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5 Banquetes deliciosos do Cinema

5 Banquetes deliciosos do Cinema

Por Rafael Lopes

À essa arte que tanto amamos temos a certeza de que não há limites. A graça do cinema é justamente contar com essa liberdade para contar a história que quiser, da maneira que quiser. Enquanto expressão artística é preciso, então, que o apreciador esteja ciente de que nesse tipo de universo tudo pode acontecer. Se o cinema já nos presenteou com obras repletas de belas imagens, com cenas que nos fazem bem, com o mocinho derrotando o vilão com justiça, esse mesmo cinema também já nos surpreendeu com momentos onde o estômago ficou embrulhado e os olhos procuraram desviar do que rolava na tela. E convenhamos, tem coisa mais nojenta, bizarra, feia e escrota do que a subversão do momento mais digno do ser humano: a refeição? Pois bem, essa lista separa 5 momentos em 5 filmes que se encaixam bem nessa situação, indo do mais leve ao mais doentio, 5 banquetes que é melhor assistir bem depois de qualquer refeição.

05 – Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom – Steven Spielberg, 1984)

O filme mais peculiar da quadrilogia do arqueólogo que mais amamos. Entra na lista como o filme mais tranquilo pois se trata de uma aventura, e não um filme de horror ou qualquer outro gênero que aparecerá na lista – apesar do tom sombrio e da violência mais gráfica que os outros filmes da franquia – que tem na cena em que Jones e seus amigos são convidados a participar de um baquete que inclui cobras vivas e cérebro de macaco. A cena é divertidíssima e talvez um dos momentos mais descontraídos do diretor no cinema. A segunda aventura do Indiana no cinema é marcado justamente por ter a assinatura insana de um diretor que claramente diverte-se criando as mais variadas situações do filme. Essa cena em particular é bem uma demonstração disso e de tão marcante no filme é um dos momentos mais marcantes dos 4 filmes. E como não podia ser, é bem nojenta de se ver.

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04 – Holocausto Canibal (Cannibal Holocaust – Ruggero Deodato, 1980)

São muitos os momentos que entram fácil em qualquer lista de filme doentio, mas trazendo para o tema dessa lista, acabou sendo uma das cenas menos brutais do filme. Não é porque é menos brutal que seja menos significante. Na cena em questão, quando o professor Harold Monroe (Robert Kerman) finalmente encontra a tribo canibal que seria documentada por um grupo de documentaristas insanos, para chegar às respostas que procura é preciso antes participar de um ritual canibal da tribo para ganhar a confiança dos índios. Pois bem, longe de todas as atrocidades que são mostradas a partir daí, a cena não deixa de ser bizarra. Assim como em A Noite dos Mortos Vivos, incomoda ao ver o cara comer aquele pedação de carne. É muito nojento, que por mais que não cause a mesma repulsa de outras cenas mais famosas da obra, continua não tão legal de encarar assim.

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03 – Hannibal (Hannibal – Ridley Scott, 2001)

É claro que esse gênio assassino (e da culinária também) entraria na lista. Se em O Silêncio dos Inocentes conhecemos Hannibal Lecter como uma brilhante mente criminosa, ficando na espetacular cena em que ele foge do cárcere uma amostra do que ele é capaz, nessa continuação da história lançada nos cinemas em 2001 podemos ver do que ele realmente é capaz. Depois de literalmente escapar da morte certa, ele decide dar uma lição em Paul Krendler convidando-o a comer uma deliciosa iguaria: cérebro humano. Detalhe, nem preciso dizer de quem é o cérebro. Pois bem, que momento surreal nos filmes do canibal que mais amamos. A cena marca talvez o ponto alto da trama, uma vez que o filme primou em colocar Hannibal em ação (mais uma vez contando com uma atuação monstruosa de Anhtony Hopkins) é nesse momento que toda a classe do personagem divide a tela com um voraz instinto assassino que prova de uma vez por todas que aquele senhor com jeitão simpático é na verdade uma mente diabólica com a qual não podemos brincar.

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02 – O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante (The Cook the Thief His Wife & Her Lover – Peter Greenway, 1989)

O título peculiar não é à toa. O filme é um controverso conto onde a vingança de um mafioso não é exatamente um prato que se come frio. Ao descobrir o affair de sua mulher com outro homem, que o traia enquanto ele devorava os pratos do restaurante Le Hollandais, decide nos premiar com um jantar nada menos que peculiar. Acho que a imagem fala por si. Detalhe que ainda sobra espaço no estômago doentio do mafioso para uma sessão de coprofagia que dificilmente sairá de sua cabeça. A cena segue com, bom, veja o filme, não se pode estragar uma surpresa como essa. O filme à época de seu lançamento dividiu opiniões. Se por um lado o consideravam genial, por outro não passava de um escatológico filme para entrar no rol dos filmes bizarros do cinema. Com o tempo chegou-se a uma conclusão que definitivamente faz justiça à esse filmaço: é uma obra de arte.

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01 – Salò, ou os 120 Dias de Sodoma (Salò o le 120 giornate di Sodoma – Pier Paolo Passolini, 1975)

Inspirado numa obra do Marques de Sade (e escrita durante sua prisão na bastilha) Passolini tira a história situada na França pós revolução e a trás para um momento histórico mais recente – e que ele mesmo viveu, o que dá ao filme um toque pessoal do diretor – a Segunda Guerra Mundial. Quatro amigos libertinos decidem curtir 120 dias de pura depravação e perversão num castelo acompanhado de decadentes prostitutas, e suas histórias, e jovens que comem o pão que o diabo amassou. Corrigindo, a bosta que o diabo cagou. Sim, de tudo que há de mais doentio na trama, o banquete de fezes é a pior delas. Um dos pontos altos da trama esse banquete é só um dos lados mais baixos da natureza humana que Passolini se propõe a tratar. E é com todo louvor e merecimento (é capaz até de sentir o mal cheiro da cena, sério) que esse momento único do cinema encabeça essa lista.

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