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Diretor da Semana – Denis Villeneuve

Cinema como ferramenta para exploração do lado negro.

Denis Villeneuve, para quem não o reconhece pelo nome, talvez conheça pelo seu trabalho.

Nascido em Quebec, província do Canadá, a 3 de Outubro de 1967, Villeneuve desistiu dos seus estudos na área da Ciência para prosseguir uma carreira artística.
Em 2000 recebeu uma grande atenção pela sua longa-metragem Maelström, seguindo-se Polytechnique em 2009, Incendies (A Mulher que Canta) em 2010, Prisoners (Raptadas) e Enemy (O Homem Duplicado) em 2013, Sicario (Sicário – Infiltrado) em 2015 e por fim, o seu mais recente trabalho concluído, Arrival (A Chegada) em 2016. Blade Runner 2049, ainda em fase de pós-produção, será o próximo trabalho do diretor.

(Nicolas Balduc (cameraman) e Denis Villeneuve no set de Enemy)

 

(…) Não era um bom escritor inicialmente, precisava de aprender mais, parei durante uns anos a dizer que ‘voltarei ao cinema quando tiver um melhor controlo sobre as minhas ideias’, precisava de ser mais humilde. No início era bastante arrogante, tentava fortemente agradar as outras pessoas. Voltei com mais humildade, e com a vontade de servir grandes histórias. Portanto, o começo foi um ensaio, diria, e agora estou cada vez mais em controlo, acho. E isso é uma grande alegria.

 

Tecnicamente, VIlleneuve aparenta saber exatamente o que precisa para que tudo encaixe com harmonia, mas como acima indica, nem sempre foi assim. A audiência pode entender que até os seus primeiros filmes foram muito bons, mas cada diretor é também um ser humano e conseguirmos apreender a evolução deste pelo seu trabalho é excecional, e quando vêmos que este o reconhece e estuda para o seu melhoramento, com humildade, é ainda maior o apreço que temos por ele. Trabalhou regularmente com o grande cinematógrafo Roger Deakins, com o qual tem grande afinidade. Procura chamar grandes artistas na área cinematográfica que tragam o que o filme merece receber, atores como Jake Gyllenhaal, Hugh Jackman, Viola Davis, Amy Adams, Ryan Gosling, Emily Blunt, Benicio del Toro, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Robin WrightJared Leto Harrison Ford, Lenny James. Esta evolução é sentida pela maneira como Villeneuve se vai desviando do que apresenta anteriormente, ás vezes, visualmente, é difícil reconhecer o filme como sendo de Villeneuve, mas assim que a história é tecnicamente elaborada e mostrada, rapidamente as nossas dúvidas se dispersam e entendemos que realmente é um VIlleneuve que estamos ali a ver.


Mas claro que nada é melhor do que apresentar o que a obra cinematográfica deste autor nos faz sentir, pensar, imaginar, falar.

Denis Villeneuve é sem dúvida um curioso e um observador do ser humano. As caraterísticas deste, defeitos, emoções, raiva, violência são o prato principal dado a servir elegantemente ao público, e não se sai, certamente, de mãos a abanar, de cabeça vazia ou de coração frio, após a degustação. Pelo contrário, saímos tão interiormente remexidos que é difícil de conseguir acentar todos os sentimentos ali despertos.

É uma das experiências cruciais que este pretende-nos impor. Não existe forma de desviar o olhar, não há distração externa possível sobre os nossos sentidos. Uma aventura que perdurará bastante tempo em nós.

(Jake Gyllenhaal em Enemy, 2013)

A capacidade humana é abordada em todos os filmes de Villeneuve. A violência causada por esta é estudada com especial consideração pelo lado da destruição que esta traz, pelas consequências aderentes a esta.

Com isto, a violência nunca é a protagonista, mas sim os danos que esta cria. Villeneuve atropela-nos com a força, mágoa, rutura de tudo o que resulta dos conflitos, como este afirma:

Odeio violência, acho que a violência é significativa se olharmos para o impacto desta nas vítimas. Interessa-me o impacto, não o espetáculo desta.

Humano e as suas limitações, outra curiosidade abordada por Villeneuve. Como viver dentro destes limites. Qual a razão, o sentido de tudo? Somos humanos e Villeneuve parece saber colocar-se fora de si para se criticar, para se entender, aparenta saber todos os nossos pontos fracos, ou pelo menos, diverte-se na procura destes. Serão este pontos que nos definem, serão eles que indicam a diferença entre sanidade e insanidade, serão eles os que mostram o que realmentes somos?

Fragilidade, medo, ignorância, paixão, honra, proteção, sacrifício:

Na contradição e no paradoxo, encontra-se a verdade. Os meus filmes levantam questões, não dão nenhuma resposta.

Questões estas que ficarão connosco após o filme, questões que tínhamos antes do filme e que, com a visualização deste, reacenderam. Questões.

Cada filme uma nova aventura, cada aventura desenhada e calculada para fazer estremecer. Cada luz, cor, enquadramento, cenário, ator, equipa de produção e execução, escolhida minuciosamente para que tudo o que passe na tela seja transmitido com qualidade e certeza.

Villeneuve é o diretor para si que que observar e/ou pensar sobre o comportamento humano, de forma cuidadosamente embelecida. Uma beleza que poderá ser dura e quente, mas que será decerto justa.


(Amy Adams em Arrival, 2016)

 

Até uma próxima!
Assista aqui a alguns trailers:



Enemy:

Prisoners:

Sicario:

Arrival:

Blade Runner 2049:

Written by Daniela Maia

Entusiasta por tudo o que é belo, espetacular, sensível e por tudo o resto que me é difícil nomear.
Nasceu e vive, para já, em Portugal.

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