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Afinal, ‘O Filme da Minha Vida’ vale a pena?

Selton Mello acertou em seu novo filme?

Terceiro longa-metragem da carreira de Selton Mello como diretor, O Filme da Minha Vida estreou nos cinemas brasileiros no último dia 3 de agosto. Apesar de ter sido gravado em 2015, o filme só chegou à grande tela para o público em 2017, mas a obra não ficou datada, já que a história é ambientada no ano de 1963, na Serra Gaúcha.

Além disso, não era de se esperar que o longa-metragem deixasse de ser relevante com o passar dos anos, isso porque ele trata de questões que vão além da década de 60. De fato, há a presença da época em seu enredo. Temos a até cômica observação de Paco (Selton Mello) sobre a televisão, acreditando que ela é só uma moda passageira. No entanto, o foco do filme encontra-se em algo que ultrapassa as gerações. A história é simples. Aborda temas como o amadurecimento, o abandono, o amor e, principalmente, a busca. A busca por algo que dê sentido à vida. Assim como em O Palhaço (2011), em que o protagonista Benjamim (Selton Mello) larga seu trabalho no circo para buscar a felicidade, o jovem Tony (Johnny Massaro) de O Filme da Minha Vida está buscando seu pai e, talvez mais do que isso, o motivo por ele ter abandonado sua família.

A história, originada no livro Um Pai de Cinema, do escritor chileno Antonio Skármeta, começa com Tony saindo de casa e indo estudar na capital, Porto Alegre. Até então, ele vivia em uma família feliz com seu pai Nicolas (Vincent Cassel) e sua mãe Sofia (Ondina Clais Castilho). Quando ele volta, no entanto, o pai parte no mesmo vagão de trem em que ele chega. Nicolas está voltando para sua terra natal, a França, assim como Tony regressa ao seu lar (que talvez já não seja mais o lar que ele esperava). Sua única ligação com o pai é através do amigo da família, Paco. O homem simples, que vive mais em meio aos porcos do que entre gente, alerta Tony que seu pai é homem do mundo, e que vai voltar quando quiser voltar.

A busca por respostas, no entanto, persegue o jovem. Ao mesmo tempo, outras questões vão surgindo em seu íntimo, como a sua primeira grande paixão, a virgindade, e todo o amadurecimento emocional. Essas passagens da vida são abordadas pelo filme de maneira suave, poética, e recheada de atenção às pequenas belezas da vida. Tony não deixa de se encantar com um sorriso de orelha a orelha ao assistir Rio Vermelho (1948) no cinema da cidade vizinha ou ao ver às belas fotos de Luna (Bruna Linzmeyer). A trilha sonora acompanha esse clima simples e intimista, além de muitas vezes também nos fazer viajar à França, com músicas como Hier Encore (Charles Aznavour) e Voilà (Françoise Hardy).

Mas, afinal, vale a pena assistir ao novo filme de Selton Mello? Até porque, como afirma seu personagem, “cinema é um troço escuro que você fica lá dentro vendo a vida dos outros em vez de cuidar da sua e perde duas horas da vida.”

A resposta é sim. Essas são vidas que vale a pena perder duas horas assistindo. Não só por elas serem vidas interessantes, mas também porque elas dizem muito sobre as nossas próprias vidas. Não é preciso ter sido abandonado pelo pai para se identificar com Tony Terranova. De fato, o abandono em si é o menos importante do filme. A busca que o jovem faz é recorrente para todos nós. A busca por respostas, por sentido, por propósito de continuar seguindo nos trilhos do trem – e seguindo no seu tempo, sem sair da estação apressado, até porque você pode acabar atropelando uma vaca no caminho (você vai entender depois de assistir ao filme).

O Filme da Minha Vida traz uma história simples, contada de forma sutil e poética, com uma fotografia impecável de Walter Carvalho, trilha musical romântica e locações gaúchas de tirar o fôlego. A cada filme, Selton Mello se consagra mais como um dos grandes diretores do cinema nacional. E a cada filme, ficamos ansiosos para o que virá a seguir de sua mente sensível ao íntimo do ser humano e às belezas do mundo ao seu redor.

Confira o trailer:

Written by Alan Soares

Bebo água e assisto filmes. O resto é trivial.

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