, ,


Bond, James Bond

Bond, James Bond

Por Rafael Lopes
(dedicado à Jamille Tonini)

Nascido da mente criativa de Ian Fleming, o agente secreto James Bond saiu das páginas para a tela do cinema para se consolidar como patrimônio da cultura. Influenciando diretamente um gênero, os filmes conquistaram uma apaixonada legião de fãs que cresceram acompanhando o charmoso agente secreto derrotando vilões megalomaníacos pelo mundo. A cinessérie mais longa do cinema chegou aos 50 anos – e diga-se de passagem muito bem vividos – e parece estar longe do fim. Seis atores já personificaram Bond, e inseriram o personagem nos mais variados contextos, desde a Guerra Fria ao terrorismo dos dias de hoje, trazendo sempre um autentico e clássico James Bond às mais variadas situações, contribuindo para que o personagem mesmo sendo datado, continue sempre se reinventando e justificando sua existencia.

SEAN CONNERY (1962-1967/1971)

sean

Sean Connery já havia feito um filme aqui, outro acolá, mas todos com personagens menores. Seu nome entrou pra valer pra história do cinema em 1962 quando interpretou o agente secreto em seu filme de estreia no cinema: 007 Contra o Satânico dr. No. Engraçado que um dos cotados para representar Bond na época era Roger Moore, que viria a ser Bond no cinema por 7 vezes, mas sendo Connery o escolhido os produtores provavelmente não imaginavam que estavam realmente no caminho certo. Sean Connery foi ajudado pelo diretor Terrence Young a captar a essência da personagem e para muitos é considerado o tipo ideal para James Bond (mesmo o próprio Ian Fleming afirmando que Roger Moore era o tipo certo). Seu nome estrela 6 filmes, dentre eles o mais importante da filmografia do personagem: 007 Contra Goldfinger. Esse, que é o 3° filme da cinessérie, é um marco da filmografia justamente por consolidar todas as características que formam a personalidade de Bond. É também importante pelo fato de ter sido um novo conceito para filmes de aventura, influenciando muitos filmes posteriores do gênero. Mesmo com o sucesso crescente dos filmes de James Bond, foi 007 Contra a Chantagem Atômica o mais bem sucedido filme na era Connery nas bilheterias. Já nos anais da história do cinema e bem famoso, Connery interpreta Bond em Com 007 só se Viver Duas Vezes e o sucesso da produção o deixa balançado a ganhar mais num próximo filme, o que faz com que seu contrato com a United Artists não seja prorrogado. Mas em 1971 ele volta e se despede do personagem definitivamente com 007 Os Diamantes São Eternos (e se despede infelizmente num dos filmes mais fracos da cinessérie). Em 1983 volta a interpretar Bond numa versão mais velha em um filme não oficial do personagem, 007 Nunca Mais Outra Vez pelo qual recebeu uma bolada para participar. O primeiro ator a se apresentar como Bond, James Bond é então um grande sucesso. Uma unanimidade entre os fãs que o colocam como melhor interprete do personagem, e com toda justiça. Só a título de curiosidade, aquela sequencia do tiro antes do filme começar só começou a ter Sean Connery fazendo a pose a partir de 007 Contra a Chantagem Atômica. Até então o dublê Bob Simmons era o cara que atirava.

  • MELHOR FILME: Moscou Contra 007. Sim, você tem razão, Goldfinger é considerado por avassaladora maioria o melhor Bond (até entre os 23 filmes), mas poxa vida, que filmaço é esse Moscou Contra 007! Até mesmo antes de Goldfinger, já era notório a personalidade implacável que Connery empregava a seu personagem, sem contar nas brilhantes cenas de ação e no enredo amarradinho e empolgante que o filme construía. Tudo isso o gabarita para ser com todo louvor o melhor filme de 007 com Sean Connery estrelando.
  • PIOR FILME: 007 Os Diamantes São Eternos. Muito triste esse filme. Alguns momentos chegam a constranger de tão bobocas, realmente não dá.
  • MELHOR CANÇÃO TEMA: You Only Live Twice – Nancy Sinatra. Seria clichê dizer que o tema de abertura de 007 Contra o Satânico dr. No é o melhor. Até porque como se trata da música tema do personagem, é mais justo que um das músicas dos outros filmes seja escolhida. Pois bem, entre as estridentes temas de Goldfinger e Thunderball (Shirley Bassey e Tom Jones respectivamente) e as baladinhas deliciosas de Diamonds are Forever e From Russia With Love (Shirley Bassey e Matt Monroe) fico com a maravilhosa canção da Nancy Sinatra.
  • MELHOR CENA DO ATOR: A sequencia de abertura de 007 Contra Goldfinger. Simplesmente sensacional (e que inspirou James Cameron na abertura de True Lies).

