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Diretor da Semana – Alfred Hitchcock

Comemorando os 118 anos do “Mestre do Suspense” completados este domingo (13/08/2017).

A alma humana encontra a maldade em Hitchcock

Um homem não vive só de assassinato. Ele precisa de afeição, aprovação, incentivo, e, ocasionalmente de uma bela refeição”.

Alfred Hitchcock (1899 – 1980) é considerado um dos maiores gênios da história do cinema. Hoje, é um diretor unanimemente conhecido por criar sequências repletas de tensão e visualmente estimulantes. Por dominar a técnica cinematográfica, conseguia fazer o público sair de sua posição de mero espectador e assumir-se como testemunha ocular de uma batalha entre o bem e o mal, em que será bombardeado por imagens chocantes e personagens peculiares.

É um diretor singular no panorama cinematográfico tendo caminhado em diferentes momentos do cinema, mas sempre imprimindo sua marca em seus filmes, afinal saiu do cinema mudo inglês, influenciado pelas vanguardas dos anos 20 e 30 e foi o responsável por dirigir o primeiro filme sonoro do Reino Unido: Chantagem e Confissão. Além disso, entrou no universo norte-americano com um filme produzido pelo lendário produtor de épicos David O. Selznick: Rebecca, A mulher Inesquecível. Ainda nessa parceria, o inglês gravaria Quando Fala o Coração e  Agonia de Amor. Gravou em 1948 o seu primeiro filme em cores: Festim Diabólico e chegou ao auge de sua carreira em meados dos anos 50/60 com uma impressionante sequência de clássicos, começando com Janela Indiscreta (1954) e Disque M para Matar (1954), passando por Um Corpo que Cai (1958) e Intriga internacional (1959) e culminando em Psicose (1960) e Os Pássaros (1963).

Mesmo tendo sua filmografia do período britânico esquecida pelo público e as décadas de 50 e 60 sempre sendo lembradas como o seu auge, é injusto e triste que suas primeiras produções sejam enxergadas como menores.

Nos filmes de Alfred Hitchcock é muito comum encontrar temas recorrentes e o estilo autoral do cineasta. Sua obra está recheada de personagens que saem do seu estado quo, personagens ambíguos, sádicos, fatais, com uma tensão sexual inerente. Além disso, o conflito interno costuma ser externalizado com o crime ou uma tentativa de crime. O humor negro também está muito presente em sua obra, assim como o peso na consciência que seus personagens costumam carregar.

Hitchcock costumava também fazer cameos em seus filmes, essas aparições do diretor se tornaram uma das marcas mais fortes em seus trabalhos e acabaram responsáveis pela popularização da figura – física – do diretor, seus cameos eram tão famosos que para que o público não se desconcentrasse da trama procurando-o em cada quadro do filme, ele começou a fazê-los de forma cada vez mais óbvia, normalmente logo no início do filme.

“Eu sou um diretor marcado. Se dirigir Cinderella o público vai imediatamente procurar por um cadáver no colchão”

Além disso, o apelo visual de seus filmes são uma marca registrada, provavelmente uma herança do cinema mudo. Hitch fazia cenas de crime e assassinatos de maneira impressionante, repletas de suspense e silêncio, o que as tornaram inesquecíveis e chocantes. O diretor entendia o público e dava o que ele queria, manipulando-o a todo momento e aproveitando ao máximo o potencial do cinema.

Se é um filme bom, o som pode ser desligado e a plateia continuará tendo uma ideia clara do que está acontecendo.”

A presença de um MacGuffin também era recorrente em seus filmes. Um termo criado pelo próprio Hitchcock para utilizar um objeto que serve como pretexto para o deslocamento de seus personagens, mas que narrativamente tem pouca ou nenhuma importância por si só. Por exemplo, o dinheiro roubado por Marion Crane em Psicose, ou o microfilme secreto de Intriga Internacional.

Vendo seus filmes, percebemos como Hitchcock sempre foi um homem assombrado; assombrado com algo talvez indecifrável, fruto de seus traumas de infância, e isso fica ilustrado em sua filmografia. O crime perfeito, a espetacularização da morte, o homem condenado injustamente, o personagem condenado a carregar um peso em sua consciência e sua polêmica fascinação por loiras.

“A única maneira de me livrar dos meus medos é fazer filmes sobre eles.”

E por mais que todos os seus filmes girem em torno de um tema, Hitchcock nunca deixou de se reinventar, criando desafios para si próprio e atravessando-os com uma malícia incrível, tornando essa capacidade uma das principais características ao logo de seus mais de 50 filmes. Se em O Inquilino ele teve que superar os obstáculos do cinema mudo, em Chantagem e Confissão ele utiliza o som de forma subjetiva para entregar ao espectador algo nunca visto antes. Já em Os 39 degraus, Jovem e Inocente, Sabotador, Tortura do Silencio, O terceiro Tiro, O Homem que Sabia Demais, O Homem Errado, Intriga Internacional e Frenesi, Hitchcock trabalha a ideia do homem condenado por um crime que não cometeu de formas completamente distintas. Enquanto alguns caminham para um drama bem psicológico, outros vão para um suspense policial, uma comédia de humor negro, ou até um thriller político desaguando em um romance melodramático.

Foi subestimado pelos seus contemporâneos, que o consideravam meramente técnico. Hitchcock só foi reconhecido como gênio ao ter sua obra analisada e elogiada pelos franceses da Cahiers du Cinéma, que identificaram em seu cinema um forte apelo psicológico, originalidade e um caráter autoral que poucos diretores conseguiam imprimir, além das tendências expressionistas misturadas a uma mise-em-scénè realista, revelando-se um cineasta moderno em um ambiente clássico.

“Eu sou um filantropo: Eu dou às pessoas o que querem. As pessoas adoram estar horrorizadas, apavoradas.”

Pessoalmente, eu aprendi a gostar de cinema vendo os filmes de Hitchcock, então obviamente criei um carinho enorme por suas obras e pela sua maneira peculiar de jogar os espectadores em situações intensas e que afloram a psique de seus personagens.

Se você não conhece nenhum filme de Hitchcock, ou gostaria de explorar mais afundo sua carreira, deixo aqui algumas sugestões para entender melhor o cinema do “Mestre do Suspense”. É interessante assistir pelo menos a um filme de suas principais fases (que gosto de dividir em: fase muda britânica, os primeiros filmes falados do diretor, a fase americana, o auge nos anos 50 e 60 e o final de sua carreira).

  • O Inquilino (The Lodger: A Story of the London Fog, 1927)
  • Os 39 Degraus (The 39 Steps, 1935)
  • Rebecca, A mulher inesquecível (Rebecca, 1940)
  • A Sombra de Uma Dúvida (Shadow of a Doubt, 1943)
  • Festim Diabólico (Rope, 1948)
  • Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)
  • Disque M para Matar (Dial M for Murder, 1954)
  • Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958)
  • Intriga Internacional (North by Northwest, 1959)
  • Psicose (Psycho, 1960)
  • Os Pássaros (The Birds, 1963)
  • Frenesi (Frenzy, 1972)

Até a próxima!

Cinéfilo, estudante de Cinema e Audiovisual. Sempre buscando aprender mais sobre a sétima arte.

Descobri meu amor por cinema com os mestres Hitchcock, Kubrick e Scorsese, uma fascinação quase doentia por filmes de horror e uma obsessão de colecionador. Aos poucos comecei a compreender o que me fascinava tanto em filmes como "Chinatown", "Evil Dead" "A Sombra de uma Dúvida" e "Três Homens em Conflito", agora me dedico a escrever e estudar o máximo possível do universo audiovisual.