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Chance – A Árvore da Vida

A Árvore da Vida merece uma segunda chance?

A seção Chance relata a experiência de rever um filme que você não havia curtido na primeira vez, dando uma chance para o mesmo!
O filme da vez é A Árvore da Vida, de Terrence Malick (2011).

Confira abaixo!


Como A Árvore da Vida se tornou uma das melhores (se não a melhor) experiência cinematográfica que já tive?

Antes, vamos entender como foi a primeira vez que vi a obra.

Meados de 2011, lembro que participava de alguns grupos de cinema no Facebook e todos aguardavam ansiosamente o esperado e polêmico (que fez metade da plateia vaiar em Cannes) A Árvore da Vida, de Terrence Malick.

Corri para ver no lançamento!

Lembro até hoje da minha luta contra o sono que batia naquela parte meio “2001única” do começo do filme (a temida parte dos dinossauros). Mas resisti firme.

Logo o filme se estendeu (junto com meu sono) e me fez entender o que estava bem na frente de meus olhos: absolutamente nada.

Vi a luta de um pai autoritário e o crescimento de seu filho com olhos os mais superficiais possíveis, não captando decerto a mensagem da obra.

O problema foi que eu, meio niilista na época, me bloqueei totalmente para o mundo metafísico apresentado pelo filme.

Mas essa visão mudou completamente quando resolvi dar uma segunda chance ao mesmo, agora em 2017, o tornando em uma das melhores experiências que já tive na vida!

E como foi isso?

A temida parte dos dinossauros…

Bem, não sei quem já viu, quem ainda não teve a oportunidade ou quem parou de ver na “parte dos dinossauros”, mas tenho que dizer que A Árvore da Vida é grandioso no que ele se pressupõe a fazer.

E o que porras ele se pressupõe a fazer?

Fazer você olhar para dentro e se questionar os porquês de sua vida.

É claro que você precisa estar em um momento certo antes de abrir as portas para essa maravilha e realmente querer abrir seu coração (sabendo que ele é sim “parado” e pode não te fazer ficar grudado no sofá). A dica é tratar o filme como um coelho branco te convidando a adentrar um universo paralelo, sendo este universo nada mais nada menos que você mesmo interiormente.

Eu não estava preparado para ele quando o assisti em 2012. O tinha achado belo em sua fotografia, mas cansativo em sua totalidade.

Ao revê-lo agora, me senti presenteado com tudo que a película me trouxe.

Logo de início, acompanhamos um Jack (Sean Penn) confuso na vida adulta para então voltar ao seu passado, sem antes passar pela criação do universo em uma sinergia espetacular (são alguns minutos de contemplação apenas, desde o Big Ben até a evolução animal, nos fazendo nos deliciar com cada segundo).

Passamos então à vida de Jack na infância (Hunter McCracken), com seus dois irmãos parceiros e pais totalmente diferentes. Enquanto o pai seguia a razão (natureza), a mãe seguia o coração (graça), ambos se contrapondo a todo o tempo durante o longa.

Notamos essa dualidade entre natureza e graça durante todo o filme e principalmente na vida de Jack, e esse pêndulo emocional é mais humano do que se possa imaginar.

Com esses conselhos e direcionamentos opostos, Jack cresce confuso, não sabendo o que realmente é certo ou errado frente às situações da vida. (“Por que eu deveria ser bom, se você não é?”)

Junto com Jack e esse dualismo reverberante para nós, somos presenteados a todo momento com uma fotografia calibradíssima de Emmanuel Lubezki somada à uma trilha sonora aguçada de Alexandre Desplat que transformava as cenas em um cenário artístico contemplativo de primeira.

E ao me ver em Jack, me conectei com meu passado e entendi muitas questões que trazia comigo fechadas até os dias de hoje.

Chorei inúmeras vezes em que as cenas me faziam relembrar minha história, hora querendo abraçar o mundo, hora tacando pedras para se provar, e sempre sendo totalmente empata e reflexivo, tentando achar meu lugar no mundo.

Eu que me vejo caminhando à uma fase menos descrente e mais espiritual, posso dizer que o filme mexeu comigo lá dentro, cutucando e dizendo que talvez haja razão e motivo para tudo.

Após o final merecido, me senti mais leve e mais conectado com o mundo ao meu redor.

E posso dizer para vocês… Já estou contando as horas para rever, mais uma vez, essa obra-prima!

Obrigado, Malick!

Written by Felipe Yuzo

Aquela dose de alma na penumbra diária.

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