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Crítica – Namorados para Sempre

 

Mais significativo que muito romance

Por Rafael Lopes

Para quem esperava um final com “e eles viveram felizes para sempre”, Namorados para Sempre talvez não seja o que se espera – principalmente com um título desses, que será o maior quebra clima da história a quem ver o filme. Não fique preocupado, caro leitor, não estou dando um spoiler, contando aqui o final do filme, mas estou querendo deixar claro que a quem estiver esperando algo nesse estilo e se decepcionar irá abrir mão de um dos mais belos filmes de romance a surgir nos últimos anos.

Estará abrindo mão por que neste filme certamente poderemos encontrar todos os elementos primordiais de um filme de romance sendo cena a cena construído e desconstruído de uma maneira formidável e com apenas um propósito: dissertar sobre esse sentimento capaz de unir e separar duas pessoas. Consideremos o amor como um sentimento dúbio. Ao mesmo tempo em que se pode amar demais alguém, pode-se odiá-la. A grande questão levantada ao longo do filme é essa: como um casal que surgiu banhado de amor se tornou um casal tão seco, triste e infeliz?

Obsessivamente centrando fogo nessa situação, o roteiro sai desenhando de maneira esplêndida os dois lados dessa moeda, colocando em xeque a existência do casal interpretado por Ryan Gosling e Michele Willians. É interessante observar individualmente cada um deles. Ele é do tipo que topa tudo, simples, humilde e extremamente romântico. Ela é do tipo que sempre sofreu calada, tendo na relação com a avó a única prova de laço afetivo realmente carregado de algum amor, porque é usada pelo namorado e não tem lá muita atenção da família.

A cumplicidade e todo o encanto do romance perduram enquanto namoram. A partir do momento que ele se dispõe a ajudá-la no momento mais crucial de sua vida, tudo começa a tomar rumos descontrolados. É onde muito bem se encaixa aquele ditado que diz que “só se conhece alguém quando vive com essa pessoa”, e é justamente aí que o filme ganha outra configuração. Os problemas de relacionamento, a falta de comunicação e muitas vezes a falta de um contato mais consistente entre eles começa a gastar a relação. Ela estressada e cansada – e junto disso as desilusões da vida, explicadas ao longo do filme – se torna uma pessoa seca, evidentemente infeliz; ele pode estar até cumprindo com os próprios planos, mas também se mostra muito infeliz, por ser sempre alheio a ela e quase nunca entender o que ela precisa.

Eis que o filme comete seu maior acerto: seria o amor reacendido com o sexo? As cenas do casal num quarto de motel são sensacionais, e muito bem observam isso, deixando claro que sexo não significa simplesmente amor, mas sim, que ambos existem para acontecerem juntos. E se eles como casal não consegue existir, de que adiantaria o sexo? O diretor Derek Cianfrance consegue navegar por esses mares de marés complicadas e tormentas mortais. A narrativa que empregou é capaz de completar e catalisar tudo o que o filme precisa para se manter interessante, intenso, romântico e dramático.

Ajudado por uma edição sugestiva, consegue levantar todas as questões necessárias para que o enredo se desenrole e ainda por cima desenvolvê-las com pulso firme e lhes dando desfechos realistas e sensíveis. É em suma tudo o que um filme de romance precisa. A química que ele consegue fazer surgir com seu casal principal é de uma perfeição impressionante, uma vez que o filme se desenrola com duas situações diferentes vividas pelo casal, onde humor e até mesmo a postura de ambos é diferente, e ainda assim, consegue fazê-los autênticos e reais.

O problema está em acabar caindo em alguns vícios de filmes independente, mas nada que chegue a comprometer tanto. Mas se tivesse tirado o excesso daquele efeito câmera na mão, teria conseguido valorizar muito mais cenas que acabaram soando bobas ou desnecessárias para a trama. Mas fora isso, todo o desenvolvimento da trama, atores, fotografia, roteiro e sua direção disposta a enfrentar dois lados tão distintos e tão complicados de se trabalhar sem ser clichê ou previsível, fazem de Namorados para Sempre um filme romântico que ao final – mesmo com aquele pessimismo todo – traz a mesma idéia defendida em Casablanca: “Sempre teremos Paris”.

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  1. Esse filme é simplesmente fantástico! É tão realista mas tão doce ao mesmo tempo. Uma das cenas que me chamou atenção foi quando a Cindy e o Dean estão brigando e ele joga a aliança no chão com raiva, mas depois ele vai procurar a aliança pois apesar de tudo ele ainda ama ela!

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