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Truque de Mestre (Louis Leterrier, 2013)

O SABOROSO FEIJÃO COM ARROZ DE LOUIS LETERRIER

Por Rafael Lopes

Cinema e Mágica sempre foram bem próximos, uma vez que partem do mesmo princípio para existir – a ilusão. E ver esses dois meios juntos numa mesma produção é sempre uma boa pedida. É sempre bacana porque simplesmente não existe limites dentro de um argumento como esse. Se Christopher Nolan fez o que fez com O Grande Truque, por exemplo, criando uma gama de situações dramáticas para ilustrar a rivalidade entre dois mágicos, Louis Leterrier não tem medo de errar em Truque de Mestre. Esse que poderia ser mais um básico filme de ação com alguma reviravolta explosiva – porém mal desenvolvida – acredite: pode surpreender.

Tudo bem, no fim das contas nota-se que tudo nada mais foi que o convencional muito bem maquiado, só que isso está longe de ser defeito. Se foi bem maquiado, agradou. E se agradou, é bom. Um filme simpático, correto, simples e muito divertido. É esperando muito pouco que acaba recebendo muito, essa talvez seja uma lei dentro do cinema. E essa produção assinada pelo francês Leterrier segue bem isso: como nos grandes truques de mágica nos ludibriar com o simples para fazer grandes transformações. Dessa forma começa com os quatro cavaleiros sendo apresentados: um mágico de rua pop star (Jesse Eisenberg), um mentalista picareta (Woody Harrelson), uma ex assistente de mágico que agora faz seus próprios shows (Isla Fisher) e golpista que usa técnicas de ilusionismo para enganar suas vítimas.

Convocados por alguém misterioso, os 4 preparam 3 grandes espetáculos  que ao longo da fita vai se revelando um mirabolante plano para roubar milhões. Entra na história o agente do FBI (Mark Ruffalo) e uma bela agente da Interpol (Mèlanie Laurent) que ficam no encalço do bando. Só que quando acham que estão a um passo a frente, na verdade estão dois atrás e nesse é nesse envolvente jogo de gato e rato que o publico é colocado. E vale lembrar que isso vale um show a parte no filme. A edição se mostra empenhada em nos convencer a crer que tudo o que vai acontecendo é verdade. Mas bem como diz o personagem de Morgan Freeman, tudo faz parte de algo maior.

Truque de Mestre é, então, um daqueles interessantes casos em que tudo acaba dando certo. Veja por exemplo que elenco mais carismático, com todo tipo de ator que já fez todo tipo de coisa. Enquanto exalam simpatia em sua química muito bem trabalhada, o diretor consegue engrenar a trama de maneira frenética, mantendo o ritmo sem se perder muito da história sendo contada. É daí que o diretor abusa na criação de cenas de ação bem boladas enquanto seu elenco tão a vontade envolve a trama de maneira a não fazer o publico desviar a atenção.

Abrir a boca nem pensar, piscar os olhos muito menos. Algumas coisas ficam soltas no ar, é verdade, mas até mesmo as explicações clichês do roteiro perdem sentido de existir já que é tudo tão bem montado que não sobra tempo para achar ruim os caminhos tomados pelos protagonista e pela história – por isso disse que Leterrier não teve medo de errar em nada. Tranquilo no que faz, o diretor não poupa esforços para fazer valer a tese de que realmente cinema e mágica devem andar juntos. No momento que nos mostra alguma coisa, é porque outra está prestes a acontecer, e trabalhando dessa maneira envolvente, preocupado em manter a curiosidade até o fim, consegue fazer com que Truque de Mestre pareça bem maior do que aparenta ser. E se no fim das contas realmente não é assim?

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