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Fuga de Alcatraz (Don Siegel, 1979)

ou Alcatraz – Fuga Impossível.

Por Rafael Lopes

Se você quebra as regras da sociedade, vai parar num presídio. Se você quebra as regras do presídio, vai parar em Alcatraz.”

Na ilha de Alcatraz, localizada na Baía de San Francisco, Califórnia, depois de anos como base militar (1850 – 1930), tornou-se um presídio Federal. Sua fama era a de ser um lugar  impossível de fugir, e quem tentasse, estaria cercado por homens de pouco papo e armados até os dentes, esquema de segurança complicado de se burlar e 1,5 km de água até a costa – que mais parecia 10 levando em consideração a correnteza e a água gelada e mortal. O único lugar que segurou gente da laia de Al Capone ou Robert Franklin Stroud (famoso por ter chegado à Alcatraz e se dedicado a estudar sobre as aves, também virou filme e foi interpretado por Burt Lancaster) e Frank Lee Morris, que cansou de lá e decidiu fugir.

Mas espere um pouco, é uma prisão cuja palavra fuga não entra no vocabulário de ninguém. Entendamos duas coisas: primeiramente Frank era conhecido por empreender fugas espetaculares onde quer que estivesse; em segundo lugar, ele era inteligente, um super dotado, não há força física que seja capaz de impedir a força do cérebro. Alcatraz seria mais uma em seu histórico de fugas. Alcatraz seria seu passaporte para se tornar um mito. Primeiro analisou muito bem as falhas; depois considerou as possibilidades; por ultimo, sem precisar de nada espetacular e nem violento, foi em busca de sua liberdade em 5 passos:

1. Parede apodrecida:

Os presos cavaram a parede das celas por sete meses com colheres. Para esconder o buraco, fizeram grades falsas com papel. Na fuga, foi só tirar a grade e passar pelo buraco.

2. Tubo de ventilação:

Os buracos nas celas davam acesso aos dutos de ventilação, que levavam ao teto. A barra de proteção havia sido cortada com uma furadeira feita com um ventilador roubado da sala de música.

3. Pela chaminé:

O trio chegou ao telhado da prisão sem nenhum susto. Nenhum dos vigilantes armados com fuzis que estavam nas seis torres os viu, as luzes não os focalizaram e eles conseguiram descer de lá pela tubulação de água externa.

4. Pulando a cerca:

Eles pularam uma cerca de arame farpado e foram para o mar, com os botes e coletes feitos com capas de chuva. Para despistar os guardas, deixaram cabeças feitas com páginas de revista e com cabelo de verdade em suas camas.

5. Fora de vista:

Soprando, os três encheram os botes e entraram nas geladas águas da baía batendo perna. A falta dos presos só foi sentida às 5h da manhã, durante a contagem do dia seguinte.

O quinto e infelizmente ultimo filme de uma das melhores e mais memoráveis parcerias do cinema, Don Siegel e Clint Eastwood, é um primor só. Da construção das personagens ao suspense claustrofóbico e incomodo, o filme funciona perfeitamente, seja como crítica ao sistema prisional, deixando claro seus erros e abusos, seja como entretenimento, num dos melhores trabalhos de tensão do diretor.

Muito interessante observar a montagem primeiramente da atmosfera, que a principio pode predominar a monotonia – afinal de contas, estamos falando de uma prisão, onde não se tem muito do que fazer – mas é onde aos poucos começa a crescer a tensão que tão bem pontua durante todo o filme. É como se junto de Frank (interpretado com perfeição por Eastwood) fosse crescendo no espectador a vontade de fugir de lá, mas junto disso aquela adrenalina que vai surgindo quando estamos prestes a romper com qualquer limite. A cereja do bolo desse filme é exatamente esse acerto crucial e importante para a condução da trama.

Tanto que sem precisar focar no passado do protagonista – porém dando pitacos de sua personalidade como o QI avançado – o filme se mantém interessante a todo instante. Não poderia faltar, claro, os homens que são afetados pela clausura, como o velho Doc, que amputa os dedos que lhe conferem o talento de pintor; os homens que aprenderam a lidar com aquilo tudo, como o veterano English, um dos grandes personagens do filme; e até mesmo o diretor odioso que comanda a prisão e acaba tendo um presente em forma de flor ao final do filme – só assistindo para entender a força e a ironia da cena. Enfim, um filme que bem como seu protagonista, consegue com elementos simples montar com inteligência e sagacidade uma história gloriosa e até hoje impressionante: a busca pela liberdade escapando de um lugar que nem em sonho lhe oferecia isso.

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