o-impossivel Críticas
Ficha Técnica

The Impossible, 2012 (EUA/Espanha) Gênero: Drama Direção: Juan Antonio Bayona Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland Duração: 107 min.

Avaliação 3.7
Avaliação dos Leitores
1 Votos
3.5

O Impossível (Juan Antonio Bayona, 2012)


 

Novelístico, porém, eficiente

Por Rafael Lopes

Começa com tudo escuro, o som é de pura destruição. É quase uma síntese do que será O Impossível. O filme narra a história verídica de uma família em férias na Tailândia, separada pela fúria cega de um tsunami que atingiu a região no fim do ano de 2004. E desde sua introdução, deixa bem claro se tratar de uma experiência cinematográfica que vai explorar o drama de sua trama através de sentimentos estimulados pela construção das cenas.

O diretor espanhol Juan Antonio Bayona faz o que o cinema espanhol ensinou em Hollywood: cria uma atmosfera ultrarrealista para contar uma história, e nesse caso, põe Naomi Watts e Ewan McGregor no meio da onda gigante com uma perfeição chocante. Falemos então dessa cena, o carro chefe do filme. De fato é impressionante, não somente pelo realismo mas também pela forma como Bayona captou todo o desespero e a agonia do momento.

Seja na hora que a onda chega ou até mesmo depois do desastre, o diretor de uma forma honesta e sensível, tenta olhar principalmente para o lado humano de suas personagens, tirando o máximo de emoção e sinceridade da cena. A intensidade colocada nesse momento é o grande atrativo do filme, que se agarra com força a isso e segue se desenvolvendo sem nunca deixar de lado a emoção do momento. Uma maneira de provar, por meio desses sentimentos soltos ao ar, que o ser humano mesmo diante de uma fúria descontrolável é capaz de mover céus e terra para sobreviver.

Utilizando efeitos especiais de primeira e contando com atuações fortes de seu elenco, Bayona consegue um resultado espetacular com essa cena, que de tão bem construída, não fica vazia perante o real sentido do filme, que é tratar tangenciando o pano de fundo catastrófico uma história de união e fé, protagonizado pela família. Se aproveitando muito bem dos recursos fílmicos, o diretor trabalha muito bem a tensão, a angustia e o alívio, ajudado por uma maquiagem perfeita, uma fotografia claustrofóbica e um som muito bem desenvolvido.

Esse trabalho dos espanhóis focado no cinema como uma experiência bem mais intensa, quase experimental, já pode ser vista em Enterrado Vivo, que assim como O Impossível, se agarra fortemente na emoção da construção da trama para alcançar o espectador. Em suma o resultado desse filme é alcançado, mas fica no ar uma atmosfera de rapidez com relação ao desfecho, dando a impressão de que alguma coisa foi acelerada demais para concluir logo. Tirando esse probleminha, O Impossível é um drama catastrófico que Rolland Emerich poderia assistir, pra ver que se pode muito bem fazer um filme drama por trás de uma catástrofe sem precisar focar exclusivamente em um ou outro.

Bayona consegue ser impressionante, violento (não economizou nas cenas fortes e não pareceu exagerado nem sensacionalista) e consegue nos aliviar depois de uma jornada tão dolorida. Dessa forma, seu filme não decepciona e vale uma conferida.