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Crítica – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

 

O espetacular retorno à Terra Média

Por Rafael Lopes

O que esperar de O Hobbit – Uma Jornada Inesperada? O filme, que antes de chegar às telas enfrentou alguns problemas na sua pré produção, chegou – e não minto – com certa desconfiança. Sim, uma desconfiança que poria em cheque o sucesso do filme nos cinemas, causado principalmente pela pergunta que ficou no ar: será que atingiria o mundo de maneira tão fulminante quanto a trilogia do anel? Antes de responder, vamos ao filme.

Peter Jackson demonstra muita felicidade em retornar à Terra Média, dá até pra dizer que em O Hobbit, Jackson faz parecer nunca termos saído da Terra Média da primeira trilogia, dando o ar necessário de fidelidade que até aqui é crucial para o filme dar certo. O lado bom disso é que o diretor não titubeia em explorar ainda mais o que o universo maravilhoso, criado por J.R.R. Tolkien, e nos brinda com belíssimos planos da sua Terra Média criada na estupenda Nova Zelândia. Que país lindo, nada mais justo que ser o lugar ideal para recriar o universo mágico da trama. Tal qual O Senhor dos Anéis, e não há vergonha nisso, O Hobbit não se comporta nem como continuação e nem como início (apesar de pecar um pouco nesse segundo caso), mas se comporta como um retorno àquele mundo com uma história nova com toques da velha história.

É nesse sentido que o filme começa com Bilbo relembrando o dia em que Gandalf aparece a sua porta e o convoca a uma missão especial: ajudar os anões a reaver sua terra natal, tomada pelo furioso dragão Smaug. É com essa simplicidade que o filme vai se desenvolvendo, e apesar de demorar um pouco a engrenar – eles podiam sim ter enxugado um pouco mais a fonte original – aos poucos o filme vai ganhando força. É bem obvio que sua força motriz está na entrada de personagens que fizeram parte da trilogia do anel, como os elfos e a linda Valfenda, Saruman, Gollum e o tal anel, só que o filme não deixa escapar que essa nova trilogia tem um pano de fundo diferente.

Porém, se tem algo a ser considerado defeito nesse filme é essa conexão entre a trilogia do anel e essa nova. O insucesso de tal acaba se tornando um pequeno incomodo no filme, pois desvia em muitos momentos o foco e acaba-se não desenvolvendo tão bem o que antes se propôs. Então, a história dos anões ou a tal força escura que começa a tomar conta da Terra Média ficam para trás diante de passagens que se ocupam em fazer o link entre alguns fatos de O Senhor dos Anéis e essa nova trilogia. Um pouco de perda de tempo, sendo que se isso fosse tratado com menos objetivo a demasiada longa duração poderia ser reduzida e teríamos um filme mais objetivo.

Mas longe de ser isso ser um problemão, Jackson consegue marotamente fazer isso dar força a seu filme, mesmo que abrindo mão de desenvolver os novos personagens tão bem quanto fez antes, ele consegue ótimos resultados trazendo o que de bom fez na primeira trilogia. Cenas de ação perfeitas, direção de arte impecável e uma produção que pode sem problema alguma receber o super para descrever seu tamanho. O Hobbit vai aos poucos tornando-se épico, o espectador compartilha do convite de viver uma grande aventura antes relutada por Bilbo e parte nessa viagem rumo à Terra Média ainda inexplorada e ainda mais bela.

O filme acaba, assim, longe de passar todo o turbilhão de incertezas que assolaram sua pré produção anos antes. Da quase falência da MGM à troca de diretores (antes seria Guillermo Del Toro o diretor, e Jackson seria apenas o Produtor), o filme parece não sentir uma pontada desses problemas e demonstrando pompa e certa independência, nos faz sair após a sessão com a resposta à pergunta do começo desse texto: atingiu sim o mundo da mesma maneira. Em tempos de 3D a torto e a direito, com direito a tecnologia nova, o 48 frames por segundo (que quem teve a oportunidade de ver, diz ser algo equiparado a um teatro), Jackson se aproveita disso e torna a experiência de andar por entre criaturas fantásticas ainda mais intensa e incrível. É sentar e curtir o filme que a primeira vista é ainda mais impressionante que a tão famosa trilogia do anel.

Que siga os mesmos passos.

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  1. Nao gostei desse detalhe de terem dividido a história em 3 filmes, me soou comercial demais. arte de menos

  2. Eu achei que eles conseguiram conectar as duas trilogias… Apesar de que O Hobbit não fala taaaanto assim no Anel, a história vai muito além. Peter Jackson mesmo falou que resolveu fazer 3 filmes por uma questão de adaptação, ele queria adaptar bem o livro, achar que é uma questão “comercial” é estranho pq de uma forma ou de outra o filme vai dar lucro, provavelmente mais do que Senhor dos Anéis deu u-u Ele acertou lindamente com esse primeiro filme, estou muito ansiosa para o próximo *-*

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