, ,


Reasons to See – First They Killed My Father

Resistência.

Filme dirigido por Angelina Jolie, First They Killed My Father, fala-nos da história de uma sobrevivente do regime Khmer Rouge. Um regime mais do que sangrento.

Com base no livro biográfico com o mesmo nome, da autoria de Loung Ung, o argumento desta longa metragem foi realizado com a colaboração de Loung e Angelina.

Um original da Netflix, apresentado recentemente no festival de Toronto (tiff.).

  1. Direção e Representação

    Sempre ficamos reticentes aquando de uma adaptação cinematográfica de algum facto histórico, ou de alguma personagem histórica, pois existe sempre alguma tendência para ilustrar de modo romântico e belo, fugindo para as tendências do espetáculo. O contrário acontece aqui, Angelina é extremamente minuciosa e cuidadosa no que toca ao sentimento que irá ser ingerido pelo espectador no visionamento de certas cenas.

    Rodando entre uma câmara em terceira pessoa e uma câmara em primeira pessoa, encaixando nos olhos de Lung (interpretada por Sareum Moch), encontramo-nos numa viagem alucinante à sinceridade, medo, choque e entorpecimento desta personagem – desta criança.

    Representação fora deste mundo, positivamente, de Sareum Moch. Planos inteligentes e certeiros. Capturação profunda do contraste entre o belo e o feio, no que toca à realidade ali experienciada pela criança, pois existe ao seu redor um mundo belo, embora haja, naquele momento, uma ocupação horrível neste.

    É de facto uma grande mistura de emoções, principalmente por sentirmos que, na maior parte das vezes, Lung encontra-se num estado de aparente dormência, mas ao mesmo tempo de grande perceção.

  2. Passado

    First They Killed My Father, reporta-nos para este grande e negro marco histórico, mas para além disto, encaixa-nos lá de pés bem acentes no chão. Entendemos, em choque, que aquela situação estaria a ser manipulada a favor do Regime.

    Realidades dispersas, em modo de sobrevivência, veremos esta família a passar por enormes dificuldades, em conjunto com milhares de outras pessoas, com apenas certa consciência do que realmente se passa.

  3. Presente

    É importante a visualização deste filme, não meramente pela excelente realização e representação do mesmo, como também pela necessidade de informação e divulgação. Angelina Jolie sempre tentou lutar com esta necessidade de apêlo para o reconhecimento e sensibilização de casos que ocorrem no presente e que precisam de ser resolvidos.

    Cinema é isto mesmo, sensibilização, um tentar acordar algo que se encontra em estado adormecido, seja qual for o assunto. E é importante que estes marcos não sejam esquecidos para que tenhamos sempre a consciência de que, mesmo não parecendo, grandes males existem.

  4. Futuro

    Os erros existem para que possamos aprender alguma coisa com eles, e especialmente para que não se volte a repetir certa dor, mas quando nos esquecemos dos erros cometidos eles tornam-se insignificantes o que lhes dá força – no seu esquecimento dá-se o seu renascer. Portanto, o mais importante após o nascimento de um erro, é o facto de não nos darmos ao luxo de o esquecer, pois não faz sentido esquecermos algo que nos deu tanta dor.

    Não exige que sejam revividos, apenas exige que para todo o sempre fiquemos com eles na memória, sem que nos afetem de forma negativa. Mas que fiquem presentes pois serão úteis para que visionemos o mundo de uma forma melhor, e para que as nossas más ações não se repitam.

 

First They Killed My Father, já está disponível na Netflix. Assistam!

Aqui fica o trailer:

Written by Daniela Maia

Entusiasta por tudo o que é belo, espetacular, sensível e por tudo o resto que me é difícil nomear.
Nasceu e vive, para já, em Portugal.

Comments

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Loading…

Loading…

Comments

comments