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Room 237 (Rodney Ascher, 2012)

Por Rennan A. Julio

 

Para compreender a genialidade, há a necessidade de utilizar o absurdo

A experiência ao se assistir “O Iluminado” é, por si só, uma impressionante imersão ao mundo do terror. Um dos maiores filmes do gênero da história do cinema, realizado por um dos maiores diretores de todos os tempos, a obra de Stanley Kubrick ainda pode ser situada dentro dos clássicos irretocáveis. No entanto, como em outros clássicos produzidos por Kubrick, o contexto é muito mais amplo e complexo do que aparenta ser. “O Iluminado” não nos conta somente a história de uma família americana atordoada pelas forças sobrenaturais de um hotel. E para explorar as entrelinhas desta incrível obra, somente abusando de teorias improváveis para que uma tentativa de análise seja possível.

Para realizar a loucura de procurar compreender as mensagens subliminares da obra de Kubrick, Rodney Ascher, diretor do documentário, reuniu depoimentos e entrevistas completas com os donos das teorias conspiratórias mais complexas que acercam o filme original. Teorias estas que vão do inacreditável ao impossível, sempre baseadas com muito tecnicismo e teorização, a base argumentativa dos entrevistados é tão crível que nós somos carregados boquiabertos durante todo o período do documentário. Mitologia, holocausto, genocídio indígena norte americano, primeiro passo do homem na Lua, há de tudo neste belíssimo conteúdo sobre o clássico de Kubrick.

Fiel à genialidade do diretor, a obra de Ascher mantém o nível de excelência necessário para o entendimento de “O Iluminado”. Jornalistas, críticos, cinéfilos e cientistas políticos demonstram suas qualidades enquanto dissecam a filmografia do “homem com um Q.I. de 200”. Talvez essa seja uma das bases válidas do realismo de Room 237: a genialidade produz possibilidades; não podemos duvidar da capacidade de um homem que revolucionou a estética cinematográfica, analisou a história da sociedade humana e demonstrou seu lado mais selvagem durante as produções ao longo de sua carreira.

“Laranja Mecânica” e “2001: Uma Odisseia no Espaço” representam algum dos traços do mais alto índice de compreensão humana dentro da sétima arte. Portanto (e concluo, pois), as teorias conspiratórias mais absurdas não se mostram irreais, sequer duvidosas, apesar do exagero por parte dos entrevistados, a adoração leva ao extremo, e esta responsabilidade não pode ser dada à Kubrick, mas sim àqueles que acreditam em suas próprias verdades. No trailer oficial do documentário, dizia-se “o mais impressionante filme sobre filmes já realizado”, talvez com as devidas proporções, Room 237 age tão bem em sua abordagem questionadora que as frases não soam tão comerciais quanto parecem. Um belo documentário para os que acompanharam a carreira deste brilhante – caso sejam reais as teorias contidas nesta película, “brilhante” é, certamente, um elogio ao fio da barba de Kubrick – diretor e uma aventura inesquecível para os que se encantaram com as cenas de seu mais marcante filme de terror.

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  1. Vi esse documentário e fiquei perturbada e me questionando por alguns dias. Kubrick era genial e tamanha era a complexidade de suas obras. Não tem como passar batido todos os fatos levantados, depois desse documentário não consigo assistir um filme do Kubrick sem imaginar o além do proposto visivelmente nela.

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