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Pelo em Ovo – Teorema

A seção Pelo em Ovo é basicamente uma crítica baseada em teorias ilógicas/improváveis.
O segundo filme a ser analisado é Teorema (Pier Paolo Pasolini – 1968).
(TEXTO COM SPOILERS)

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São Francisco de Assis

O cinema de Pasolini possui uma faceta totalmente crítica. Considerado um dos diretores mais críticos do cinema, Pasolini coloca em suas obras tanto referências políticas como religiosas.

Teorema começa com a chegada de um hóspede a casa de uma família burguesa, que com a presença do convidado passa a se auto-conhecer. O hóspede começa a conquistar e a seduzir um a um os familiares.
A crítica mais clara presente no filme é essa desconstrução da família burguesa “feliz” e cheia de rótulos na sociedade, após a o convidado partir. Uma crítica severa ao capitalismo, que ganhava terreno em todo o mundo. Quem viu o filme pode facilmente fazer essa leitura.
Mas neste momento podemos esquecer essa versão.

Vamos colocar o filme em um cenário religioso.
E se a chegada do personagem representado por Terence Stamp (não havia nome) for  associada a nada mais nada menos do que Jesus Cristo?
Sim, ele chega a uma família para lhe mostrar o caminho da verdade (assim como na Bíblia) e assim que parte cada um reage de uma maneira.

Algumas pesquisas bíblicas foram realizadas para poder listar as reações de cada membro da família:
-Empregada – ela volta a cidade dela e começa a curar os outros, evitando de ingerir alguns alimentos e se recusando a interagir socialmente como antes. Todos notaram a diferença nela.
Podemos dizer que ela pode ser um profeta que levou a palavra para outras terras. Por analogia bíblica, podemos colocar-la como São Bartolomeu, por exemplo, que pregou o cristianismo após receber palavras de Jesus. São Bartolomeu é considerado um mártir da igreja católica e a empregada (pelo que parece) também pode ser considerada uma mártir pela sua cena final.
-Filho – o filho começa a se dedicar as artes, mais especificamente a pintura, e ao que me parece, tenta deixar um legado para outras pessoas. Percebemos isso na frase “Ninguém deve saber que o autor não presta, que é um ser anormal, inferior … Tudo deve se apresentar perfeitamente baseado em regras desconhecidas, vidro sobre vidro, pois não sou capaz de corrigir nada e ninguém deve perceber”.
Por analogia, podemos elegê-lo um dos escritores da Bíblia, que a escreveram como sendo seres inferiores, mas que ninguém deveria perceber.
-Mãe – passou a se envolver com outros jovens para satisfazer a sua sexualidade. Vamos supor que o sexo, no filme, é o ato de pregar, de deixar palavras de paz (analogia esdrúxula, mas…). O salvador fez isso durante toda sua estadia na casa.
Bem, então a mulher saiu pregando a palavra aos jovens como alguns de seus apóstolos, que pregaram as suas palavras após sua morte.
-Filha – enlouqueceu e saiu da casa (mesmo que tenha sido contra a vontade para algum hospital ou hospício). O ato de ir embora, assim como o personagem de Stamp, pode ser considerado como a morte. Ou seja, ela foi embora junto com o salvador.
Pela mesma analogia, podemos chamá-la de Dimas, o bom ladrão, que foi crucificado ao lado de Jesus, porém o defendeu e o apoiou.
-Pai – o que abdicou dos bens materiais e o qual aparece em uma das cenas mais marcantes do filme, gritando nu, como se tivesse renascido sem nenhum bem ou nada que possui valor.
Ele seria, no caso, São Francisco de Assis, que abdicou dos bens materiais para viver na pobreza.
Outro fato que pode corroborar com a crítica ao catolicismo é a introdução e a despedida do salvador com a presença de um carteiro bem humorado, meio que angelical, talvez um anjo.

Pasolini era um grande diretor e dono de obras extremamente críticas. Talvez quisesse mostrar como uma sociedade (a família, no caso) pode reagir com a chegada de um suposto salvador. O que serviria como uma crítica ao catolicismo e todas suas vertentes deixadas.

Mas talvez Pasolini quisesse mesmo fazer apenas uma crítica ao capitalismo e a família burguesa.
Este é apenas o meu teorema. Certo ou nada certo.

Written by Felipe Yuzo

Aquela dose de alma na penumbra diária.

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