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Guerra Mundial Z (Marc Forster, 2013)

 

Quase tão bom quanto dormir

Por Rafael Lopes

Baseado no livro “Guerra Mundial Z” de Max Brooks – um “especialista” em zumbis que escreveu até guia de sobrevivência – e cujos valores de compra de direitos para o cinema chegam aos seis dígitos segundo os bastidores é a mais nova aposta para um mercado bastante promissor dentro do entretenimento. O meteórico retorno dos zumbis à cultura tem feito crescer no meio uma fiel legião de fãs que agora não encontram essas criaturas errantes apenas em filmes. Jogos, HQs e até uma série carregam os zumbis como astros e tendo um best seller de um dos ditos entendedor desses seres seria garantia certa de um gordo retorno financeiro – sem contar o fato de que estariam injetando sangue novo nessas produções – tal qual Todo Mundo Quase Morto ou Extermínio, que são ótimas releituras sem deixar perder o que os torna tão clássicos.

Mas uma coisa acabou dando errado em algum momento desse processo todo. Uma vez que os filmes de zumbis estavam aí para subverter nossa realidade, utilizando-a como crítica para com os vivos, essa essência parece ter se perdido e a versão filme de Guerra Mundial Z não passa disso: um básico e sem razão aparente de existir filme de zumbi. Tão evidente seu espírito caroneiro na onda do sucesso dos zumbis que durante toda a projeção não se sabe ao certo se realmente se trata de um filme do gênero. Talvez isso explique o fato de à todo instante algum personagem se referir aos terríveis acontecimentos que estão destruindo a humanidade como ataque zumbi. Nada contra a roupagem dada às criaturas, isso vai de cada um, mas poxa vida, cadê o que tornava esses filmes tão bons?

A começar pelos personagens. Não há um tratamento adequado quanto à sua existência na trama – tirando o personagem de Brad Pitt, um ex investigador da ONU que volta à ativa para ajudar a encontrar uma saída para a trágica epidemia zumbi que assola o planeta – e isso faz com que muitos personagens entrem na trama e saiam da mesma a todo momento. Isso resulta numa falta de descontrole total dentro da trama, prejudicando toda a narrativa que sequer consegue passar a tensão que tenta construir. No meio dessa confusão não dá tempo de realmente contar uma história. A única coisa que é esclarecida ao espectador é que tem um cara da ONU procurando uma cura nos quatro cantos do mundo. Isso acaba nem escondendo furos terríveis no roteiro como um filho perder a família e ficar por isso mesmo ou num voo de Jerusalém à um centro de pesquisa no Reino Unido e o zumbi dentro da aeronave atacar somente perto do destino (uma vez que a infecção leva de segundos a minutos para acontecer).

Talvez reflexo da turbulenta produção que teve que adiar a estreia do filme em 6 meses refilmando cenas, com problemas nos efeitos especiais e a tensão que ficou entre Brad Pitt e o diretor Marc Forster, que segundo a boataria, ficaram sem se falar durante a produção em dado momento. Seja isso ou não, o fato é que a versão cinematográfica de Guerra Mundial Z acabou pagando caro o preço da bagunça que foi as indefinições acerca de sua produção. O filme sequer tangenciou os temas sérios tratados com a acidez característica – e que Romero fez tão bem em seus vanguardistas filmes de zumbis – revelando as escolhas erradas para o projeto. Ficou de lado as críticas sociais e o ensaio interessante sobre o fim do mundo protagonizado por essas agonizantes criaturas. Ficou pro filme o desenvolvimento de uma trama familiar chata e de uma busca de uma cura que convence seguindo a boa vontade do espectador. E isso não é exatamente o que queremos assistir num filme assim.

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  1. Na vdd, o filme se trata de uma infecção, e não sobre zoombies propriamente dito, se você perceber, os infectados não se alimentam das vitimas, apenas transmitem a elas a doença

  2. Bianca, acredito que é aí que mora o perigo. O filme se vende de uma forma e acaba sendo outra diferente, isso não ajuda muito.

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