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Antropologia visual em 15 filmes

A antropologia visual procede logicamente da crença de que a cultura se manifesta através de símbolos visíveis embutidos em gestos, cerimônias, rituais e artefatos situados em ambientes construídos e naturais. Embora as origens da antropologia visual sejam encontradas historicamente em suposições positivistas de que uma realidade objetiva é observável.

Existe uma relação óbvia entre a suposição de que a cultura é objetivamente observável e a crença popular na neutralidade, transparência e objetividade das tecnologias audiovisuais. Do ponto de vista positivista, a realidade pode ser capturada no filme sem as limitações da consciência humana As imagens fornecem um testemunho irrefutável, com fontes de dados altamente confiáveis. Dado esses pressupostos, é lógico que assim que as tecnologias estivessem disponíveis, os antropólogos tentaram produzir inteligência,  pesquisas que poderiam ser armazenados nos arquivos e disponibilizadas para as gerações futuras.

O pensamento contemporâneo é mais provisório do que a teoria positivista sobre a natureza do conhecimento cultural e sobre o que o filme pode gravar. Em um mundo pós-pós e pós-moderno, a câmera é restringida pela cultura da pessoa atrás do aparelho; Isto é, filmes e fotografias estão sempre preocupados com duas coisas – a cultura daqueles filmados e a cultura daqueles que fazem filmes. Como resultado de ver representações de imagens de uma ideologia, sugeriu-se que os antropólogos usassem a tecnologia de forma reflexiva, alienando os telespectadores de quaisquer falsas suposições sobre a confiabilidade das imagens que vêem.

A antropologia visual nunca foi completamente incorporada à corrente principal da antropologia. É trivializado por alguns antropólogos que se preocupam principalmente com as ajudas audiovisuais para o ensino. O estabelecimento antropológico ainda não reconheceu a centralidade dos meios de comunicação de massa na formação da identidade cultural na segunda metade do século XX. Consequentemente, os antropólogos visuais às vezes se encontram envolvidos com a pesquisa e o pensamento de criadores de imagens profissionais e estudiosos de outras disciplinas – sociologia visual, estudos culturais, teoria do cinema, história fotográfica, estudos de dança e desempenho e teoria arquitetônica – e não como o trabalho de outros antropólogos culturais.


1. The Hunters (ROBERT GARDNER, JOHN MARSHALL, 1962)
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Este filme segue a caça de uma girafa por quatro membros do Ju / ‘hoansi (uma tribo Kung Bushmen) durante um período de 13 dias no deserto do Kalahari. O filme consiste em filmagens filmadas em 1952-53 em uma expedição Smithsonian-Harvard Peabody.


2. Primeiro Contato (BOB CONNOLLY, ROBIN ANDERSON, 1983)

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Quando Colombo e Cortez se aventuram pelo Novo Mundo não havia câmera para gravar o drama do primeiro encontro. Mas, em 1930, quando os irmãos Leahy penetram o interior da Nova Guiné em busca de ouro, eles carregavam uma filmadora. Assim, eles gravaram seu inesperado confronto com milhares de pessoas, que não tinham nenhuma idéia da vida humana além de seus vales. Cinquenta anos depois, alguns dos participantes ainda estão vivos e se lembram com clareza desta experiência única.


3. Nanook, o Esquimó (ROBERT J. FLAHERTY, 1922)

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O documentário mostra uma história de amor e sobrevivência de Nanook e sua família, acompanhando sua caça, pesca e as migrações.


4. Eu, Um Negro (JEAN ROUCH, 1958)

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Jovens nigerienses deixam sua terra natal para procurar trabalho na Costa do Marfim. Desenraizados em meio à civilização moderna, acabam chegando a Treichville, bairro operário de Abdijam. O herói, que conta sua própria história, se auto-denomina Edward G. Robinson, em honra ao ator americano. Da mesma forma, seus amigos escolhem pseudônimos destinados à lhes forjar, simbolicamente, uma personalidade ideal.


5. Os Mestres Loucos (JEAN ROUCH, 1995)

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Em 1954, o cineasta etnográfico Jean Rouch foi convidado por um pequeno grupo de haukas da cidade de Acra, na África Ocidental, para documentar seu ritual religioso anual.


6. O Homem de Aran (ROBERT J. FLAHERTY, 1934)

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O aclamado e premiadíssimo diretor Robert J. Flaherty (Nanook do Norte), usou a formidável e moderna edição na montagem deste filme, para retratar o dia-a-dia de uma família de pescadores da Ilha Aran, localizada na costa oeste de Irlanda e cercada por um mar enfurecido com violentas tempestades. Com uma pequena equipe, Flaherty passou dois anos filmando e editando este comovente drama deste grupo familiar, que de forma heróica busca a sobrevivência em condições desfavoráveis, impostas por uma natureza furiosa. As imagens são deslumbrantes, demonstrando influências diretas da Escola Soviética dos mestres, Sergei Eisenstein e Aleksandr Dovjenko.


