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Casablanca (Michael Curtiz, 1942)

Casablanca (Michael Curtiz, 1942)

We’ll Always Have “Casablanca”

Por Rafael Lopes

Para a Warner talvez tenha sido o melhor golpe de marketing de sua história; para o mundo, principalmente para o cinema, uma de suas obras mais singulares. O filme que seria lançado apenas em 1943 aproveitou o fato de os aliados desembarcarem na costa africana e libertarem aquele lugar no Marrocos, Casablanca, para ser lançado. Esse lugar era área de fuga de pessoas que escapavam de várias partes da Europa para irem até a América. De Casablanca, pegariam um voo até Lisboa de onde partia o navio para a terra das oportunidades. Com a ocupação e libertação de Casablanca das mãos do inimigo, é a hora perfeita da Warner lançar seu filme que tem como pano de fundo esse lugar. Não deu outra, o filme se tornou um sucesso, grande vencedor do OSCAR de 1943, e claro, um dos filmes mais importantes do cinema.

Mas ligações históricas a parte, o filme trata de um amor que precisa escolher entre a emoção e a razão. É perceptível como o diretor Michael Curtiz, premiado com o OSCAR de Melhor Diretor, teve essa preocupação ao longo do filme, de fazer transparecer essa visão realista de um romance. Por isso, cada diálogo, cada personagem, cada situação, e até mesmo o desfecho do filme, primam pela divisão bem acertada do que move uma paixão: emoção e razão. Emoção no fato de permanecerem juntos não importa o que aconteça; razão por saberem que qualquer coisa, até mesmo o mundo, pode separá-los.

De um lado, Ricky Blaine (Humphrey Bogart), dono de um bar em Casablanca, que funciona como um ponto onde as pessoas podem combinar suas partidas para Lisboa por meio de negociações com falsificadores de passaportes. Até o chefe de polícia entra no jogo, onde recebe propina para acobertar e até mesmo facilitar. Mas aquilo pouco importa para Ricky. Homem que aprendeu a se calar quando necessário e só falar quando preciso, esperto, sistemático, não confia em ninguém e não se relaciona com as irregularidades de seu bar, mas deixa acontecer, pois não tem o que perder. Mas desde suas expressões, até seu modo cansado revelam alguma decepção no passado.

E quer melhor decepção para derrubar o mais forte dos homens que não seja o amor? E no caso dele, um amor mal correspondido. Nasceu na França, quando conheceu Ilsa (Ingrid Bergman) e acabou morrendo quando teve que deixar a França, pois ele queria que ela fosse junto, mas ela acabou ficando, tornando Ricky um homem amargo e angustiado. Só que como Casablanca é refúgio de todo tipo de fugitivo político, uma hora aparece Victor Laszlo (Paul Henred), um militante, marido de Ilsa. O encontro dos dois é inevitável, uma vez que o bar de Ricky oferece as negociatas para a fuga de Casablanca – e do regime nazista – e quando acontece, Ricky precisa escolher entre a felicidade de estar com o amor de sua vida, ou salvar as vidas ligadas ao militante que precisa sair dali, já que está na mira dos nazistas.

Entre nostalgias e revelações, Curtiz vai fundo nas emoções de cada personagem e faz reaparecer na tela o que liga aqueles dois, e a questão do amor entre razão e emoção. Seu nacionalismo por vezes inspirador (a cena onde Victor canta o hino Frances enquanto soldados nazistas cantam suas músicas exemplifica bem), seu romantismo devastador e envolvente, sua beleza estética, sua condução magistral, tudo nesse filme funciona de maneira impecável, um conto cuja guerra é o pano de fundo e o amor de duas pessoas separadas pelo destino o mote para cenas de amor e ódio em meio a um tensão freqüente. É um filme excelente em todos os aspectos, que precisa ser degustado em todos os sentidos. E pensar que poderia ser só mais um filme…

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