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Crítica – Ted

 

O lindo urso politicamente incorreto

Por Rafael Lopes

Mal estreou no cinema e o filme protagonizado por Mark Wahlberg e seu urso Ted já vira polêmica. Tudo porque o roteiro de Seth Macfarlane traz cenas contendo uso de drogas, excesso de palavrões e insinuações sexuais pra dar e vender. Só que tudo isso era mais que esperado, uma vez que a comédia, escrita e dirigida por um dos comediantes mais politicamente incorretos dessa geração (e não menos genial por isso) já vinha sendo veiculada pela mídia por conter cenas assim. Então, eis que um certo Protógenes Queiroz, aquele da operação monte Carlo  onde uma cachoeira molhou muita gente, ficou ofendido ao ver o filme ao lado de seu filho de 11 anos, alegando ser má influencia por incentivar uso de drogas e essas coisas mais. Calma lá Protógenes, acho que ajudar os envolvidos no esquema do cachoeira a dificultar o trabalho da policia federal é mais mal exemplo que ver o ursinho de pelúcia Ted cheirando cocaína, por exemplo.

Hipocrisias a parte, falemos então do filme, que diferente da visão de nosso digníssimo deputado indignado com tanta coisa errada do filme, é disparada séria candidata a melhor comédia de 2012. Seth Macfarlane, mais conhecido pelos seus desenhos animados igualmente politicamente incorretos, destacando aí Uma Família da Pesada, repete a acidez e a agressividade apresentada por seus personagens em animação, só que agora no mundo real. Ficava a duvida sobre o fato de Macfarlane explorar terras diferentes, já que lá nos desenhos animados o universo pode ser muito mais maleável, já no real, como fazer crer que um urso de pelúcia poderia ser tão polemico?

Eis que entra a diferença da mente criativa para as mentes que copiam que têm perturbado Hollywood com muita besteira. A introdução, perfeita, torando aquela situação do menino pedindo no natal que seu amigo de pelúcia ganhe vida é o primeiro ponto forte do filme. A explicação para Ted é plausível, por mais que seja improvável, é o que torna o roteiro tão fascinante. Sim, um roteiro que tem como protagonista um urso que faz sexo com vadias e usa drogas de maneira descontrolada consegue ser muito mais inteligente que muita coisa lançada em anos.

Macfarlane usa e abusa de piadas tirando onda com a postura do cidadão americano e da sociedade moderna, algo que ele é craque, diga-se de passagem. O filme vai ganhando corpo e o que era pra ser o filme de um iniciante parece muito mais o de um cara veterano no ramo. Seth é um comediante fantástico, tanto que tem moral para tirar sarro de Apertem os cintos… O Piloto Sumiu na maior, e ainda por cima, de maneira mítica, revive os a magia de Flash Gordon nos presenteando com uma das cenas mais engraçadas do cinema em anos: a festa na casa do Ted. Não comendo nada dessa cena pra não entregar nada, só adianto que é simplesmente hilária.

E o cara dirige que é uma beleza. Mark Wahlberg parece tão sossegado em seu personagem que sua atuação é também um ponto alto para o filme. O mesmo para Mila Kunis, que já é parceira de Seth dublando uma das personagens de Uma Família da Pesada. O único problema do filme está no personagem de Giovanni Ribisi, que não possui lá bons momentos e acaba apressando de uma maneira um pouco forçada as conclusões do filme. Problema que não incomoda e nem compromete, uma vez que Ted é a força motriz do filme: todas as suas cenas são engraçadas. Então, se tem o urso, não há nada que estrague.

Enfim, é um filme que agrada e até surpreende, principalmente por ser um filme simples, com ideias simples e ainda aprofundadas (muito inteligente a ideia da deturpação da inocência na pessoa do Ted e personificada no personagem do Mark Wahlberg) que vão da solidão à amizade incondicional, seja seu amigo de carne e osso ou de pelúcia.

Comédia imperdível.

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