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O Expressionismo Alemão e o cinema atual

O Expressionismo Alemão e o cinema atual

Por Rennan A. Julio

O primeiro passo de um cinema mais complexo

Devastada pela Primeira Grande Guerra, a Alemanha resistia sobre o sentimento de humilhação nacional devido às condições propostas pelo Tratado de Versalhes, ao mesmo tempo em que sua população encontrava-se travada no pessimismo inevitável, consequente ao patamar imposto pelos vencedores da primeira grande batalha entre nações mundiais. Em contraponto, as manifestações culturais ascenderam neste momento cujas expectativas sociais foram limitadas pelo terror melancólico de uma nação sem prospectiva.

Tal como resposta ao sentimento coletivo de inaptidão evolutiva, nasceu na Alemanha, dentro dos movimentos vanguardistas europeus, a primeira grande corrente cinematográfica da história: o Expressionismo Alemão. Baseado nos preceitos literários que buscavam questionar o poder da burguesia e da mecanização do homem, essa manifestação ainda realizou a incrível união entre a filosofia de Nietzsche e a teoria do incosciente de Freud para aclamar seu ponto de vista puramente subjetivo.

Dentro do audiovisual, Fritz Lang, Friedrich Wilhelm Murnau e Robert Wiene são considerados os maiores nomes da corrente. Obras como “O Gabinete do Dr. Caligari”, de Wiene; “Nosferatu, uma Sinfonia de Horrores”, por Murnau; e “Metrópolis”, de Fritz Lang, exibem as capitais características desta desconstrutiva forma de interpretação: pessimismo, loucura, melancolia, repulsa aos adventos da Revolução Industrial, etc.

Definitivamente, o legado da primeira tentativa bem sucedida de quebra ao classicismo de D. W. Griffith é inquestionável, pois muitas das obras mais ricas do cinema atual resvalam suas direções de fotografia e suas iluminações no claro/escuro de Wiene, ou no espaçamento vazio/cheio de Fritz Lang. Além, obviamente, da criação do gênero do terror, abusadamente utilizado nos dias de hoje.

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“Blade Runner”, de Ridley Scott, é considerado uma enorme homenagem ao “Metrópolis”, um dos pais do sci-fi mundial. Como não mencionar Tim Burton e seus cenários estreitados, casas disformes e personagens horrorizados pelo subjetivismo interno. Alfred Hitchcock também inseriu sua maneira de criar suspense com apelos da corrente expressionista: podendo ser destacada a organização de luz e os cenários introspectos com os quais o gênio costumava trabalhar. Também dizem que a clássica cena do chuveiro em “Psicose” é uma homenagem ao “Nosferatu”, de Murnau. Ou até mesmo David Lynch, que utilizou traços do pessimismo melancólico alemão, aliados ao estilizado cinema noir, para caracterizar suas duras críticas às formalidades sociais em suas obras.

O pai dos movimentos anti-classicistas realizou uma grande escola para o cinema, nos mostrando que absolutamente nem todo filme deve seguir um raciocínio altamente lógico ou ir de acordo com os padrões estabelecidos por pessoas desconectadas à arte. Está faltando expressão para a altamente midiática cinematografia em que vivemos.

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