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Circulo de Fogo (Guillermo del Toro, 2013)

Os gigantes de Guillermo del Toro

Por Rafael Lopes

Uma bela homenagem aos monstros gigantes“, descreve Guillermo del Toro sobre seu mais ambicioso projeto. Ambicioso em todos os sentidos, desde o milionário orçamento (na casa dos U$ 200 milhões) até todo o tamanho da produção, Círculo de Fogo justifica em todos seus detalhes toda sua grandeza. Em tempos onde filmes desse tamanho começam a causar desconfiança entre o público (vide o fracasso de Cavaleiro Solitário, por exemplo) que procura por novidades, del Toro nos apresenta um filmaço de ação e ficção que une de ambos gêneros o útil e o agradável de cada um resultando não somente na homenagem descrita pelo diretor mas também num filme de personalidade e que é tudo o que se espera de uma produção como essa.

O resumo que abre o filme é uma demonstração de como o roteiro consegue fluir dentro da história. É apresentada toda a situação da fenda no conhecido círculo de fogo do Pacífico (uma área de 40.000 km caracterizada por forte atividade vulcânica e movimentação de placas tectônicas, talvez daí venha o título traduzido) que abre um portal que faz que com criaturas monstruosas emerjam e destruam as cidades no entorno da fenda. A humanidade, então, une esforços para criar robôs gigantes capazes de combater as terríveis criaturas chamadas de kaiju, que traduzido do japonês quer dizer “besta estranha” – nada mais que a forma que eram conhecidos os monstros dos filmes B japoneses. É o início do projeto jaeger (caçador, traduzido do alemão), que com a tecnologia consegue fazer humanos controlar os robôs e dessa maneira representar uma esperança à humanidade.

Del Toro tem uma qualidade que poucos possuem em Hollywood: ele é um exímio contador de histórias. É tanto que quando está com o controle criativo da produção não deixa faltar nada. Do roteiro à produção o esforçado diretor consegue enriquecer cada segundo de seu filme deixando um tom interessante de “já sabia” mesmo sem saber de nada. Os resumos muito bem inseridos em pontos chave da trama – e do próprio roteiro – chegam até a convencer, deixando as saídas previsíveis como sendo realmente as melhores. O único problema do texto foi resolver a questão dos monstros, dando uma leve forçada mas que não compromete. O foco de del Toro é outro, sua especialidade é nos tornar crianças assistindo a um filme, seu talento é conduzir a fantasia.

Contando com atores carismáticos em atuações deliciosamente canastras, del Toro usa e abusa de sua criatividade que parece não ter limites e praticamente nos coloca dentro de toda a ação – efeito realçado pelo 3D que está maravilhoso. Se o roteiro opta com sucesso em seguir uma linha simples e sem muitas firulas, na composição visual de seu filme o diretor dá uma aula de como fazer um entretenimento de qualidade. Toda a ação bem encenada (com cenas de luta bem visíveis, diferente de Transformers), contando com efeitos especiais espetaculares e sem deixar tudo isso esfriar contando com um roteiro bem redondo e carismático (que deixa espaço para desenvolver o necessário de cada personagem sem deixar perder o interesse pela trama), del Toro não deixa a desejar com seu filme. É até mais do que se espera, talvez.

O filme é tão bom que possui qualidades que o gabaritam como melhor blockbuster do ano até aqui. E não é exagero, tampouco calor do momento. É fato. Um filmaço que tem a característica de ser nada menos que aquilo que queremos ver num filme desses.

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