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Crítica – A Pequena Vendedora de Fósforos

Por Rafael Lopes

O diretor Roger Allers disse que quando criança, não conseguia chegar ao fim desse conto sem chorar. Hans Christian Andersen, que tem eu seu currículo pequenas obras primas dos contos infantis como O Soldadinho de Chumbo e A Pequena Sereia, teve mais uma de suas lindas histórias contada em forma de filme. O curta de aproximadamente 7 minutos é encantador.

Dirigido por Roger Allers, famoso por aquela maravilha chamada O Rei Leão, temos aqui um dos curtas animados mais lindos que já vi, sem exagero. E a riqueza de seus desenhos, feitos com a mesma tecnologia que desenvolveu pela Disney e pela Pixar nos anos 80 continuam fascinantes. Recriam com toda beleza o período da Rússia pré-revolução, num rigoroso inverno onde ricos e pobres são bem definidos. Os ricos, muito bem protegidos e os pobres, na pele da pequena menina que está ali tentando vender seus fósforos.

Seus fósforos são uma chance que ela tem de conseguir juntar algum trocado e ter a dignidade de passar pelo frio sem sofrer tanto, mas isso parece complicado, uma vez que a menina suplicando por atenção nem ao menos é notada. Mas é justamente quando acende seus fósforos que ela pode ter as mais belas visões que a confortam e dão esperança, e é quando se pode sentir como um ato tão simplório pode ser tão importante, ainda mais na vida de alguém que nunca teve nada.

E é na visão de uma bela senhora, de um banquete, do abraço, dos simbologismos natalinos, enfim, a cada fósforo acendido ela encontra algo pelo que vale a pena, e se desliga da vida infeliz que leva. Mas infelizmente o frio castiga. O final é de partir o coração, mas ainda assim, um mosaico de sentimentos fascinante, onde a tristeza é rapidamente tomada por uma felicidade sincera. Ela está num lugar melhor.

Hans Christian Andersen, famoso por ser o primeiro porta voz das histórias infantis deixou um legado importante na literatura – e graças a suas adaptações cinematográficas, também no cinema – com histórias encantadoras de triunfos e alegrias em meio a tantas dificuldades e desgraças que a realidade nos trás. Seu tom lúdico contrastando com a crueza de fatos tristes fazem de suas histórias contos atemporais, de lições e conteúdo. E não poderia ser diferente com esse curta.

Allers emprega um ar desolado e escuro para definir bem a realidade que se vivia e cores vivas e contagiantes para os momentos mais felizes. A graça de seus desenhos repassam essas idéias, somos capazes de sentir o calor de um abraço ou congelado frio da solidão.

Assim como no conto, uma mistura de sentimentos que compõe uma obra maravilhosa. O filme foi indicado ao Oscar de melhor curta animado e ainda conta com a banda Sigur Rós na trilha sonora. E que música linda, bem como tudo o que a banda fez até hoje.

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