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O Garoto (Charles Chaplin, 1921)

O Garoto (Charles Chaplin, 1921)

Por Rafael Lopes

(contém necessários spoilers)

Roupas grandes e sujas, sapatos maiores que a cabeça, andar desajustado e muito rápido na corrida. Chapéu coco super charmoso, elegância em seus traços, bigode peculiar e uma bengala de bambu que ele gosta de pressionar ao andar.

Charles Chaplin cria uma história inventiva e inocente, sobre os encontros e desencontros de uma criança e seu passado, sobre as artimanhas de um “pai” dedicado, que no final de tudo quer apenas o melhor para seu “filho”.

Um filme para sorrir…Ou talvez chorar.”

Uma mulher desesperada porque não tem condições de criar um filho. Um homem que não faz idéia de que tem um filho. Ela sem muito o que fazer, apela para uma medida desesperada e preciptada: abandona a criança num carro. O carro é roubado por ladrões, que quando descobrem a criança arranjam um jeito de se livrar do pobre.

Em seu passeio matinal..,

É quando o vagabundo, com toda a sua elegância na hora de escolher um cigarro e recebido por uma saraivada de entulho, observa o pequeno, e depois de frustradas tentativas de se livrar da criança, acaba descobrindo que ele e somente ele pode dar a atenção e o carinho que ele precisa. Por mais que a mamadeira seja um bule (e que possui sim, seu charme))e que precisem “enganar” o contador de gás, o vagabundo e o pequeno John(repare que no começo o vagabundo diz que o nome é John, mas perto do fim, o vagabundo chama a criança pelo nome Jack, que é o verdadeiro nome do ator que interpretou o guri), fazem trambiques pra sobreviver. Fugindo da polícia, maridos furiosos (uma das cenas mais fantásticas!) e irmãos briguentos, eles vivem sua vida sem atrapalhar ninguém, autentica família de duas pessoas, se ajudando e se virando como podem.

A caridade para alguns é obrigação, para outros é alegria.

mulher vira uma atriz de renome, aplaudida nos palcos e ainda assim muito humilde e caridosa. Neste segmento, fica evidente que ela ainda vive as sombras de seu passado. Quando segura um bebe de colo e lembra de seu filho, sem imaginar que ele está tão próximo. O coração bondoso e aquele sentido de mãe, coloca a vida do garoto, do vagabundo e a dela no meio do caminho. A criança precisa de cuidados, pois está doente, e graças a um bilhete, ela reconhece o filho que foi obrigada a abandonar.

Cuidados e atenção especial.

Com o filho debilitado, o perigo de ele ser levado para o orfanato, causa um rebuliço e mesmo tendo sido separados, ele é pai e tem os sentimentos de um pai. Enfrentando telhados e brutamontes ele parte numa caçada emocionante pelo filho e conseguindo seu intento ao final da seqüência gera um reencontro lindo e de tão inocente, engraçado.

O mundo dos sonhos.

Só que os desencontros não param, e o garoto é seqüestrado por um homem interessado na recompensa e no mundo dos sonhos, o vagabundo percebe que mesmo um mundo inocente e feliz, onde apenas a felicidade e aquela sensação gostosa de ser criança, que ele tinha com seu pequeno John, pode ser destruída com o pecado, com os piores e mais infernais sentimentos. Ele acorda de seu sonho, mas sempre existe um mínimo de esperança e sempre devemos acreditar nesse mínimo, por mais que a situação não ajude muito, e o mundo dos sonhos possa assim realmente ainda existir.

Charles Chaplin consegue em pouco mais de 50 minutos conquistar meu coração e fazer aparecer todos os mais belos sentimentos que um filme poderia proporcionar. Momentos chave da trama são responsáveis por isso, desde a forma como ele limpa a criança com um lenço “lambido”, à sincera química entre os dois, deixa o filme com um ar tão delicioso e incrivelmente mágico. É onde reside a tal magia do cinema e onde vive aquela nostalgia deliciosa quando captamos as infantilidades poéticas do velho malandro.

Chaplin faz bem pra alma!

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