, ,


Além da Escuridão – Star Trek (J.J. Abrams, 2013)

J.J. Abrams quer o universo

Nota: 8,5

Por Rafael Lopes

Em 2009, quando lançada o filme anterior a este ótimo Além da Escuridão – Star Trek, J. J. Abrams tinha a ingrata tarefa de tornar agradável aos cada vez mais exigentes olhos personagens de uma série cujos fãs não costumam permitir pacificamente qualquer drástica mudança. Só que Abrams não era qualquer um e tinha capacidade mais que suficiente para trazer Star Trek às novas gerações. O resultado foi ótimo em termos de bilheteria e satisfatório diante dos fanáticos apaixonados pela tripulação da Enterprise. E o melhor foi que o cara ainda ajudou a trazer novos interessados em descobrir mais sobre tão marcantes personagens. Tudo isso ajudou a abrir caminho para uma continuação, que veio em ótimo momento.

Tudo o que deu certo no anterior foi mantido, não é preciso ser fã e nem estar a par dos outros 11 filmes para entrar no universo. O segundo começa exatamente dessa forma, reapresentando os personagens sem soar didático para que quem chegou agora possa entender do que se trata tudo. O que pode atrapalhar é um ou outra referencia ao filme anterior, mas não é nada com que se preocupar, pois as escolhas para os caminhos tomados nesse Star Trek são excelentes. A começar pelo enredo, onde a inserção de Khan (um dos maiores – se não o maior – vilão de Star Trek) funciona maravilhosamente bem dentro do ritmo proposto por Abrams.

Sem simplesmente criar uma nova situação onde precisa buscar as origens do personagem e procurar enraizar essa ideia dentro da fonte original, porque não já que se trata de uma reinvenção de icônicos personagens não reinventar esse aqui também? Sai o super humano indiano interpretado originalmente por Ricardo Montalbán e entra um super humano britânico interpretado pelo promissor Benedict Cumberbratch. A brilhante interpretação de Cumberbratch é o grande destaque do filme, o cara simplesmente rouba todas as cenas, e isso para um vilão é ótimo – ainda mais em se tratando de Khan. Isso gera no filme um motorzinho que faz gerar na produção todo o gás necessário para que as duas horas de duração sejam bastante prazerosas.

Todas as consequências que implicam a existência de Khan naquele momento é o estopim para intrigas políticas, atentados terroristas e tensão entre duas nações que estão loucas para guerrear. E Abrams se aproveita muito bem do grande ator que tem em mãos que o utiliza dentro do filme fazendo tudo girar de acordo com o as necessidades do personagem. É claro que os personagens clássicos em novas roupagens tem seu momento, com destaque a Zachary Quinto que está muito a vontade na pele do sempre sagaz Spock, mas é tudo muito claro: esse filme é do Khan. Esse filme é de Benedict Cumberbratch!

Ótimas cenas de ação, humor sempre presente com piadinhas bobinhas recheando esse divertido blockbuster que às vésperas de Abrams se envolver no que pode ser o trabalho de sua vida, deixa bem claro que a escolha de seu nome para comandar o novo Star Wars é a mais correta. O que ele fez com Star Trek foi tudo o que George Lucas não conseguiu fazer com a recente trilogia da saga, e isso pode ser muito bom. Abrams já dominou um lado do universo, agora tem tudo para dominar o outro.

Comments

Leave a Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Loading…

Loading…

Comments

comments