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Afroflix e a quebra do esteriótipo negro

Plataforma gratuita reúne mais de 100 obras audiovisuais feitas por negros

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie aponta os perigos de se contar uma história única. “É assim que se cria uma única história: mostre um povo como uma coisa, como somente uma coisa, repetidamente, e será o que eles se tornarão”, afirma a autora em um discurso no TED, e completa: “a única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem um história tornar-se a única história.”

Nesse intuito, de dar voz a outras histórias, e não mais aos antigos esteriótipos envolvendo o papel do negro no audiovisual brasileiro, é que seis mulheres negras se juntaram para criar o Afroflix, um portal que reúne produções que contem com, pelo menos, uma pessoa negra assinando a produção, roteiro, direção ou atue na obra.

No entanto, o mais importante é a questão narrativa. As narrativas selecionadas pelo serviço são aquelas que estabeleçam a figura negra de forma diferente da maneira que ela vem se perpetuando nas telas nacionais. O papel de bandido ou de empregada doméstica deve ser desconstruído, e essas produções vêm mostrar afrodescendentes nas mais diversas posições sociais e situações.

A ideia toda surgiu quando a cineasta Yasmin Thayná lançou seu filme KBELA (2015) e, em uma roda de conversa após a exibição do curta-metragem, uma menina disse que “nunca esperou ouvir o som de um cabelo sendo penteado reproduzido no cinema”. Esse foi o pontapé que levou a diretora e roteirista a criar a plataforma de vídeos, sem nenhum tipo de financiamento ou retorno financeiro. Todas as visualização vão direto para os criadores dos longas, curtas, documentários, séries e vlogs.

“Tem uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro que aponta que entre o ano 2002 e 2012, ou seja, em dez anos de cinema nacional, não teve nenhum filme dirigido por mulheres negras, nenhum filme escrito por mulheres negras e apenas 2% dos filmes produzidos no país são protagonizados por pessoas negras. Devem sair 100 filmes por ano, então multiplica isso por dez. É um número assustador”, nos aponta a idealizadora do projeto.

Acesse o Afroflix neste link.

Written by Alan Soares

Bebo água e assisto filmes. O resto é trivial.

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