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O Homem Que Ri (Jean-Pierre Améris, 2012)

A França da Idade Média era um local encantador –diversos contos de fadas venerados até hoje fazem esse período francês ser lembrado com carinho. Entretanto, a França da Idade Média também foi um local de muitos abusos, revoltas e pobreza extrema.

“O Homem Que Ri” é Gwynplaine, um homem que possui uma cicatriz que acompanha seus lábios em forma de um sorriso, que lhe foi feita quando criança. Quando garoto, foi abandonado por um mentor e durante uma nevasca, andando sem rumo, encontra Dea, uma garotinha cega. Com Dea nos braços, Gwynplaine tenta arrumar um local para se abrigar e chega à carroça de Ursus (Gerard Depardieu) que adota ambas as crianças. Quando crescem, resolvem fazer um espetáculo em que o sorriso de Gwynplaine chama atenção por onde passa, inclusive de uma duquesa que dá à sua vida um rumo completamente diferente.

O filme dirigido por Jean-Pierre Améris é uma adaptação de uma obra literária do célebre escritor Victor Hugo. A tarefa de adaptar um livro para um filme é um desafio imenso por si só, ainda mais quando se trata da adaptação de um grande clássico. Gwynplaine pode ser engraçado para todos os figurantes e personagens do filme, mas é extremamente triste aos olhos do espectador.

Victor Hugo tinha essa preocupação com passar a sensibilidade e voltar nossos olhos aos invisíveis da sociedade, algo que Jean-Pierre soube retratar de forma bastante poética e foi auxiliado com uma ótima atuação de Marc-Andre Grodin.

Enquanto Gwynplaine se deleita com a fama, Ursus tenta sempre colocar os seus pés no chão com falas realistas que por vezes soam até como pessimistas. Este é o personagem que faz o contraponto com o resto do encantamento cego de Gwynplaine. Gerard Depardieu parece estar ainda bem em forma para atuar em papéis elaborados, pois se encaixa perfeitamente neste personagem turrão.

A maneira como a corte é retratada em um momento crucial do filme é encantadora por ser muito amedrontadora. Close-ups de maquiagens caricatas, pessoas feias e uma panorâmica infinita deixam o espectador com a possível sensação do personagem.

No geral, o filme propõe duas abordagens: às vezes tenta agonizar o espectador com a pouca ciência de Gwynplaine para com o que realmente acontece e em outros momentos tenta levar o espectador a se sentir como ele se sente –perdido, solitário, triste.

Há também um quê de outra clássica história romântica –a qual não será citada para evitar eventuais spoilers – que deixa a tônica da narrativa ainda mais dramática. A ambientação na França Média de Victor Hugo se dá por uma construção de cenários bem feita – é notável que foi feita uma pesquisa bem elaborada.

A nova geração de cinema autoral francês tem como característica a exploração de diversos gêneros com outra abordgrm. Este épico é uma ótima releitura sobre uma bela história de preconceito, amor e ganância.

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