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Entrevista com Fernando Coimbra, diretor de ‘O Lobo Atrás da Porta’

Entrevista com Fernando Coimbra, diretor de ‘O Lobo Atrás da Porta’

Formado em Cinema pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Fernando Coimbra tem no seu currículo mais de 9 curtas-metragens, além de experiência nos palcos como ator. Mas é com seu primeiro longa, ‘O Lobo Atrás da Porta’ que ele chama a atenção para o seu trabalho que já coleciona prêmios no Festival do Rio, San Sebastián, Miami e Havana. Um thriller policial que conta a história do desaparecimento de uma criança que acaba desenrolando um novelo de mentiras, crimes e traição.  Mais do que um diretor, Fernando é um apaixonado por cinema e isso pode ser percebido na força de seu trabalho.

CINETOSCÓPIO – O Lobo Atrás da Porta é baseado em fatos reais. O que mais te chamou a atenção nessa história ao ponto de transportá-la para o cinema?

FERNANDO: O que me chamou atenção na história real foram os fatos, a força da história e dos personagens. A imprensa tratou a história de uma forma sensacionalista e isso me instigou a investigar o que havia de humano, de próximo de cada um de nós, nas atitudes daquelas pessoas.

CINETOSCÓPIO – Você vem pensando nesse filme há mais de 15 anos. Tem ideia de quantas versões seu roteiro teve?

FERNANDO: Basicamente foram duas versões, cada uma com vários tratamentos diferentes. Na primeira versão, era outro enfoque. Depois, reescrevi do zero a versão que é mais próxima da que filmei. Mas em cada uma, foram vários tratamentos, que já perdi a conta.

CINETOSCÓPIO – O que foi mais difícil nesse processo de realização do seu primeiro longa-metragem? Conseguir incentivo do governo, chamar um elenco conhecido do grande público, colocar na prática aquilo que você tinha planejado todo esse tempo…

FERNANDO: Conseguimos incentivo no primeiro edital que entramos. O elenco se apaixonou pelo roteiro. O fato de eu ter feito 9 curtas antes desse longa e o enorme tempo que passei mergulhado nesse projeto só facilitaram pôr em prática a realização desse filme. É claro que tive momentos bem difíceis na pré-produção, na filmagem e na finalização, mas acho que o momento mais difícil é agora, lançar o filme nos cinemas. Conseguir divulga-lo e levar as pessoas às salas de exibição, em meio a tantos blockbusters em cartaz ao mesmo tempo.

CINETOSCÓPIO – E qual é a maior dificuldade que um diretor iniciante enfrenta ao fazer cinema no Brasil?

FERNANDO: Fazer cinema no Brasil hoje está muito mais fácil e possível do que 20 anos atrás, quando eu entrei na faculdade de cinema. Mas ainda são muitas as dificuldades. Ao mesmo tempo em que cresceram as possibilidades de se financiar um filme, o volume de produção aumentou muito. Então, encontrar espaço para seu filme nos festivais e no circuito comercial ficou mais difícil.

CINETOSCÓPIO – A Leandra Leal está muito bem no filme. Ela foi sua primeira escolha para o papel da Rosa?

FERNANDO: Quando eu escrevi o roteiro não tinha nenhum ator em mente. Depois, fiz um grande exercício de visualizar diferentes atrizes e atores nos papéis. Percebi que só tinha uma atriz capaz de fazer a Rosa com todas as qualidades necessárias. Essa atriz era a Leandra.

CINETOSCÓPIO – O Lobo Atrás da Porta é um filme de gênero, ele mescla drama e suspense que é uma vertente pouco utilizada no cinema brasileiro, se comparado com as comédias. Você pretende seguir esse estilo ou tem vontade de mergulhar em outros gêneros como a comédia ou terror?

FERNANDO: Eu gosto muito de cinema, então, tenho vontade de experimentar e trabalhar diferentes gêneros. Mas ‘O Lobo Atrás da Porta’ me deu o gostinho de trabalhar o thriller, que é um gênero onde se pode manipular muito a linguagem cinematográfica. Meu próximo filme vai na mesma direção. Quero explorar mais as possibilidades do thriller.

CINETOSCÓPIO – Você gosta bastante de Glauber Rocha. Ele foi uma grande inspiração na sua formação como diretor?

FERNANDO: Glauber é uma referência forte pra mim. Assistir ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’ no cinema é uma das experiências cinematográficas mais fortes que já vivi. ‘Terra em Transe’ é um filme que a cada vez que revejo só fica mais incrível e sempre tem novas camadas de significados a serem descobertas. Pra mim, ele é um dos maiores autores da história do cinema mundial. Além dele, tem alguns outros diretores dos quais revejo seus filmes todos os anos, diretores de cabeceira como: Sergio Leone, Scorsese, Kubrick, Hitchcock, os irmãos Coen, Woody Allen e Sidney Lumet. E também tenho muitas influências de Paul Thomas Anderson, Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi, Fassbinder, Douglas Sirk e Maurice Pialat.

CINETOSCÓPIO – Você citou que já pensa no seu próximo trabalho, pode adiantar alguma coisa pra gente?

FERNANDO: Sim, estou começando a escrever o roteiro. Chama-se ‘Os Enforcados’. Vai ser produzido pela Gullane também (mesma produtora de ‘O Lobo’). É um thriller de humor negro que se passa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

 

O LOBO ATRÁS DA PORTA, direção: Fernando Coimbra. Brasil, 2014, 101 minutos. Classificação: 16 anos.

Leia a crítica do filme clicando aqui.  Acesse a página do filme no Facebook e confira o cinema mais próximo em cartaz.

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  1. Algo que gostei muito nesse filme foi a direção de fotografia do Lula Carvalho. Vale muito a pena assistir!

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