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10 filmes brasileiros premiados no exterior

10 filmes brasileiros premiados no exterior

O nosso cinema é riquíssimo. Ao contrário do que muitos pensam, ele vai muito além das comédias lançadas pela Globo Filmes que cobrem boa parte da bilheteria arrecadada anualmente. A verdade é que o bom cinema nacional fica restrito à salas alternativas e não chega ao grande público. Muitas vezes, o próprio povo brasileiro não tem acesso à seus grandes filmes, e as obras, acabam ganhando repercussão internacional e fazendo mais sucesso lá fora. O atual cinema pernambucano é uma prova disso. Grandes filmes estão sendo feitos por lá nos últimos anos, filmes de qualidade com forte teor político e social, alguns inclusive ganhando repercussão internacional como é o caso de O Som ao Redor, mas que aqui em seu país de origem, fez uma bilheteria na casa dos 60 mil espectadores.

Mas não é de hoje que o nosso cinema é bem visto aos olhos de grandes festivais e premiações. Nós já tivemos diversos trabalhos, ao longo da nossa história, que foram aclamados e premiados internacionalmente. E na lista a seguir, você confere alguns desses filmes.

CIDADE DE DEUS (2003), direção: Fernando Meirelles

Foi indicado à 4 Oscars (Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia), além de uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e outras duas indicações ao BAFTA, o Oscar britânico. Ao todo, venceu mais de 50 prêmios em todo o mundo, e é o 21º filme mais bem avaliado do IMDb, na frente de clássicos como Casablanca e Tempos Modernos. Foi considerado pelo aclamado jornal britânico The Guardian, o 6º melhor filme de ação da história, dividindo a lista com “Apocalypse Now” de Francis Ford Coppola e “Intriga Internacional” de Alfred Hitchcock. Em 2009, pela revista britânica Empire, ficou em 7º lugar na lista dos 100 melhores filmes do cinema mundial.

PIXOTE: A LEI DO MAIS FRACO (1981), direção: Héctor Babenco

Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, o filme venceu outras diversas premiações estrangeiras. Um marco para o nosso cinema, a história do jovem infrator sem perspectivas, que tenta sobreviver numa sociedade cruel e hostil, chamou a atenção da crítica internacional no início dos anos 80. Roger Ebert (falecido ano passado), considerado um dos maiores críticos de cinema da história, considerou na época o longa um clássico instantâneo e deu nota máxima. No Rotten Tomatoes, Pixote possui uma aceitação da crítica de 100% e de público, 94%.

O PAGADOR DE PROMESSAS (1962), direção: Anselmo Duarte

O único filme brasileiro até então vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, O Pagador de Promessas é um clássico do nosso cinema, que ainda se mantêm muito atual ao fazer críticas políticas e religiosas. Além disso, foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, porém perdeu para o francês “Sempre aos Domingos”.

CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS (2005), direção: Marcelo Gomes

O longa de estreia do pernambucano Marcelo Gomes foi muito bem recebido pela crítica internacional. De cara, fez sucesso no Festival de Cannes em 2005 e faturou o Prêmio do Sistema Educacional Francês. Para se ter uma ideia, no ano seguinte, o vencedor dessa categoria foi “Maria Antonieta” de Sofia Coppola. Tem uma avaliação muito positiva no Rotten Tomatoes de 86% e no Metacritic nota 8.5 de 10.

O QUATRILHO (1995), direção: Fábio Barreto

O Brasil passou por um período difícil no cinema, que perdurou por décadas, principalmente pela falta de incentivo do governo. Mas no início dos anos noventa, por volta de 1994, houve a chamada “retomada” do cinema nacional, e um dos “filmes-símbolo” desse movimento, foi O Quatrilho, indicado ao Oscar em 1996, mais de 30 anos depois do primeiro filme a conseguir tal feito (O Pagador de Promessas). O Quatrilho não venceu, mas abriu precedentes. Além disso, no Festival de Havana venceu nas categorias de Melhor Atriz (Glória Pires), Melhor Direção de Arte e Melhor Música.

