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Reasons to See – August: Osage County (Álbum de Família)

A delicadeza da verdade.

Com direção de John Wells e argumento de Tracy Letts,  August: Osage County (Álbum de Família) (2013), retrata de forma poderosa o encontro entre membros de família, que por uma razão ou outra se afastaram. Reencontram-se perante um acontecimento trágico, e mais trágicos ainda ficam os dias.

Com representações sublimes como a de Julia Roberts, Meryl Streep, Margo Martindale e Chris Cooper, são duas horas muito bem direcionadas sem perda de atenção, com nuances de ritmo e pequenas euforias pelo meio. Aqui vos deixo algumas razões para assistirem esta bela e negra obra.

  1. Família.

    Todos nós temos que assistir e participar naqueles eventuais encontros em que toda a família é convidada a passar um “bom” momento juntos. Pode acabar bem ou pode acabar mal, no caso de August: Osange County corre mal, muito mal. No entanto é um “bom mau”, pois é um momento de descoberta para todos os participantes, cada um com o seu segredo, vergonha, desilusão, preferência, mas no meio de todos os outros, estes detalhes são puxados até à superfície da pele e num ambiente de puro calor… têm a tendência a escaldar.

    Nesta longa metragem o enquadramento familiar é tudo menos convencional, o que tem de ser dito é dito, não adornado. Realidade dura e pura, sem fantasias, sem pudor e sem remorsos.

  2. Murro no Estômago.

    Porque vos digo que é um murro no estômago? Bem, não há momentos doces, verdadeiramente doces, há momentos de cortar à faca e seria fácil enclinarmo-nos sobre o encosto e ficar a ver aquela família a reagir na tela, no entanto os protagonistas não nos deixam fazer tal, arrancam-nos da cadeira, deixam-nos desconfortáveis.

    Não estamos ali para os ver, estamos ali para sermos confrontados com um espelho que eles estruturam.

  3. Duas Horas?

    É muita a vez que a duração de um filme pode fazer-nos pensar duas vezes antes de assistir. Este tem duas horas, mas como acima disse, é incrivelmente bem conseguido, tem um ritmo que não nos faz cansar da narrativa, é um trabalho esperto. Por isso, acreditem, não se deixem enganar, não se tornará aborrecido!

    Não vão dar com o tempo a passar. Nem vão adormecer neste drama.

  4. Argumento da Vida.

    Baseado na peça de Tracy Letts, com adaptação para argumento da mesma, este é um dos argumentos da vida, qual destas personagens achas que serás? Cada linguagem pertence a um único personagem, nenhum se repete, não existe uma linguagem comum para que a narrativa não se perca, a narrativa perde-se no melhor dos sentidos. É um choque frontal entre todos eles.

    Cada um tem algo a dizer de acordo com as suas experiências, e de acordo com a sua natureza, mas em confronto com outros que não se assemelham a esta realidade o que acontecerá?

    Encontra-se aqui um argumento fervilhante, inquieto, cheio de força. Não irão descansar.

  5. O Disfarce que os Anos nos Dão.

    É um belo exemplo de como, dentro de uma família, dentro de uma sociedade, aceitamos o que vemos como verdade, personagens que só conhecemos em determinada altura, que definimos a partir do que nos deram nesses mesmos dias, mas que na realidade são mais do que isso. E não mostram? Talvez não, talvez esta personagem tenha sido conscientemente construída, ou apenas ficamos cansados ao longo dos anos para termos força de assegurar que todos nos conhecem minimamente bem. E que não nos tomem apenas como a “gorda e chata” tia Mattie Fae.

    Um exercício que talvez acabemos por treinar mais vezes do que esperavamos e do que queriamos, mas está lá e é mais uma parte a ser pensada, aqui assistimos a esta mesma dificuldade.

 

Mais uma vez, temos aqui uma obra que dá que falar. Cheia de significado aqui fica esta recomendação, e mais uma vez, não se deixe enganar pela simplicidade aparente do que este filme trata. A profundidade do conhecimento, procura, tentativa é grande, é mais um filme que fica connosco! Disponível na Netflix.

Até uma próxima!
Assista o trailer aqui:

Written by Daniela Maia

Entusiasta por tudo o que é belo, espetacular, sensível e por tudo o resto que me é difícil nomear.
Nasceu e vive, para já, em Portugal.

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