15 filmes influenciados pela filosofia de Nietzsche

nietzche

7 – Clube da Luta

Um explosivo sofredor de insônia (Edward Norton) e um carismático vendedor de sabonete (Brad Pitt) canalizam agressão primitiva masculina transformando-a em uma nova e chocante forma de terapia. Seu conceito pega, e formam-se diversos clubes da luta clandestinos em cada cidade, até que uma mulher sensual e excêntrica (Helena Bonham Carter) entra na jogada e desencadeia uma situação fora de controle rumo ao caos.

Se você tomar cuidado e perceber todos os detalhes deste filme, o final pode não ser uma grande surpresa.  O conceito filosófico claramente explorado através do filme é o Übermensch, o novo homem que corajosamente cria além de si mesmo, desdenhando a moralidade da sociedade, e confiando apenas em seu próprio ponto de vista moral. O confronto moral entre mestre-escravo pode ocorrer dentro de uma única pessoa e em uma única mente.


6 – Apocalypse Now

Capitão (Martin Sheen) tem a missão de encontrar e matar coronel (Marlon Brando), que aparentemente enlouqueceu e se refugiou nas selvas do Camboja, onde comanda um exército de fanáticos.

O homem é os dois lados de uma moeda. Um ex-Apollo que não gosta mais de ser um herói  e deseja se tornar um Dionísio, lutando para sentar no trono de Apollo. É tudo sobre a bela dicotomia intelectual entre Dionísio e Apolo, constantemente ganhando e perdendo terreno contra o outro. Qualquer um dos dois não tem sentido sem a presença do outro.

Este filme foi altamente influenciado pela obra de Werner Herzog Aguirre, a Cólera de Deus.


5 – Cidadão Kane

A ascensão de um mito da imprensa americana, de garoto pobre no interior a magnata de um império dos meios de comunicação. Inspirado na vida do milionário William Randolph Hearst.

Não há nenhuma verdade objetiva, Kane é guiado pela Vontade de Poder. Ele é como um Deus a partir da perspectiva dos outros, mas a partir de sua própria perspectiva ele não sabe mais quem ele. Os valores coletivos podem não ter nenhum significado importante em comparação com a própria vontade. Assim, vivendo em uma casa que a maioria das pessoas só podiam sonhar, Charles Foster Kane considera que Rosebud é a única coisa que ele deseja.


4 – Dogville

Anos 30, Dogville, um lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace (Nicole Kidman), uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida pela pequena cidade e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este “período de testes” Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.

O ponto do filme, como Lars alegou pessoalmente, é que “o mal pode surgir em qualquer lugar.” Em outras palavras, o ponto do filme é a filosofia básica de Nietzsche, Além do Bem e do Mal e Genealogia da Moral.

Mais uma vez vemos a moralidade mestre-escravo. Todo homem deve ser guiado por suas leis internas, mas quando senhores e escravos se invertem, haverá consequências dramáticas pesados ​​porque eles não estão respeitando as suas leis internas.

Grace aparece pela primeira vez no filme como mestre e os habitantes da cidade Dogville como “escravos”. Depois de mudar de posições, eles finalmente revelam o que eles realmente são.


3 – O Sacrifício

Alexander, um jornalista e ex-ator e filósofo, diz ao filho pequeno como ele está preocupado com a falta de espiritualidade da humanidade moderna. Na noite de seu aniversário, a terceira guerra mundial irrompe. Em seu desespero Alexander transforma-se em uma oração a Deus, oferecendo seu tudo para que a guerra não tenha realmente acontecido.

O detalhe mais confuso do filme é a estranha sequência de eventos quando Alexander reza a Deus e passa uma noite com a bruxa. O mundo foi salvo, mas a quem devemos atribuir este milagre? Otto menciona o anão de Nietzsche no início do filme. “Toda a verdade é torta”, diz o anão para Zaratustra, acrescentando que “o próprio tempo é um círculo.” A lenda de Kolov não é um detalhe acidental. Ele apresenta o eterno retorno.

Então Alexander está oferecendo um presente, o presente final para a humanidade através de seu sacrifício além-humano. Tarkovsky apresenta o eterno retorno como um antídoto ao niilismo.

