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Crítica – A Árvore da Vida

Por Rennan Araújo Julio

Ódio e afeto contemplados pela mais honesta de todas as forças, a natureza.

 A Árvore da Vida de Terrence Malick procura, de maneira conjunta, aliar a natureza ao sentido da vida. Durante o filme, belíssimas imagens do Big Bang ou de estrelas, e vulcões em erupção; também células, átomos, sistemas biológicos humanos surgem na tela. Além de contemplar a natureza, o filme baseia-se na história de uma família texana, tradicional e religiosa dos anos 50.

A história de um pai rigoroso, gloriosamente interpretado por Brad Pitt, que trata seus filhos para que não sejam como ele.  A ironia encontra-se no caráter do primogênito: cruel e desafiador. Interpretado quando criança por Hunter McCracken e já adulto por Sean Penn, seu personagem, resultado de uma criação tão severa, torna-se uma contradição tão grande que impõe em sua mente atémesmo a vontade de assassinar seu pai. Mas o filme possui uma afetividade enorme, responsabilidade da mãe (Jessica Chastain) e do filho do meio (Laramie Eppler), que, com interpretações louváveis e carismáticas, provocam ternura nos que assistem ao filme e aumentam a contradição na própria família.

As imagens e blocos sobre a natureza dominam grande parte do filme, o que nos força a refletir sobre a relação entre tais fatos tão distantes, o casual e mundano cotidiano familiar, ou as imagens como as de dinossauros em seu último suspiro. A obra carrega uma forte religiosidade, exposta nas reflexões dos personagens transmitindo seus pensamentos para algo maior, o que aparenta ser um protetor, Deus. Então nos vemos com natureza, família e religião na mais pura sincronização possível.

O filme, não linear e lento, pode causar certa repugnância aos espectadores impacientes, mas o longa carrega uma forte mensagem e grandes questionamentos.

A Árvore da Vida nos faz pensar no modelo de criação de uma família, como também nos faz pensar sobre o que passa dentro de nós, o que realmente queremos dizer, e se nosso Deus pode explicar todas essas conclusões inconclusivas, como no fato do garoto tão reprimido e criado para ser diferente, tornar-se um repressor idêntico ao que tanto sentia ódio, seu pai.

Nota-se, então, que a fragilidade pode ser imposta até aos mais fortes. Com a morte de seu filho mais doce e querido, a família se desestrutura. Apesar de o filme iniciar anunciando a morte de um de seus filhos, a causa não é imposta, demonstrando a falta de importância que esse fato possui, os questionamentos prevalecem, os porquês do ocorrido, uma tentativa de saber por que o amor foi levado daquela família.

A imagem da árvore que tanto aparece durante o filme explica-se na efemeridade da vida, e também na ligação de tudo com tudo, a extensão por uma única fonte.

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