,


Crítica – A Vingança de Jennifer

 

Mulher sexo frágil?

Por Rafael Lopes

O crítico de cinema Roger Ebert classificou o filme como o pior já feito na história do cinema. Que cara mais sem graça. O fato que é A Vingança de Jennifer realmente é ruinzinho, justificando seus 80 mil de orçamento e boa vontade de atores meia boca pra adentrar num enredo doentio e violento. Só que o inspirado Meir Zarchi não deixa isso diminuir seu filme, e a crítica cruel do famoso colunista de cinema só fez o filme ganhar fama.

Lançado originalmente em 1978 com o nome de “Day Of The Woman”, o filme foi um fracasso, só que quando trocaram esse título besta por um agressivo “I Spit on Your Grave”, já no seu relançamento nos 80, e com a maciça campanha de Ebert e outros críticos mais moralistas de que parassem de por mulheres em situações tão cruéis, os cinemas ficaram pequenos para tanta gente. De fato, o grande público é ávido por diversões mais perversas, desde o tempo dos gladiadores. Sangue, violência, o mais baixo nível de sanidade, queiram ou não, atravessa gerações e acionam um lado doentio dentro de cada um que acha ver filmes assim, legais. Não fosse isso, o que seria de Laranja Mecânica, Clube da Luta ou Sob o Domínio do Medo  e outros títulos que carregam na violência, o pano de fundo para desenvolver suas ideias?

Só que longe de dissertar sobre temas subjetivos como controle do governo ou anarquia, A Vingança de Jennifer usa a violência para puro espetáculo. Sexo violento, mutilações violentas e muito sangue. Uma escritora de Nova Iorque retira-se num sítio afastado da bagunça das grandes cidades. Lá, ela acaba perseguida por 4 insanos rapazes que a estupram e tentam matar, mas como não o fazem, pagam o preço. Um a um, Jennifer vai seduzindo e lhes dando o devido castigo.

O espetáculo de horror orquestrado por Meir Zarchi por mais que não seja tão detalhado (assim como sua refilmagem que detalhou tanto que ficou ruim) é de uma agressividade única. Assim como os lendários filmes de terror bagaceiros, chocantes e bizarros, esse filme não esconde essa aura e não se acovarda tentando minimizar as barbaridades que vão acontecendo. Claro que aos olhos de hoje, as cenas podem não ser tão chocantes, mas a verdade é que ainda impressionam. Uma coisa que sempre me chama atenção nesse tipo de filme, é que quanto mais escroto o ator, quanto pior sua atuação, melhor.

Impressionante como Zarchi consegue captar o fim nos olhos de seus personagens, o real medo que incomoda em partes e faz o filme de terror manter sua essência. É a partir desse espelho da sua violência que Zarchi molda sua história, caminhando para o melhor resultado possível. Por isso esse filme acaba por ser um dos clássicos mais lendários do gênero. Por se tratar de uma produção cujo controle criativo era total do diretor (algo que falta muito aos títulos do gênero nos dias de hoje), o produto final não podia ser outro. Passa o tempo o filme não envelhece. Até mesmo o discurso sobre a polemica questão do sexo frágil, é atual e não datado.

E por seguir durante seus 101 minutos extremamente fiel a seu conceito original, de violência pura para entretenimento dos poucos que conseguem apreciar tamanha demência e para os que se aventuram em ver filmes de terror realmente bons, que vou contrariar o que Roger Ebert disse. E concluo afirmando: é um dos mais importantes filmes de terror já feitos. Quentin Tarantino que o diga, já que À Prova de Morte foi influenciado por esse filme aqui. Ou seja, de ruim não tem nada!

Comments

Leave a Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Loading…

Loading…

Comments

comments