GEORGE LAZENBY (1969)

george

Entre Com 007 Só se Vive Duas Vezes e 007 Os Diamantes são Eternos, os produtores enfrentaram pela primeira vez o doloroso dilema de ter que substituir James Bond. Sean Connery havia estrelado 5 grandes sucessos e seu nome já estava atrelado ao personagem que era complicado imaginar um filme de 007 sem o escocês estrelando. Devido a entraves na renovação de contrato de Sean Connery, ficou para o modelo australiano – e desconhecido pro cinema – George Lazenby a difícil missão (mais difícil até que qualquer missão de Bond) de substituir a altura “o outro cara” (como de maneira bem humorada se refere a Connery numa piadinha interna que abre o filme). O livro no qual 007 A Serviço Secreto de Sua Magestade foi inspirado era um best seller na época. Como foi lançado já com os filmes de Bond sendo produzidos (e seria até feito antes de Com 007 Só se Vive Duas Vezes, não fossem alguns pequenos problemas) era a ocasião certa para não somente lançar uma nova aventura como também lançar um novo astro. Tudo conspirava para que fosse perfeito. Peter Hunt (que havia sido o editor dos filmes anteriores) assumiu a direção e inseriu no filme aspectos de mudança, para que o filme continuasse no universo de James Bond mas sem Sean Connery. Lazenby entendeu o fardo que assumira e empregou a Bond uma personalidade interessante. Apesar de sua inexperiência como ator, ele deu certo carisma a Bond, desassociando sua imagem a Connery a todo custo. Infelizmente pagou caro, vendo sua atuação ser a menos celebrada como o personagem e o filme sendo meio que rejeitado na época pelo público, que ainda não estava pronto para ver um filme de Bond mais maduro e com situações mais realistas, como o final desse filme que é único em toda a cinessérie. Mas o tempo curou tudo isso e 007 A Serviço Secreto de Sua Magestade é com sobras muito superior a outros filmes da série. Talvez se Lazenby tivesse tido sequencia como personagem pudesse ter tido outro futuro, mas por achar que James Bond seria ultrapassado nos anos 70, quem acabou caindo no limbo do esquecimento foi ele.

  • MELHOR FILME: Obviamente o único em que participou, que ainda coloco num top 5 da série.
  • PIOR FILME: De pior mesmo só sua arrogância, que nem o deixou fazer mais filmes. Creio que tinha potencial para ser um bom James Bond.
  • MELHOR CANÇÃO TEMA: We Have All the Time in The Wolrd – Louis Armstrong. Pode até não tocar na abertura do filme (que é uma instrumental bem bacana), mas poxa vida, que música linda! Assim como o filme, encabeça facilmente as melhores músicas tema.
  • MELHOR CENA DO ATOR: Ele nas instalações de Blofeld sendo simplesmente Bond: pega todas as mulheres (marcando hora ainda) e de quebra dá uma espionada nos planos do vilão.

Roger Moore (1973-1985)

