peso de ter que dirigir grandes sequencias de ação e o faz da melhor forma possível, desde de tiroteios mais “simples” à um trem atravessando paredes sem soar assim iniciante. Alguma duvida de que o cara arrasaria? E quando ele se referia a desenvolver melhor os personagens, ele o fez com toda a decência, respeitando a mítica que envolve o espião e respeitando principalmente suas características mais evidenciadas ao longo desses 23 filmes.

É o novo James Bond, iniciado em Cassino Royale, com o clássico James Bond, iniciado em 007 Contra o Satânico Dr. No, ou seja, finalmente a inovação dos novos tempos com a nostalgia daquilo que torna 007 um grande clássico. E o melhor é constatar que os filmes de James Bond ainda podem muito bem caminhar com as próprias pernas, sem influencias externas de Jason Bournes da vida ou coisas do tipo. Sam Mendes provou que é capaz de Bond voltar a ser único e influente, construindo uma trama de espionagem com o humor dos filmes do Roger Moore, o charme mortal de Sean Connery e a destruição por onde passa vinda com Timothy Dalton e Pierce Brosnan. James Bond volta a ser James Bond, a sucessão foi finalmente consolidada e agora não resta dúvida alguma de que Daniel Craig pode assumir muito bem o personagem.

A música de Thomas Newman, a belíssima fotografia de Roger Deakins, a canção da abertura na poderosa voz da Adele, tudo consegue ser ao mesmo tempo autentico para os novos tempos e clássico, para nos lembrar que se trata de um filme do agente secreto mais incrível do cinema. Judy Dentch maravilhosa, Ralph Fiennes em uma participação igualmente brilhante e Bem Winshall herdando o legado de Desmond Llewelyn como o novo Q e de quebra Javier Barden impecável como o vilão de características bem incomuns a um vilão. Enfim, um filme onde tudo deu certo, onde tudo funcionou, e que podemos sair da sala de cinema agradecendo e parabenizando Bond pelo seu aniversário. Se 007 Um Novo Dia Para Morrer era uma panela de pressão, Operação Skyfall é aquela boa surpresa que você guardará para sempre com muito carinho. E se me permitem o trocadilho, esse filme é Bond mais!

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  1. Como fã de 007, eu posso afirmar que este está entre os melhores filmes do espião, isto se não for o melhor. Só o vilão de Javier Bardem é uma das coisas mais espetaculares e marcantes deste ano.

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