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Crítica – Mamma Mia!

Guilty pleasure

Por Rafael Lopes

O ABBA é uma banda tão simpática que até hoje faz sucesso e Dancing Queen com certeza faz parte do DNA das pessoas. As músicas do quarteto são universais, pra dançar e cantar e ser feliz, esquecer da vida. O musical que gerou esse filme tem a mesma idéia, fazer as músicas do ABBA se encaixarem numa história – bem como Across The Universe com as músicas dos Beatles – e tirar dali apenas um motivo para tocar as músicas e fazer todo mundo, de maneira nostálgica, um pouco mais feliz. A idéia no teatro sem dúvida deve ter dado certo, mas no cinema, acho que nem tanto.

O filme foi um sucesso do cinema, no Reino Unido por exemplo, é uma das maiores bilheterias e a maior venda de DVDs da história de lá. Mas isso não esconde as falhas que acontecem durante todo o filme. Assistir Mamma Mia! é como assistir a um filme do Rolland Emmerich por exemplo, avançar nas cenas onde qualquer história tente ser desenvolvida e pular para o que realmente interessa. Esqueça os diálogos horrendos desse filme, pule para os números musicais – com exceção de Money, Money, Money, que ficou uma droga no filme. Mas veja bem, Honey, Honey ficou uma delícia, Our Last Summer e a clássica Dancing Queen, até mesmo sua reprise, são deliciosas.

Um filme feito por mulheres – e de certa forma para as mulheres – onde a estreante Phyllida Lloyd comete o infeliz erro de achar que a linguagem do cinema pode ser a mesma do teatro em se tratando de musicais. O resultado fica de certa forma medíocre, pois os cortes são ineficazes, deixam algumas cenas confusas e com alguns erros de continuidade. Por isso, as cenas onde não rola nenhuma música são descartáveis, até porque como o enredo do filme fica extremamente desinteressante, o que resta é esperar pelas maravilhosas músicas do ABBA.

Aí, o filme vira uma jukebox. Muito melhor encarar Mamma Mia! como uma montagem de clips das músicas veteranas em novas versões. Fica melhor comer a pipoca durante os diálogos e aí sim, quando tocar outra música, prestar atenção. O humor do filme as vezes beira o ridículo, como comparação, diria que algumas coisas ali estão no naipe do humor dos ultimos filmes do Didi e da Xuxa. Porém, há o que se aproveitar. O elenco masculino, Pierce Brosnan, Colin Firth e Stellan Skarsgard são carismáticos e garantem boas aparições. Já do feminino, o carisma e a simpatia de Meryl Streep garantem o sucesso do filme. Ela interpretando Mamma Mia e The Winner Takes it all são exemplos de redundancia em elogiar essa mulher, que até num filme ruim sabe segurar as pontas.

Mas por mais que como cinema seja fraco, ainda assim, a idéia de alegria e liberdade feminina e todas essas coisas estão presentes e muito bem trabalhadas. É terminar o filme – mesmo tendo a noção de que é muito ruim – e ainda assim sair de sorriso estampado, renovado, mais feliz com certeza. É daqueles casos que podemos perdoar todo e qualquer erro justamente pelo fato de que mesmo o filme horrendo, conseguiu entreter e alegrar em sua duração. Esse papel, Mamma Mia! cumpre direitinho, mas como cinema, é medíocre e pobre.

O roteiro é falho, muitos furos e diálogos bobos, e que pode atrapalhar a apreciação do longa, mas ainda bem que boa parte do filme é música, é ABBA, e pelo tempo que ficam na tela, escondem tudo isso. Ah, vale ressaltar que o filme se passa na Grécia, e minha nossa, que lugar lindo, espetacular! As vezes muito melhor apreciar as paisagens das belíssimas locações (valorizadas ainda mais pela fotografia maravilhosa de Hans Zambarloukos) do que prestando atenção no que está acontecendo, e isso quando não tiver música rolando. Ignorar as músicas do filme é um pecado.

Em suma, é um filme que vale mais pela homenagem ao ABBA do que qualquer outra coisa. Vale muito mais acompanhar as dançantes e carismáticas músicas do que procurar qualquer inteligência ou sensatez ao longo de seus dispensáveis diálogos. Um filme ruim, mas que consegue divertir e encantar justamente por ter em sua trilha sonora um dos grupos mais brilhantes da música pop.

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