roger

É verdade que o James Bond da minha geração era Pierce Brosnan (por razões obvias) mas o James Bond que por muito tempo considerei importante – e ainda admiro muito – foi o interpretado por Sir Roger Moore. O cara desde o começo devia ter interpretado o agente secreto, mas devido uns probleminhas com falta de tempo para se dedicar às produções de Bond, acabou sendo preterido por Sean Connery. Mas Moore é James Bond. Tudo bem que seus filmes tenham sido marcados por um Bond mais leve, com mais humor, mas ainda assim ele acabou sendo a grande referencia por ter seu nome em nada menos que 7 filmes (é o ator que mais vezes interpretou Bond). Minha infância foi vendo os filmes com esse cara, logo, foi até complicado acostumar com Sean Connery por exemplo. Moore estreou na pele do personagem no ótimo Com 007 Viva e Deixe Morrer, cujo único defeito foi a morte do vilão. Depois veio 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro e é interessante ressaltar como esses dois filmes foram fortemente influenciados por Hollywood. O primeiro, um verdadeiro James Bond do Harlen, uma versão Bondiana dos filmes Blaxploitation e o segundo um digno Bond Kung Fu, lembrando bem muito dos filmes do gênero nessa onda. Foram dois filmes bacanas e tudo mais, só que o melhor viria no seu 3° filme como o agente secreto: 007 O Espião que me Amava. Nada de influência externa em termos de linguagem cinematográfica, nesse filme James Bond volta a ser James Bond, com todas as características que o marcaram, sem contar que nesse filme tudo é tão bem feito, bem construído e é tudo tão interessante que é por muitos considerado um dos melhores já feito. Mas se em 007 O Espião que me Amava James Bond volta a ser o velho Bond, a partir de 007 Contra o Foguete da Morte (que veio de carona nos sucessos dos filmes espaciais da época, como Guerra nas Estrelas) os filmes parecem viver em função de Roger Moore. É tamanho o apelo para a simpatia do ator que muito dos filmes acaba se perdendo – e é onde estão os mais fracos da série, apesar de muito divertidos. Seu humor sarcástico e sua charmosa ironia deram o tom dessas produções, que ainda inclui aí 007 Somente Para seus Olhos, cuja sequencia de abertura é bem vergonhosa (veja o que ele faz com Blofeld) e de quebra a Bond Girl era homem. Tudo volta à lucidez com 007 Contra Octopussy, onde o tom mais bem humorado ainda impera, só que dessa vez, com filmes mais maduros. Isso continua em 007 Na Mira dos Assassinos, a despedida do ator que estava cada vez mais iminente: em pleno anos 80, com jovens e fortões atores explodindo tudo, um senhor de quase 60 anos fazendo mirabolantes cenas de ação soa muito forçado. Mas ainda assim, Moore se despede do personagem por cima, num ágil e ótimo filme de ação, com o Christopher Walken de vilão e uma Bond Girl feia que James Bond encara à serviço da Rainha. Moore fez muito sucesso como o agente secreto, e de fato o idealizou à altura de seu criador. Uma pena ter cometido alguns deslizes, mas seu talento como Bond o gabarita como um dos mais importantes a dizer a célebre frase: Bond, James Bond.

  • MELHOR FILME: 007 O Espião que me Amava. Da abertura icônica ao final enfrentando um dos mais cruéis vilões da cinessérie, tudo é perfeito.
  • PIOR FILME: 007 Contra o Foguete da Morte. É o filme que ele vem ao Brasil e tudo mais, mas olha… Tem que ter muita paciência pra chegar ao fim.
  • MELHOR CANÇÃO TEMA: Live and Let Die – Paul McCartney & Wings. A era Roger Moore teve de tudo. De uma baladinha romântica da Carly Simon até uma canção alucinante do Duran Duran – e de quebra mais uma música da Diva Shirley Bassey – mas tendo um ex beatle cantando a música tema de um filme de 007 (e ainda mais essa música sendo muito bacana) é argumento mais que suficiente.
  • MELHOR CENA COM O ATOR: A já citada sequencia de abertura de 007 O Espião que me Amava. Simplesmente perfeita.

TIMOTHY DALTON (1987-1989)

timothy

Antes de qualquer coisa, a escolha de Timothy Dalton para o personagem significa para a série uma renovação total (olha como são as coisas, o primeiro nome cotado era o de Pierce Brosnan, que só não assinou por conta de problemas contratuais). Sai o já senhor Roger Moore e entra o jovem Timothy Dalton; sai o tom leve e mais bem humorado, entra o brucutu de poucas palavras. A mudança se deu principalmente pelo fato de ser notada a necessidade de evoluir James Bond como personagem para o grande público, que já dava sinais de desgaste. Só que nem tudo foi rosas. Dalton é um ótimo Bond, tem tudo o que o personagem precisa e é além disso, trouxe algo que ajudaria na captação de novos fãs para o filme. Como os anos 80 foram marcados por produções com heróis mais anti heróis, agindo à margem da lei, brutamontes que atiravam pra depois perguntar, Dalton cai então como luva nessa repaginação de James Bond. O problema foi que nesse processo, James Bond enfrentaria o grande capítulo de sua história: uma batalha na justiça pelo personagem. O primeiro filme, 007 Marcado para a Morte, deu tudo certo. Grande sucesso de público e crítica abriu caminho para a sequencia que seria o problema dessa fase Dalton. 007 Permissão para Matar, mesmo sendo um filmaço, sofreu com inúmeros problemas na sua produção, mudança de titulo e de quebra a desleal concorrência com os bam bam bam da época: Batman e Indiana Jones e a Última Cruzada, por exemplo. Apesar da boa recepção da crítica, o filme não foi tão bem nas bilheterias e pra completar, depois disso ainda veio a batalha judicial pelos direitos do personagem que viu o contrato do ator expirar (e assim não chegar a fazer seu terceiro filme como James Bond) e de quebra o maior hiato de tempo sem um filme de 007 lançado. Dalton é tido, com toda justiça, o cara que trouxe um realismo interessante ao personagem (mais até que o Lazenby) e por conta disso ganhou espaço no coração dos fãs por simplesmente ter detonado nos dois filmes que fez. Imagina se ele tivesse feito um terceiro filme? Reza a lenda que o terceiro filme do ator no personagem é sempre o melhor.

