, ,


Reasons to See – Deux Jours, Une Nuit (Dois Dias, Uma Noite)

A frescura da realidade.

Os diretores e irmãos Dardenne, Jean-Pierre e Luc, dão-nos a conhecer a história de Sandra, uma mulher casada e mãe de dois filhos, que luta por manter o seu posto de trabalho. Neste filme, Deux Jeurs, Une Nuit (2014) tal acontecimento é tratado de forma crua, íntima e sem filtros. É extremamente humana a maneira como tecnicamente constroem a narrativa.

Sandra, protagonizada pela maravilhosa atriz, Marion Cotillard (Midnight in Paris; Allied), é a dura e pura verdade da realidade que a envolve. Com um fortíssimo e “simples” argumento, Deux Jeurs, Une Nuit (Dois Dias, Uma Noite) é sem sombra de dúvida um filme a recomendar.

  1. Ser-se Sóbrio e Honesto.

    Esta é uma narrativa que poderia facilmente ser tratada se forma burguesa, mostrando todo o lado maravilhoso e oculto de acontecimentos que não temos controlo sobre, poderia ser tratado como um conto de fadas em que problemas a resolver tornam-se passos importantes para um crescimento pessoal. Mas não, Jean-Pierre e Luc Dardenne dão, brilhantemente, jus e respeito à importância de tal tema. Isto é ser-se honesto.

    Quando vos falo de “sobriedade”, refiro-me ao facto de em momento algum se sentir que esta personagem pertence unicamente ao mundo onde se encontra. Esta personagem é qualquer um de nós, deveria ser estranho denominarmos alguém de “humano”, mas de facto esta é uma personagem cruamente humana. Em toda a narrativa não existe um único espaço de tempo em que tenhamos a sensação de que ela está longe demais, ou que se encontra num espaço físico irreal. Já mais sentimos exagero, dramatismo.

  2. Comunicação.

    Através da escolha técnica de abordar esta narrativa da forma mais “natural” e “próxima” possível, encontramo-nos, como espectadores, participantes. Há um lugar nosso, o acompanhamento da personagem pela nossa parte é real, é palpável. Esperamos, sentimos, corremos, observamos à sua maneira, porque estamos ali para ela, não somos meros espectadores, somos invasores.

  3. Dá que pensar.

    Uma das coisas mais importantes para o sucesso de uma obra cinematográfica é a sua capacidade de nos dexar dispertos, em qualquer sentido ou através de qualquer sentido. Se sairmos de uma sessão cinematográfica igual a como entramos, o filme não resulta. Este é sem dúvida um daqueles teimosos, fica ali bem no canto do coração, naquele espaço de incompreensão do cérebro e fica bem aconchegado num tal sítio que não sabemos bem definir mas onde assenta o lado misterioso e esperançoso por algo mais.

    Pergunta-se, na minha opinião, sobre conexão, com os outros que deambulam sobre a mesma Terra que nós, com os nossos mais próximos, e principalmente a conexão com quem somos.

  4. Luta.

    Assistimos a uma luta constante, por parte não só da protagonista como de todo o enredo, penso que até o público pertença a esta luta. Uma luta que tem o lado que descrevi logo no começo deste texto, que é a luta de Sandra, e tem o seu lado que se desenvolve talvez no centro de cada indivíduo. Neste filme entraremos em choque com certas decisões tomadas por algumas personagens, podemos até nem chegar a compreender e até culpar alguma delas, no entanto acho que permanece sempre a dúvida, e consequente luta, de que talvez um de nós fosse capaz de sentir o medo e igual oportunidade de resposta que estes condenados por nós, sentiram.

    Este é o outro lado da luta, que sempre ficará à tona, como é possível o desprendimento de sentimentos de empatia sobre o outro que sofre. Uma luta constante por um mero entendimento.

 

Poderia dar mais duas ou três razões, mas estas são as que valem a pena mencionar, o resto fica para vocês mesmos preencherem através da vossa experiência com este filme, e se assim entenderem, partilhar também. Marion Cotillard, Fabrizio Rongione, são a cereja no topo do bolo, que trabalhou para lá chegar. Encarnam as personagem com um furor inesquecível.

Sem mais demoras aqui fica o trailer:

Written by Daniela Maia

Entusiasta por tudo o que é belo, espetacular, sensível e por tudo o resto que me é difícil nomear.
Nasceu e vive, para já, em Portugal.

Comments

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Loading…

Loading…

Comments

comments