,


Crítica – Se Enlouquecer, Não se Apaixone

Por Rennan A. Julio

É tudo uma questão de perspectiva

Se interpretado em um contexto maior e mais abrangente, os problemas de Craig parecerão supérfluos e vazios, mas a realidade é totalmente diferente.

Na geração da informação e da pressão pelo sucesso; garotas, notas, vestibulares, faculdades, sucesso profissional, escolhas e mais escolhas acabam fortalecendo a estrutura que implica e prejudica o psicológico do jovem contemporâneo. O personagem principal é fruto dessa somatória.

Por isso, Craig (Keir Gilchrist leve e à vontade no personagem) inicia o filme passando pela conhecida Ponte do Brooklyn com pensamentos suicidas, mas não consegue realizá-lo, segue, então, ao hospital próximo de sua casa para procurar ajuda médica. A consequência de seu ato é que realmente dá início ao filme, sua internação na ala psiquiátrica por cinco dias.

É quando conhece Bobby (Zach Galifianakis excelente, demonstrando que pode ser muito mais que o gordo bobo de Se Beber Não Case) que Craig começa a notar que seu mundo não é formado apenas pela burguesia que o cerca. As conversas com a psiquiatra interpretada por Viola Davis, em mais uma ótima atuação, servem apenas para que Craig fale e divague. São nessas conversas que o garoto clinicamente deprimido nota que apesar de seus problemas serem pequenos se comparados aos dos seus colegas de internação, ele deve dar a importância correta para eles.

Os diretores Ryan Fleck e Anna Boden tratam das maneiras mais diversas os métodos de auxílio aos internados. Por meio de clipes como o da aula de arte e da aula de música (criativo e sensacional), o casal de diretores trata de um assunto pesado e complexo de uma forma leve e bem humorada. O papel de Bobby é o exato contraponto disso tudo, problemático e sem teto enquanto que piadista e orientador de Craig.

Há de praxe um alívio amoroso, neste caso, muito bem interpretado por Emma Roberts, a Noelle. Este casal, no entanto, flui muito bem durante o longa, sem que sejam necessárias as abusivas e quase falsas demonstrações de amor que Nicholas Sparks tanto gosta de criar em seus romances. O clímax do casal em Se Enlouquecer, Não se Apaixone deveria servir de exemplo para o escritor, aliás.

São os pontos de vista que enaltecem o filme. As percepções do que é a vida e do que são os problemas. Quem é afetado mostra que sim, é possível e plausível sofrer em um mundo tão injusto. A individualidade merece seu valor, independentemente da situação. Se seus problemas são com suas cartas de aplicações para faculdades, faça deste problema o maior de todos.

A citação da psiquiatra resume seu tratamento para com Craig “God, give me strength to accept the things I cannot change, the courage to change the things I can, and the wisdom to know the difference”  (Senhor, me dê a força para aceitar as coisas que eu não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que posso, e a sabedoria para saber diferenciá-las).

Comments

Leave a Reply
  1. Gostei bastante do filme.O filme surpreendeu pela riqueza por atrás de um roteiro simples e com um orçamento tão baixo como foi o filme.O ator Zach Galifianakis mais uma vez roubou a cena foi uma de grande importancia para o sucesso do filme.

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Loading…

Loading…

Comments

comments