  • MELHOR FILME: 007 Marcado para a Morte. Difícil escolher entre os dois, já que são filmes ótimos, mas fico com o primeiro.
  • PIOR FILME: Nenhum. Pior mesmo foi o processo judicial que custou um dos melhores interpretes de James Bond no cinema.
  • MELHOR CANÇÃO TEMA: The Living Daylights – A-HA. Fácil essa.
  • MELHOR CENA COM O ATOR: A perseguição de caminhão de 007 Permissão para Matar.

PIERCE BROSNAN (1995-2002)

pierce

Foram 4 filmes. Suficientes para marcar uma geração. Seria bem fácil crer que o fim da Guerra Fria seria também o fim de seus Heróis, mas nesse caso, após sobreviver a uma selvagem briga nos tribunais, James Bond voltaria com tudo. Após a recusa de Dalton para um terceiro filme, era hora de mais uma vez apostar em sangue novo. Agora sem empecilhos contratuais, Pierce Brosnan estava livre para assinar e escrever seu nome nessa história. A decadência do cinema brucutu e a estilização dos filmes de ação nos anos 90 casaram perfeitamente com a imagem que Brosnan deu ao personagem. Dos seis atores ele é talvez o único a unir as características clássicas do personagem com as necessidades do futuro. Ou seja, os filmes de 007 manteriam tudo o que havia dado certo até então e investiria pesado em saborosas novidades dentro dos filmes. 007 Contra GoldenEye, foi a prova definitiva de que estavam no caminho certo. Um filmaço de ação que apelava com gosto para o que tornava James Bond clássico (a cena da corrida de carros após a abertura ilustra bem isso) com um refinado e autentico Bond. O personagem manteve a frieza de Timothy Dalton e a leveza charmosa de Roger Moore. Mérito do diretor Martin Campbell, que viria a revitalizar outro ícone esquecido anos depois, o Zorro. E de quebra, o filme ainda investiu em novas mídias, que indicavam o futuro: os games. O jogo baseado em GoldenEye é tido como um clássico absoluto entre os fãs de games e se mantém como um dos grandes títulos já lançados. O sucesso nas bilheterias só confirmou o obvio e em 1997 entra em cartaz 007 O Amanhã Nunca Morre. Agora a guerra era contra as corporações que manipulavam a informação, e apesar de  ser fraco em relação a GoldenEye, ainda assim é um ótimo filme de ação. O melhor viria mesmo em 1999 com 007 O Mundo não é o Bastante, primeiro Bond que vi no cinema. E sendo ele o terceiro filme com um mesmo ator, a profecia mais uma vez se cumpre: que filmaço. É bem fato que a guerra fria havia acabado há alguns anos, e Bond ainda lutava contra resquícios do comunismo, mas O Mundo não é o Bastante é o ápice de Brosnan como Bond – e ainda contou com a última participação de Desmond Llewelin como o saudoso Q, já que o ator já bem velhinho falecera num acidente de carro. Em 2002 o ator teve a honra de encabeçar o filme que marcaria o aniversário de 40 anos de 007 nos cinemas, mas parece que a coisa não engrenou. Infelizmente 007 Um Novo dia para Morrer foi vítima das próprias pretensões. Algumas escolhas ruins para o elenco e até para a música tema o fazem parecer apenas mais um filme, diferente do interessante ritmo que os 3 anteriores haviam conseguido. Um Novo dia para Morrer foi o maior sucesso comercial de Bond, principalmente com a venda de dvds, mas infelizmente permanece como o filme com maior potencial que não foi bem aproveitado. Brosnan, já ficando velho para o personagem, se despede então por cima. Com bons filmes e muito sucesso, tendo a feliz proeza de trazer James Bond para os “tempos modernos”. Só que o desgaste de algumas ideias de Um Novo dia para Morrer fizeram o sinal amarelo ligar: era hora de mudança.

