, ,


Os Amantes Passageiros (Pedro Almodóvar, 2013)

Los Amantes Passajeros

Espanha, 2013
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Elenco: Javier Cámara, Cecilia Roth, Lola Dueñas, Antonio Banderas, Penelope Cruz.
Gênero: Comédia
Duração: 90 min.
Nota: 7,5

Por Roberta Figliolino

Como de praxe na obra Almodovariana, todo mundo bebe muito e se droga, há personagens extremamente dramáticos e um apelo na linguagem cinematográfica.
Uma vez, o célebre diretor Pedro Almodóvar declarou que seu próximo filme (este aqui) seria uma comédia bastante divertida e tranquila, para contrastar com a situação atual de crise vivida na Espanha. Tendo em mente esta declaração de Almodóvar, já vamos ao cinema sabendo o que esperar.

A trama se passa em um avião, que sai da Espanha em direção ao México. Um travelling de zoom nos dá uma apresentação geral dos personagens – desde a classe executiva até a classe econômica. Depois disso, nos são apresentados os comissários e posteriormente os pilotos. A trama muda quando acontece há um problema técnico no avião e não se pode posar ou seguir viagem. Neste momento, as personagens – que são várias – passam a se revelar.

Esta comédia realiza várias críticas e brincadeiras com as mais diversas entidades, a começar pela tripulação do avião. No começo, há uma cena em que se mostram os procedimentos de segurança, aos quais os viajantes prestam pouca atenção e os tripulantes fazem pouca questão em demonstrar.

Os três tripulantes -Javier Camara, Raúl Arévalo e Carlos Aceres – são gays e têm uma relação bem próxima com os pilotos. Nos passageiros temos uma vidente – interpretada por Lola Dueñas, uma ex atriz-modelo pornô – trazida à vida por Cecilia Roth, um homem misterioso, um casal de recém-casados e um ator. O diretor traz todos esses personagens como principais e aproxima suas tramas de modo que seja feito um nó na cabeça de quem assiste.

Pedro Almodóvar é conhecido por suas temáticas polêmicas e pela eterna presença da homossexualidade em seus filmes, ora abordada de maneira direta (como em Má Educação ou Tudo Sobre Minha Mãe), ora abordada de maneira mais discreta (como em Abraços Partidos, ou Pepi Luci Bom), mas neste filme, a homossexualidade é um grito escrachado, em que os homossexuais acabam sendo esteriotipados. Outro ponto surpreendente desta trama é a ausência das temáticas mais profundamente polêmicas, como as dos filmes mencionados acima.

Se Almodóvar queria fazer uma comédia tranquila, ele conseguiu. Fez bom uso de todos os elementos das comédias com piadas bem colocadas e atuações divertidas, fazendo uso também de algumas situações exageradas e irreais.

Como de praxe na obra Almodovariana, todo mundo bebe muito e se droga, há personagens extremamente dramáticos e um apelo na linguagem cinematográfica. Quanto à mesma, as cores de Almodóvar se fazem muito presentes nas poltronas verde-água com vermelho e há quebra de eixo em alguns momentos.

O elenco dá a impressão de ser “o mesmo de sempre”. O diretor que lançou grandes nomes espanhóis como Penélope Cruz e Antonio Banderas não abre mão da meia dúzia de atores presentes em seus diversos filmes. Temos Cecilia Roth (a mãe de Tudo sobre Minha Mãe), Jávier Câmara (o enfermeiro de Fale com Ela) e Lola Dueñas (a Sole de Volver). Penélope Cruz e Antonio Banderas fazem uma pequena participação, na qual, pela primeira vez na obra de Almodóvar, contacenam.

“Os Amores Passageiros” é uma comédia bem tranquila e alegre, mas pode não ser palatável para todos os tipos de público. O diretor continua a abordar o gênero de maneira divertida, mas desta vez, mais comercial do que seus filmes dos anos 80 e 90.

Comments

Leave a Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Loading…

Loading…

Comments

comments