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Pelo em Ovo – Donnie Darko

Pelo em Ovo – Donnie Darko
A seção Pelo em Ovo é basicamente uma crítica baseada em teorias ilógicas ou improváveis. O primeiro filme a ser analisado é Donnie Darko (Richard Kelly – 2001).

(TEXTO COM SPOILERS)

Todos já conhecem o filme Donnie Darko. Então não farei menções às viagens no tempo e todas as outras artimanhas temporais conectivas colocadas no filme. Essa teoria é uma versão mais viajada que o filme.
Ok. Vamos ao filme.
Donnie aparece, em sua primeira cena, caído em um campo de golfe porque o cara é um sonâmbulo. E descobre que é um cara de sorte, pois se estivesse em seu quarto, teria morrido por uma parte de avião caída do nada. A partir daí, Donnie passa a ver um coelho que alega saber o fim do mundo e o ordena fazer coisas contra a sua vontade.
Mas e se o coelho representar a vontade subconscientemente escondida em sua mente?Antes de passar para a próxima parte, se faz necessária a apresentação dos conceitos de Id, Ego e Superego, de Sigmund Freud:
  • ID: Constitui o reservatório de energia psíquica, é onde se localizam as pulsões de vida e de morte. As características atribuídas ao sistema inconsciente. É regido pelo princípio do prazer (psique que visa apenas o prazer do indivíduo).
  • EGO: É o sistema que estabelece o equilíbrio entre as exigências do Id, as exigências da realidade e as ordens do Superego. A verdadeira personalidade, que decide, se acata as decisões do Id ou do Superego.
  • SUPEREGO: Origina-se com o complexo do Édipo, a partir da internalização das proibições, dos limites e da autoridade. É algo além do ego que fica sempre te censurando e dizendo: “isso não está certo, não faça aquilo, não faça isso”, ou seja, aquela que dói quando prejudicamos alguém, é o nosso “freio”.

Freud imaginava uma constante luta dentro da personalidade quando o ego é pressionado pelas forças contrárias insistentes. O ego deve tentar retardar os ímpetos agressivos e sexuais do Id, perceber e manipular a realidade para aliviar a tensão resultante, e lidar com a busca do Superego pela perfeição.

Criando uma analogia com Freud e o estudo psicanalítico apresentado, podemos colocar que o coelho seria o Id de Donnie, o qual faz as coisas sem pensar, por ímpeto, por prazer.
Aí vocês se perguntam onde está, então, o Superego de Donnie. Fazendo a mesma leitura, aquilo que o supria de suas vontades é o Dr. Medo ou Amor, com teorias e suposições sobre a vida e regrando as vidas dos alunos.
E percebemos o ego no Donnie em sua personalidade controladora e confusa, questionando sobre o que é certo, e não aceitando as políticas do superego.
A partir do momento em que o coelho começa a aparecer para Donnie, o garoto começa a desrespeitar a família e a enfrentar o Dr. e os outros. Porém, também conhece a garota de seus sonhos, depositando assim, créditos para o Id.
A cena do cinema em que o coelho diz “por que você está usando essa fantasia de homem?” é o Id tentando dominar o Superego. Em sequência, Donnie desmascara o Dr. (a mando do coelho), logo, temos o Id passando por cima do Superego, provando que a partir daquele momento, poderia levar uma vida sem pensar, apenas pelos seus ímpetos.
Qual, então, o porquê da procura constante de Donnie sobre o assunto viagem no tempo? É a percepção de que se está perdendo o rumo da vida, pois logo o Id o faria fazer coisas mais improváveis, agora que o Superego estava morto. Donnie queria voltar no tempo para não ter escutado o coelho (Id).

E qual a função de alguns elementos do filme?
1- A vovó morte – é uma das peças sobre a pesquisa da viagem no tempo de Donnie. A frase “cada pessoa nasce e morre sozinha” que ela diz para Donnie é traduzida como: a pessoa nasce sem Superego ou Id e também morre sem nenhum deles.
2- O rastro em sua barriga – é, de outra maneira, a representação do seu Id. Ele o faz encontrar e pegar arma de seu pai.

Em uma das cenas finais temos uma perseguição ao coelho, que acaba por atropelar sua namorada. Ou seja, o seu Id matou sua namorada e, então, com a mente conflituosa (pois já havia eliminado o Superego) ele acaba com o Id.
Todos somos regidos por essas três forças, segundo Freud. Então, como viver somente Ego? Aí que Donnie entra em colapso mental e aparece em uma das últimas cenas sentado a espera do fim do mundo (a morte de duas forças que o regiam).
O que é então a última cena? Ele volta no tempo para salvar sua namorada e família?
Não, Donnie volta ao passado apenas em sua mente, imaginando como seria sua vida se não tivesse acordado em um campo de golfe no dia em que caiu uma peça de avião em seu quarto. Sua vida termina ali, na cena do tornado.
E o som de Gary Jules, com a frase “the dreams in which I am dying are the best I’ve ever had”, dá a entender que viver sem o Superego é algo maravilhoso, pois você estaria vivendo sem consciência ou regras, mas não por muito tempo, sua mente entra em colapso. O equilíbrio é necessário.

Enfim, é quase certo que minha leitura esteja errada. Mas essa é a função. Aprofundar em teorias ilógicas, mas com um pouco de sentido (ou não).

Written by Felipe Yuzo

Aquela dose de alma na penumbra diária.

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