Todo o filme permanece aberto a interpretações profundas. Tarkovsky contempla o homem que faz algo além de si mesmo. Em última análise, o resultado é o mesmo se a causa era Deus ou a bruxa.


2 – Napoleão

Pelas suas modernas técnicas narrativas e de filmagem, o filme de Abel Gance é considerado um dos mais memoráveis filmes mudos da história. Mostrando desde a infância de Napoleão até a invasão da Itália pelo exercito francês em 1797, a cinebiografia seria a primeira de uma série de seis filmes, que não chegaram a ser realizados.

Napoleão é provavelmente a figura mais típica que manifesta vontade de poder de Nietzsche. Neste filme maravilhoso, Napoleão é uma presença energética cuja própria aparência proclama “Eu mereço meu prestígio!”

Napoleão ao longo de sua vida alcança o poder que tanto desejou.


1 – O Cavalo de Turim

Turim, 3 de Janeiro de 1889. O filósofo Friedrich Nietzsche sai de casa. Ali perto um camponês luta com a teimosia do seu cavalo, que se recusa a obedecer. O homem perde a paciência e começa a chicotear o animal. Nietzsche aproxima-se e tenta impedir a brutalidade dos golpes com o seu próprio corpo. Naquele momento perde os sentidos e é levado para casa onde permanece em silêncio por dois dias. A partir daquele trágico evento Nietzsche nunca mais recuperará a razão, ficando aos cuidados da sua mãe e irmãs até ao dia da sua morte, a 25 de Agosto de 1900. Partindo deste evento, o filme tenta recriar o percurso do camponês, da sua filha, do velho cavalo doente e a sua existência miserável.

Ao contrário de todos os outros filmes nesta lista, O Cavalo de Turim não é apenas influenciado pela filosofia de Nietzsche, mas retrata a causa desta tremenda filosofia: o peso da existência humana. Os tiros repetitivos são tiros da vida real. Um homem, sua filha, e seu cavalo lutando para sobreviver em um mundo que tem muito em comum com um mundo pós-apocalíptico.

O Eterno Retorno aqui não é algo estranho ou desumano. O niilismo vem de alguns personagens simples. Não existe nenhuma barreira entre o mundo dos personagens e do público. O que você vê no filme é o que você pode ver todos os dias.

O visitante dá à menina uma cópia da Anti-Bíblia. Expandindo o pensamento de Nietzsche que a culpa da decadência do homem não é culpa só de Deus, mas de Deus e do Homem.

Bela Tarr disse que o visitante que vem para o homem e sua filha foi “uma espécie de sombra de Nietzsche”. 

De Taste o Cinema

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8 Comments

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  1. Apesar de não concordar com a visão sexista e limitada que ele tinha, foi um dos poucos que soube resumir bem a existência e suas dúvidas. Autodestruição ou evolução? Acho que sempre foi seu maior dilema.

  2. Oque mais admiro na obra dele,é o fato das religiões como nocivas a evolução da espécie humana.É difícil esquecer a compaixão em lugar da pura lógica.

    • Eu li algo sim na Genealogia da Moral, mas acho difícil comprar a ideia. Eu penso que a religião é fundamental para a caminhada de nossa espécie nesse mundo. Como poderíamos aproximar as duas perspectivas?

  3. Apesar de bem intencionados – acredito -, cometeram alguns deslizes grosseiros acerca da filosofia do Nietzsche, principalmente por não terem a compriendido em seu ponto central: a razão a favor da vida e uma busca pela constante afirmação da existência. Clube da Luta nunca seria Nietzscheano, por exemplo, pois ele só preza por uma destruição niilista dos valores, sem tentativas de criar opções viáveis para a afirmação da vida.

    Desse erro de interpretação resultou uma certa confusão nos conceitos enumerados por vocês, como a vontade de poder, o superhomem e o eterno retorno, que ficaram retidos na rasa análise da filosofia de Nietszche como meramente niilista e individualista.

    Um bom exemplo de um filme baseado nas ideias de Nietzsche, que me vem a cabeça agora é o Beleza Americana: uma afirmação a todo custo da vida, a superação do ressentimento e o imoral não como algo desprovido ou contra valores, mas como uma criação de valores não imperativos e segundo a própria vontade.

    A vida é triste e sem sentido, sejamos felizes por isso!

    Abraços!

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