  • MELHOR FILME: 007 O Mundo não é o Bastante. É onde Brosnan deixa sua assinatura como James Bond.
  • PIOR FILME: 007 Um Novo dia para Morrer. Chamaram o Lee Tamahori pra dirigir, já deviam prever que o cara ia fazer merda. Pelo menos tem umas cenas de ação bacanas.
  • MELHOR CANÇÃO TEMA: GoldenEye – Tina Turner. Tina Turner é incrível por si só, interpretando uma letra dos caras do U2 num filme do 007 é ser mais incrível ainda. Legal que a música tema está no filme que alavancou 007 pra modernidade e alavancou também a carreira dela, que não vinha muito bem das pernas. Musicaço!
  • MELHOR CENA COM O ATOR: A perseguição no veículo anfíbio em 007 O Mundo não é o Bastante. Ele arrumando a gravata embaixo d’água é ser muito James Bond.

DANIEL CRAIG (2006-presente)

daniel

Depois da aposentadoria de Pierce Brosnan como 007, não se esperava uma mudança tão brusca da fisionomia do personagem. Sai um ator moreno, entra um ator loiro; sai um ator mais elegante, entra um brucutu; sai um ator charmoso, entra um com orelha de abano – e feio. O público chiou e Daniel Craig, que já vinha de bons filmes mas nada comparado à Bond, precisou apenas de uns 20 minutos para provar ser capaz de ser um digno James Bond. Na adaptação de Cassino Royale, o ator conquista até o mais relutante fã de James Bond. 007 Cassino Royale, levou a sério a idéia de repaginação do personagem e atropelou com gosto alguns itens considerados obrigatórios num filme como esse. E tudo deu certo. Para contar as origens do personagem, mais precisamente sua primeira missão, o filme entendeu a necessidade de abandonar de vez a sombra da Guerra Fria e partir para os problemas do presente, no caso desse filme, o terrorismo. O filme foi um grande sucesso e é tido como um dos melhores filmes de Bond, com todo louvor. E olha quem assinou a direção: Martin Cambell, o mesmo que já havia feito história com GoldenEye e repaginando mais uma vez o personagem. Sucesso garantido, filmaço pra galeria dos melhores, hora de partir pro segundo, que estreou em 2008: 007 Quantum of Solace. Só que agora, as coisas não foram como planejadas. O filme foi produzido no meio da greve dos roteiristas e isso afetou diretamente o andamento desse que seria a conclusão de tudo que foi iniciado em Cassino Royale. Como a galera que escreve tudo estava de braços cruzados, sobrou até pro Craig escrever alguma coisa e aí já viu: o filme saiu do controle e o resultado parece ter sido produzido às pressas. Acabou saindo um filme rápido demais, confuso demais e bem básico. Ao menos as ágeis cenas de ação valeram. Só que isso não foi suficiente para causar qualquer desconfiança ante o lançamento mais recente da série: 007 Operação Skyfall. O filme para comemorar os 50 anos do personagem no cinema foi conduzido por um diretor vencedor de Oscar e que sem os problemas do filme anterior, conseguiu moldar Daniel Craig como um verdadeiro Bond. Sam Mendes em seu filmaço consegue manter a escrita do terceiro filme ser sempre o melhor num filme de ação interessante que conseguiu tranquilamente – sem apelar para mudanças drásticas – unir o clássico Bond ao novo Bond. Em três filmes Daniel Craig vence a desconfiança que o rodeava quando anunciado e se consolida como um grande acerto. Quem agradece são os fãs.

  • MELHOR FILME: 007 Operação Skyfall. Superior em tudo com relação aos demais. Só que esse aqui é seguido bem de perto por Cassino Royale, que tem basicamente as mesmas qualidades. Um abismo os separa de Quantum of Solace.
  • PIOR FILME: 007 Quantum of Solace. Bem abaixo do que poderia ser. Claro que a culpa maior é de fatores externos, como a greve dos roteiristas, mas o preço que se paga é bem amargo.
  • MELHOR CANÇÃO TEMA: You Know My Name – Chris Cornell. Sim, a Adele venceu o Oscar e tudo mais. Mas e daí? A música do Chris Cornell além de muito bem interpretada pelo virtuoso cantor é nada menos que uma descrição em formato de música do James Bond. Nada menos que sensacional!
  • MELHOR CENA DO ATOR: Daniel Craig se mostra um Bond que leva muita porrada, então, sendo coerente, porque não destacar a perseguição a pé pelas ruas de Madagascar em 007 Cassino Royale que o apresentou ao mundo como novo 007?

~~

james-bond-gunbarrel-poses

Comments

Leave a Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Loading…

Loading…

Comments

comments