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100 anos de animação no Brasil

Entre ‘O Kaiser’ e ‘O Menino e o Mundo’ há muita história para contar

2017 marca o aniversário de 100 anos da animação brasileira. Pensando nas diversas limitações técnicas e financeiras desde sempre existentes no mercado nacional, é difícil pensarmos em filmes de animação sendo produzidos desde 1917 por aqui. No entanto, o curta-metragem O Kaiser (1917) foi criado e lançando, com muito esforço, como não poderia deixar de ser, pelo brasileiro Seth (pseudônimo do cartunista Álvaro Martins). Ficou curioso para ver essa obra tão importante do audiovisual nacional? Todos nós ficamos, pois infelizmente os originais da animação se perderam. Só o que nos restou foi a memória oral daqueles que a assistiram e uma matéria de jornal, que trazia um fotograma do curta-metragem:

Fotograma de O Kaiser (1917)

A história era uma paródia do imperador Guilherme II que, para mostrar seu poder, colocava seu chapéu sobre o globo terrestre. O globo, no entanto, acaba engolindo o monarca. Baseado apenas na descrição da época e nesse sobrevivente fotograma, o diretor Eduardo Calvet convidou oito animadores brasileiros para reanimarem coletivamente O Kaiser. O resultado é um curta-metragem que reúne várias técnicas e a imaginação fértil desses artistas:

Mas, se você ficou com vontade de assistir a uma animação das antigas, Macaco Feio, Macaco Bonito (1928) é o filme animado mais antigo que temos preservado, produzido por Luiz Seel e animado pelo artista João Stamato. O que teve início em O Kaiser continuou através das décadas no Brasil, tornando-se cada vez mais complexo e diversificado.

Pulamos então para a década de 1950, momento em que o primeiro longa-metragem de animação era produzido no Brasil, e foi Anélio Latini Filho, com o filme Sinfonia Amazônica (1953), que protagonizou esse novo marco nacional. Já nos anos 60, a animação foi se tornando mais popular e comercial, com a descoberta da técnica por parte dos publicitários no Brasil. O recurso, mais lúdico e que permitia criações infinitas (algo que as limitações técnicas não permitiam às filmagens), fez parte de diversos comerciais feitos para a TV e para o cinema.

O Natal da Turma da Mônica (1976)

Dentre os maiores difusores da animação no Brasil não podemos deixar de destacar Maurício de Souza, que deu vida aos quadrinhos da Turma da Mônica já na década de 1960, no que podemos considerar a primeira série de animação nacional, inicialmente transmitindo na televisão e, mais tarde, a partir dos anos de 1980, produzindo filmes para cinema e vídeo.

Nos anos 90, o mercado entrou em crise. Com o Plano Collor, os artistas deixaram de receber incentivos e a própria economia brasileira em geral afetava todos os mercados nacionais. Foi apenas com a chegada do novo milênio que as coisas começaram a se estabilizar. Com a chegada da web e de novos recursos técnicos, como a animação 3D, além de uma economia mais favorável, o mercado brasileiro retomou sua ascensão. Apenas para citar alguns filmes produzidos nessa época, temos Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll (2006), do consogrado Otto Guerra; Os Carrinhos (2006-2009), série produzida em CGI; Uma História de Amor e Fúria (2013), de Luiz Bolognesi, o primeiro ser premiado internacionalmente; e Até que a Sbórnia nos Separe (2013), criado por Otto Guerra e Ennio Torresan.

Em 2014 chegamos, então, no lançamento do longa-metragem O Menino e o Mundo, dirigido por Alê Abreu, que se tornou a primeira animação do Brasil e da América Latina a ser indicado ao Oscar.

Apesar de competirmos com gigantes da animação internacional, como Estados Unidos e Japão, o mercado nacional, já há 100 anos, vem construindo seu espaço e ganhando cada vez mais espaço e conteúdo. É claro que ainda temos um longo caminho a percorrer, inúmeros frames para desenhar e prêmios a conquistar, mas o cenário é otimista para os profissionais brasileiros. Carlos Saldanha foi ao mercado internacional dirigir A Era do Gelo 3 (2009) e Rio (2011). Rosana Urbes foi animadora em Mulan (1998), na Disney. Fabio Lignini é animador sênior da Dreamworks, tendo participado dos filmes Como Treinar seu Dragão (2010), O Gato de Botas (2011), entre outros.

E, na própria televisão brasileira, já podemos assistir a várias séries produzidas nacionalmente (e algumas até exportadas para vários países), como Peixonauta, O Amigãozão, Tromba Trem e O Irmão do Jorel.

Então, bora enaltecer a animação nacional?

Written by Alan Soares

Bebo água e assisto filmes. O resto é trivial.

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