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Reasons to See – The Normal Heart

Igualdade.

The Normal Heart, um filme de 2014 que para todo o sempre se manterá como um filme a ver. Não só pela sua importância em remarcar algo histórico, como também para demostrar com franqueza e frieza a injustiça que existe entre nós humanos.

Este filme não se destina apenas a uma “comunidade” ou apenas àqueles que lutam diariamente para que esta injustiça vá diminuindo, mas sim para todos os que sentem, enfrentam e reprimem Injustiça, seja ela qual for e vinda de que sítio vier.

Filme dirigido por Ryan Murphy (American Horror Story), com argumento de Larry Kramer, baseado na peça do mesmo, The Normal Heart, conta com Mark Rufallo, Jonathan Groff,  Frank de Julio, Julia Roberts, Jim Parsons, Matt Boomer, entre muitos outros, no enredo.

  1. Título.

    Acho o título escolhido peculiar, penso que não é de todo percetível, à primeira vista, do que realmente significa. Mas é de facto tudo o que esta longa retrata, “um coração normal”, o coração como algo comum a todos e que, no caso aqui estudado, não é diferente de nenhum outro.

    Este filme fala sobre repressão, desvalorização, desrespeito para com o que muitos intitulam de “diferente” e mostra através de muito trabalho, muita luta, que não existem tais diferenças.

    Como conseguimos, como seres humanos, ser tão crueis com os nossos “companheiros de raça”, somos todos o mesmo, e mesmo assim criamos distinções apenas para o prol do “bem-estar” de alguns. Sejamos sinceros, este “bem-estar” não passa de um disfarçe, de um conforto sobre o medo de se ser inferior.

    Todo o medo parte do sentimento de inferioridade, existem diversas medidas de comparação, neste caso é um medo que leva a destruir um outro.

    Nesta longa metragem não seremos aconchegados sobre esta ideia, não nos dirão isto com panos quentes, não. Será servido a frio, de modo bruto pois só assim, infelizmente, algumas mestes serão abertas.

  2. Ignorância. Escrúpulos.

    Este é um belo exemplo de que este medo de que vos falo é capaz de tais ferimentos, sem que, maioritariamente, o sujeito tenha a consciência de que é este o veículo.

    Como podemos ver neste filme, nunca uma personagem que se encaixa neste perfil assume esse mesmo medo. Traça, no entanto, o seu poder sobre os outros, para que em segurança fique.

  3. Amor.

    Impossível deixar de falar disto quando o fundamento principal de toda a narrativa, de toda a discussão, é o Amor.

    Já vos mostrei vários filmes a ver que falam disto mesmo, mas desta vez não será tão meigo. The Normal Heart fala-nos do lado mais vulnerável do amor, o que revela a pura beleza deste.

    Concordam?

  4. Pilares.

    É impressionante a força com que estes personagens controlam e seguram o medo que têm para que lhes reste força suficiente para lutarem. Penso que seja um dos pilares da vida – a força.

    A força com que lutam, a força com que agarram a vida é estonteante.

    Acima de tudo, mostra que a força nunca é solitária, que traz consigo outros sentimentos e estes são, a meu ver, os que fazem da força, a força.

  5. Palavras com direito a serem ouvidas.

    Argumento baseado na peça teatral de Larry Kramer, escrito também por este, são palavras que felizmente foram proferidas e passadas.

    Com especial foco na época retratada, a necessidade de comunicação é algo bastante importante aqui, mas não nos deixemos enganar pela falsa propraganda de “modernidade”, pois este é um problema recorrente de todas as gerações, inclusive a nossa.

    Muitas coisas ainda não são faladas, muitas palavras ainda se recusam a sair de muitas bocas. Discriminação ainda existe, sobre mulheres, sobre homossexualidade, sobre gordos, sobre magros, sobre brancos, sobre negros, sobre prostitutas, sobre ricos, sobre pobres…

    Não estou aqui a enumerar listas de opções para libertação de pudor, ódio, nojo. Não, o que espero que vejam, assim como este filme tenta fazer, é que até pararmos de catalogar seja o que for, colocando pessoas em grupos distintos, já mais a discriminação morrerá.

    Uma pessoa não deseja ser lembrada como uma pessoa homossexual mas sim como uma pessoa e mais nada. Não necessitamos de sufixos para que sejamos legíveis para respeito.

 

Se sentem o mesmo, se entendem o pouco que aqui foi dito e será visto com a longa, vejam, revejam, partilhem The Normal Heart, e acima de tudo amem e respeitem. Obrigada.

Aqui fica o trailer:

Written by Daniela Maia

Entusiasta por tudo o que é belo, espetacular, sensível e por tudo o resto que me é difícil nomear.
Nasceu e vive, para já, em Portugal.

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