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Crítica – As Vantagens de ser Invisível

Por Rennan A. Julio

 

Filme contempla esperança e reflexão pessoal

 

A sensação após o término do filme pode até variar, porém tenho certeza de que as pessoas identificadas com os personagens, o público alvo, saíram plenas e satisfeitas, pois presenciaram uma obra prima do gênero indie. Muito mais do que isso, o filme, focado nos invisíveis, acabou dando aos que sempre se sentiram isolados, fora do eixo, machucados e largados pela maioria da sociedade, a certeza de que há esperanças e que ainda se pode achar um caminho.

O filme, adaptação do livro escrito pelo diretor e roteirista Stephen Chbosky, conta a história de Charlie (Logan Lerman, mostrando sua maleabilidade ao representar diversas e paradoxais emoções dentro de um só personagem), um garoto tímido e deprimido que acabara de voltar de uma internação devido ao suicídio de seu melhor amigo, iniciando sua época de Colegial na escola. Com os “bullys”, suas alucinações e seus medos por todos os lados, Charlie procura refúgio nos livros, em seu professor de literatura e nas cartas escritas ao seu falecido melhor amigo.

O próximo arco dá início ao fio de esperança que todo jovem impopular gostaria de viver: o encontro de pessoas que estão dispostas a ajudá-lo e não criticá-lo. Então que os meios irmãos Patrick (Ezra Miller no, provável, papel mais carismático e engraçado dos últimos lançamentos) – confesso que no alto de meus sonhos e imaginações vejo Ezra Miller no papel do próximo Coringa – e Sam (Emma Watson, adorável e muito bem) entram na vida de Charlie. Como catalisadores de experiências, os dois instigam a vida, já tão reprimida, restante no garoto, e essas situações se tornam mágicas e inesquecíveis para o potencial escritor. Ouso dizer que muitas das cenas contidas no longa repousam no imaginário dos jovens cabisbaixos das escolas mundo afora.

Charlie logo se apaixona por ambos, tornando o trio em uma viciada, apaixonante e verdadeira relação de amor. Aliado aos outros garotos e garotas que formavam o grupo, a dependência da amizade e do amor para com eles acaba por, ao mesmo tempo, curá-lo e enfraquecê-lo.

Acompanhado por músicas de The Smiths, David Bowie e New Order, As Vantagens de ser Invisível situa o espectador nas décadas que originariam o gênero indie da música e, consequentemente, do cinema para o mundo, os anos 80 e 90. Muito bem realizado, o filme tem em seu elenco, na sua maioria de jovens, seu sucesso. Cada um dos personagens se dedica ao máximo para a realização de um dos melhores filmes do gênero. Engraçado e emocionante, esta obra de Chbosky entra para o rol dos inesquecíveis. Quem diria que um grupo “wallflowers” (invisíveis) de amigos afogados na paixão e no amor poderia se destacar tanto dentre grandes produções de Hollywood. Assim como a cena, ao som da ode “Heroes”, dentro de um túnel com as pessoas que mais ama se torna infinita, posso garantir que, também, o cinema considerará infinitos esses maravilhosos, densos e incríveis garotos.

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  1. As cartas que o Charlie escreve não são para o amigo dele que se suicidou, tanto no livro quanto no filme o destinatário é desconhecido. A pessoa que recebe as cartas nem conhece ele.

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