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Love OMG WTF


Pelo em Ovo – Mãe!

Pelo em Ovo – Mãe!

A seção Pelo em Ovo é basicamente uma crítica baseada em teorias ilógicas ou improváveis. O filme da vez é o novíssimo e badalado “Mãe!”, de Darren Aronofsky (2017).

(SPOILER ALERT)


Bem, se você chegou aqui achando que iria ler (de novo) toda aquela história de referências bíblicas em torno do filme, pode tirar isso da cabeça.

Porque não vai ser bem por aí…

Em resumo, o filme fala sobre o interior de uma pessoa com depressão, sendo a casa sua própria mente.

“AH, FALA SÉRIO!”

É sério! Basta vasculhar pelas pistas certas!

A casa é a mente e a mente é a casa.

Na verdade, toda a casa é uma metáfora para a mente da mulher, que fica naquele impasse de amar o marido, limpar a casa ou olhar para dentro encarando seus medos.

Desde o início, é notável que há algo dentro dela que ela não consegue encarar de frente.
Sempre que fica sozinha, a mulher parece ter medo de adentrar seu interior e rever algo horripilante de seu passado.
Por isso as cenas de alucinação, em que enxerga um coração batendo, sangue escorrendo, buracos negros se abrindo…

Então, o que ela faz para não focar nisso?
Se dedica 100% ao marido, que mal dá a mínima para ela.

Reparem aqui na função do diamante. O homem parece manter um diamante guardado a sete chaves em um dos cômodos.
O diamante, na verdade, é uma metáfora para as qualidades da esposa. Porém, ela mal consegue chegar perto do mesmo.
O marido conhecia os seus maiores dons, porém usufruía dessas qualidades a impedindo de ao menos entender aquilo como uma virtude.

Sem o amor de seu marido e sem entender os seus talentos, a mulher se empenha em cuidar da casa para não ter que lidar com seus neurônios demônios.

No entanto, ao suportar uma dor interna durante muito tempo, a pessoa pode ficar totalmente sensível de entender o mundo externo.
É o que acontece quando novas pessoas passam a cruzar a sua vida.
A mente da mulher tenta rejeitar tudo aquilo, porém ela não encontra forças necessárias para lutar. E quando vai ver, as pessoas já estão ali dentro remexendo tudo e transformando os minutos em um caos sem precedentes.

Reparem que a mulher não sai de casa numa jogada meio “Um Anjo Exterminador” (será que no filme de Buñuel também estamos falando de uma metáfora para pensamentos?).
É como se ela não pudesse sair. E por que não? Porque ninguém consegue deixar a própria mente. E ela acaba olhando para fora de casa somente quando as pessoas saem (fugindo mais uma vez do isolamento e de seu interior).

Então ali dentro ela se mantinha com seus traumas antigos e o presente revirado por pessoas quaisquer.
Até que então ela acha que vê uma luz.
Uma pitada do falso amor de seu marido serve para lhe conceber um filho. O qual traz a ela todo um novo sentido de vida.
Porém, ao notar o homem voltando o foco, mais uma vez, ao trabalho, as coisas começam a deslizar novamente.

A mente e seus pontos…

Quando a mulher começa a notar, há muito mais pessoas, guerrilhando e transformando a vida em uma bagunça sem fim em sua mente.
Ela não consegue sair daquilo e ao dar à luz, acredita que pode, com o amor que dedicará à criança, retomar o rumo de sua vida (na cena sozinha no quarto com o marido).
Porém, numa atitude egocêntrica e egoísta, o marido se apossa do bebê e o tira dela, supondo que ela não poderia cuidar do mesmo.
A morte do bebê é uma metáfora para a perda de si mesma, e numa tentativa de escapar de todo aquele caos, ela simplesmente ateia fogo em toda sua mente, cometendo então, suicídio.

Ao fim do filme, o marido volta a casa queimada e retira de dentro dela o diamante com suas maiores qualidades. Diamante o qual, ela não conseguia enxergar ou tocar. E agora ele ficará para sempre com o homem, que o levará para compor suas obras.

E o filme se chama “Mãe!” não por causa da Virgem Maria e muito menos porque ela quis ser mãe no filme, mas sim porque temos que tratar o diamante que temos dentro de nós como tratamos nossas mães, sendo único e valioso.

Pois o bem mais precioso de nossas vidas se encontra dentro da gente, e se conseguirmos encarar nossos medos em nosso interior, o externo não terá tanta influência em nossa mente como teve com ela.

A vida é bela e todos temos diamantes a se compartilhar!
Ache os seus dentro de você e os trate bem!
Pois a vida é sobre buscar no interior a resposta para o exterior. E saber quem somos de verdade.
Diamantes…
Meros diamantes…

Written by Felipe Yuzo

Aquela dose de alma na penumbra diária.

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