CENTRAL DO BRASIL (1998), direção: Walter Salles

Um dos maiores sucessos do nosso cinema, Central foi indicado à dois Oscars (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz), perdeu para o italiano A Vida é Bela e Fernanda Montenegro para a atriz Gwyneth Paltrow. Mas o filme fez bonito em diversas outras importantes premiações, como o Globo de Ouro e o BAFTA, onde venceu como Melhor Filme Estrangeiro. No Festival de Berlim, venceu o Urso de Ouro de melhor filme e o Urso de Prata de melhor atriz, além de abocanhar o Prêmio Especial do Júri. No César Awards, a mais importante premiação do cinema francês, também ganhou uma indicação de Melhor Filme Estrangeiro. Ao todo, foram mais de 30 prêmios internacionais para um retrato simples e honesto do povo brasileiro, que acabou quebrando barreiras idiomáticas e emocionando o mundo inteiro.

EU SEI QUE VOU TE AMAR (1986), direção: Arnaldo Jabor

Fernanda Montenegro não deu sorte no Oscar de 1999, e perdeu o prêmio de melhor atriz. Mas o que poucos sabem que é sua filha, a também grande atriz Fernanda Torres, foi eleita a melhor atriz do Festival de Cannes em 1986. Ela tinha apenas 20 anos na época, e já despontava com um prêmio desse porte. Além disso, o longa foi indicado à Palma de Ouro. Algo parecido só viria a acontecer mais de 20 anos depois, em 2008, quando a atriz Sandra Corveloni venceu o prêmio de melhor atriz por sua atuação no filme Linha de Passe de Walter Salles.

CABRA MARCADO PARA MORRER (1985), direção: Eduardo Coutinho

O aclamado cineasta brasileiro, falecido recentemente, realizou ao longo de mais de quatro décadas de carreira diversos documentários aclamados. Talvez seu maior destaque seja Cabra Marcado Para Morrer, que se trata de uma narrativa semidocumental da vida de um líder camponês da Paraíba, assassinado em 1962. Em razão do golpe militar, as filmagens foram interrompidas em 1964. A equipe foi cercado por forças policiais e parte dela, presa sob a alegação de “comunismo”. O trabalho foi retomado 20 anos depois com a mesma equipe e rendeu à Coutinho dois prêmios no Festival de Berlim.

TROPA DE ELITE (2007), direção: José Padilha

O polêmico filme que sofreu com a pirataria antes mesmo do lançamento na época, dividiu opinião no Festival de Berlim, mas garantiu o Urso de Ouro, o prêmio mais importante.

O QUE É ISSO COMPANHEIRO? (1997), direção: Bruno Barreto

Baseado em fatos reais, o filme que conta com o vencedor do Oscar Alan Parkin (Pequena Miss Sunshine) no elenco, foi indicado na categoria Melhor Filme Estrangeiro do Oscar em 1998. Além disso, venceu o prêmio de melhor filme pelo público no American Film Institute e foi indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim.

BÔNUS: Glauber Rocha, diretor.

Glauber Rocha é um dos diretores mais importantes na história do nosso cinema. Fez parte do movimento chamado de “Cinema Novo”, no início dos anos 60, uma espécie de Nouvelle Vague brazuca. Seus filmes mais aclamados são Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. Por “Deus e o Diabo”, foi indicado à Palma de Ouro em Cannes. Já Por Terra em Transe, além de ser indicado à Palma, venceu o FIPRESCI, prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema. Já com “Dragão da Maldade”, além de indicado à Palma de Ouro em Cannes, venceu na categoria Melhor Diretor . Seus filmes servem até hoje como inspiração e referência para cineastas brasileiros e estrangeiros, como Martin Scorsese, que já se declarou fã de Glauber, como você pode conferir nos vídeos a seguir:


Ter ninguém menos do que Martin Scorsese como fã, não é para qualquer um. Isso é o nosso cinema, os nossos profissionais sendo elogiados, queridos e valorizados internacionalmente. Devemos dar valor ao que é nosso, e não subestimar o nosso cinema que já nos rendeu grandes obras e ainda possui muito a oferecer.

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  1. Muito boa a matéria, vou usá-la para falar um pouco sobre nossa produção cinematográfica no Dia do Cinema Nacional, 25/06. Um abraço!

  2. Esqueceram um dos maiores filmes escrito por Lima Barreto Premiado no Festival Internacional de Cannes

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