7. Dead Birds (ROBERT GARDNER, 1965)

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O título do filme foi baseado numa lenda dos Dani, que Gardner reconta em voice-over. Os Dani, a quem Gardner se refere como “um povo das montanhas”, acreditam que houve certa vez uma grande disputa entre um pássaro e uma cobra, que serviria para determinar as vidas dos seres humanos. Eles deveriam trocar de pele e viver para sempre como cobras, ou morrer como pássaros? O pássaro ganhou, ditando que o ser humano deveria morrer.

O filme se desenvolve ao redor de dois personagens, Weyak e Pua. Weyak é um guerreiro que protege a fronteira entre a terra de sua tribo e a da tribo vizinha. Pua é um pequeno garoto a quem Gardner se refere como fraco e inapto.


8. Araya (MARGOT BENACERRAF, 1959)

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Araya” é uma velha mina natural de sal localizada no nordeste da Venezuela, a qual é explorada desde o descobrimento dos espanhóis. Margot Benacerraf captura a vida dos salineiros, pescadores e demais habitantes dos povoados da região, retratando seus métodos arcaicos de trabalho, antes do seu desaparecimento definitivo com a chegada da exploração industrial. A obra recebeu o Prêmio Internacional da Crítica, no Festival de Cannes de 1959 (compartilhada com Hiroshima, mon amour, de Alain Resnais).


9. On The Bowery (LIONEL ROGOSIN, 1957)

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Misto de documentário e ficção que acompanha a vida no Bowery, Nova Iorque, um local onde desempregados se embebedam, discutem nos bares e dormem nas calçadas. O filme foca-se na chegada de Ray a este local e os acontecimentos que seguem esta.


10. Sem Sol (CHRIS MARKER, 1983)

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Uma mulher narra os pensamentos de um homem que viaja pelo mundo, com reflexões sobre tempo e memória expressas em palavras e imagens de lugares como Japão, Guiné-Bissau, Islândia e San Francisco (EUA).


11. Let Each One Go Where He May (BEN RUSSELL, 2009)

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O filme traça a extensa jornada de dois irmãos que se aventuram da periferia de Paramaribo, Suriname, até uma aldeia quilombola na nascente do Rio Suriname, em um ensaio da viagem empreendida por seus antepassados, que escaparam da escravidão nas mãos dos holandeses há 300 anos. Um caminho ainda percorrido nos dias de hoje, sua topografia evidencia uma história de migração forçada.


12. A Ilha Nua (KANETO SHINDÔ, 1960)

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Numa ilha a oeste do Japão, uma família vive tranquilamente e sozinha, apesar da dificuldade do dia-a-dia, até que acontece um infortúnio que faz com que tudo mude de forma drástica para aquele casal e seus dois filhos.


13. O Fim e o Princípio (EDUARDO COUTINHO, 2005)

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Sem pesquisa prévia, sem personagens, locações nem temas definidos, uma equipe de cinema chega ao sertão da Paraíba em busca de pessoas que tenham histórias para contar. No município de São João do Rio do Peixe a equipe descobre o Sítio Araçás, uma comunidade rural onde vivem 86 famílias, a maioria ligada por laços de parentesco. Graças à mediação de uma jovem de Araçás, os moradores – na maioria idosos – contam sua vida, marcada pelo catolicismo popular, pela hierarquia, pelo senso de família e de honra.


14. A Nação Clandestina (JORGE SANJINÉS, 1989)

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O filme tematiza a questão da identidade cultural da nação boliviana. Sebastián Mamani, um camponês renegado por seu povo, tenta integrar-se a uma sociedade que o descrimina e humilha por sua origem Aymara. Ele retorna ao povoado para se redimir por ter atuado como repressor durante a ditadura. Dançando o ‘Jacha Tata Danzante’ até a morte ele espera apagar seu passado, desejando seu próprio renascimento.


15. A Canção da Estrada (SATYAJIT RAY, 1955)

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No início do século 20, Abul é um menino pertencente a uma pobre família brâmane de um vilarejo na Índia. Seu pai, poeta e sacerdote, é forçado a deixar seus entes queridos em busca de trabalho. Uma das obras-prima do cinema mundial, inédita no Brasil e nas Américas. Este filme foi a estréia espetacular de Satyati Ray. Recuperada a finais dos anos 90, pois um incêndio destruiu os negativos originais, esta é a primeira fita, que deu origem a Trilogia de Apu. Nela se narra a comovente história de uma família de Bengali perseguida pela má sorte. O pai, Harihara, é um sacerdote mundano, curandeiro, sonhador e poeta. Sabajaya, a mãe trabalha para alimentar a uma família, que recebe com alegria e esperança a chegada de um novo filho, Apu.

 

 

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