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Crítica – Drive

 

Por Rennan A. Julio

 

O novo herói remete ao padrão  Clint Eastwood

“Fazia a maior parte das minhas leituras em Los Angeles, no centro da cidade, e nada do que eu lia tinha a ver comigo ou com as ruas ou com as pessoas que me cercavam. Parecia que todo mundo estava fazendo jogos de palavras, que aqueles que não diziam quase nada eram considerados excelentes escritores”. Trecho do prefácio de Pergunte ao pó, de John Fante sobre a cidade de Los Angeles.

Um homem sem nome e que, praticamente, não diz nada, este é o motorista de Drive. Interpretado por Ryan Gosling, o mais novo queridinho da América, seu personagem se caracteriza com poucas palavras, uma jaqueta de escorpião, um carro veloz e muita ação. Meias palavras são desnecessárias perto de um “vou enfiar seus dentes garganta abaixo”.

Com uma trilha sonora tensa e fotografia que enriquece Gosling e a cidade de Los Angeles, tão icônica para o cinema como Nova York ou Paris, o diretor Nicolas Winding Refn buscou o plano perfeito para o motorista sem nome, algo quase conquistado.

Utilizando da violência como Hollywood não costuma ter em seus longas, a obra silenciosa nas palavras, mas altamente sonora nos roncos dos motores e dos ossos sendo quebrados chama a atenção do público realmente interessado em cinema. Muito mais do que um herói que salva a donzela (garçonete de um restaurante tipicamente americano, tendo Carey Muligan no papel), se torna basicamente um anti-herói na busca pela violência e pelo prazer de “fazer o que precisa fazer”.

Drive se mostra tão maleável que sua capacidade de ser encaixado em vários gêneros do cinema faz com que sua humanidade seja perdida. Talvez se o contato do espectador com a personagem principal fosse mais bem estabelecida, estaríamos de cara com um dos maiores protagonistas do cinema, porém, só sabemos que temos cinco minutos para que faça seu trabalho, senão estaremos correndo o risco de ver apenas o rastro de seu carro veloz.

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