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O que é a Jornada o Herói?

O mito que está em (quase) todos os filmes que vemos

No século XX, uma das obras mais importantes de seu tempo foi publicada: O Herói de Mil Faces (1949). O escritor, Joseph Campbell, identificou nas histórias que contamos há centenas de anos um padrão, uma estrutura básica através da qual as narrativas se constroem, o que ele chamou de Jornada do Herói Mitológico.

Essa jornada está presente em qualquer formato narrativo. Oralidade, Literatura, Teatro e, claro, Cinema. O cinema de Hollywood sempre usou e continua usando a jornada heroica para contar a história de seus protagonistas.

Esse esqueleto se divide em uma estrutura bem clara, que transporta o personagem do seu lugar comum para uma missão cheia de obstáculos para que, no final, ele tenha se transformado em uma nova pessoa, em um herói.

Primeiro Ato: Apresentação

Mundo Comum

Primeiro contato que temos com o personagem e seu mundo cotidiano. É Frodo no Condado, Luke em Tatooine e Neo dentro da Matrix, apenas para citar os exemplos mais famosos.

Chamado da Aventura

Algo leva o personagem a sair do seu mundo comum e encarar uma jornada em prol de um objetivo.

Recusa do Chamado

O personagem jamais aceita de primeira a jornada. Ele está apegado ao mundo comum e não deseja mudanças. É sempre mais confortável ignorar o problema que levou ao chamado do que encarar a missão arriscada, por mais importante que seja o objetivo final.

Encontro com o Mentor

O mentor – que pode ser uma pessoa, mas também um grupo, um artefato, um lugar – entrega algo ao protagonista, que o faz mudar de ideia, ainda que relutante, e aceitar a jornada.

Travessia do Primeiro Limiar

Aqui, o personagem chega em um “ponto sem retorno”, momento derradeiro em que ele precisa tomar a decisão final de ir ou ficar. No momento em que aceita definitivamente a jornada, ele passa pelo portal que o leva ao mundo oculto, totalmente desconhecido.

The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)

Segundo Ato: Conflito

Testes, Aliados e Inimigos

O herói se encontra com os outros personagens do mundo desconhecido, firma alianças e toma conhecimento dos inimigos. Ali, ele passa pelas primeiras provações, que irão qualificá-lo para a provação final. Esse é o momento em Harry Potter vai para Hogwarts, começa a amizade com Rony e Hermione, enfrenta Draco e faz seu primeiro voo de vassoura.

Aproximação da Caverna Oculta

O herói, qualificado e habituado ao mundo oculto, já de posse da “arma mágica”, se aproxima do covil do inimigo, onde enfrentará seu maior desafio.

Provação Suprema

O herói se encontra com o antagonista e enfrenta sua grande provação, momento para o qual ele passou se preparando (conscientemente ou não) durante toda a sua jornada. Em algumas narrativas, como Kill Bill e Senhor dos Anéis, o protagonista sabe qual será sua provação suprema e se prepara para ela. Em outras, o herói não está ciente do perigo que se aproxima, mas os elementos da história o preparam para o grande desafio mesmo assim, como em De Volta para o Futuro. Se a história não faz isso, e mesmo assim o personagem consegue superar o grande desafio, de forma mágica e inesperada, chamamos isso de Deus Ex Machina – a narrativa não “preparou o terreno” para a solução do conflito.

Recompensa

O herói derrota o antagonista e conquista seu “prêmio”.

The Karate Kid (1984)

Terceiro Ato: Resolução

Caminho de Volta

O herói inicia seu caminho para voltar ao mundo comum, mas essa nova jornada não será tão fácil. Os inimigos se preparam para um contra-ataque, uma vingança pela derrota do antagonista.

Ressurreição

O herói deve “renascer” e, assim, purificar-se antes de voltar ao mundo comum. Essa segunda grande provação coloca em teste o protagonista, e avalia se ele modificou-se a aprendeu com a jornada, isto é, se ele tornou-se um herói. Neo, em Matrix, morre quase ao final do filme e ressuscita como o “escolhido”, um novo ser purificado.

Retorno com o Elixir

O herói retorna ao mundo comum, mas dessa vez ele traz consigo o elixir, que conquistou graças a sua provação suprema na jornada e, geralmente, já era seu objetivo inicial quando aceitou a missão. O pai de Nemo retorna com o filho e, também, com a experiência, e jamais será o mesmo de antes. Ele transformou-se, graças a sua jornada, em um herói.

Finding Nemo (2003)

Olhando assim, pode parecer que esses filmes são somente cópias de uma velha história contada há séculos. Mas não necessariamente a Jornada o Herói é falta de originalidade. Essas etapas podem perfeitamente ser trabalhadas de forma criativa e inovadora. Muitas outras histórias, que não fazem uso dessa estrutura, acabam deixando seu protagonistas rasos – eles começam e terminam a história sem se transformarem. Filmes em que o herói já começa como um herói (sábio, forte e poderoso) podem ser mais difícil de nos identificarmos.

A Jornada do Herói é um recurso de roteiro e, como qualquer recurso, pode ser usado de forma óbvia e batida, mas também pode ser uma ferramenta que potencializa e eleva a narrativa.

E você, lembra de algum outro filme que tenha (ou que não tenha) a Jornada do Herói? Comente aqui embaixo.

Written by Alan Soares

Bebo água e assisto filmes. O resto é trivial.

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