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Clássicos da Universal

Confira a lista desses grandes clássicos!

Aproveitando o mês do Dia da Bruxas e a homenagem à Universal Studios (se ainda não leu nosso texto, clique aqui), confira a lista abaixo sobre alguns dos filmes mais marcantes da era de ouro do estúdio e várias curiosidades por trás das produções.

O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame, 1923)

Com direção de Wallace Worsley, o filme é uma adaptação do romance homônimo de Victor Hugo. No elenco tem Lon Chaney (conhecido como “O Homem das Mil Faces”), Patsy Ruth Miller, Norman Kerry, Nigel de Brulier e Brandon Hurst.

No século XV em Paris, o sineiro da catedral de Notre Dame, Quasímodo, é surdo e deformado por conta de um acidente na infância. Acolhido pelo arcebispo Dom Claude, Quasídomo fica responsável por tocar os sinos da catedral. Quando conhece a cigana Esmeralda, se apaixona pela moça. Porém, Jehan, irmão do arcebispo que o acolheu, reprime essa paixão ao humilhar e maltratar Quasídomo.

O longa foi muito popular na época, embora hoje seja pouco lembrado. Foi um dos maiores espetáculos épicos produzidos em Hollywood e surpreende com cenas bem dirigidas, envolvendo um grande número de figurantes.

Planos abertos das torres da catedral, foram feitos através de pinturas em vidro que recriavam as torres. Já a maquiagem usada por Lon Chaney, que interpretou Quasídomo, era esculpida no próprio rosto do ator usando um tipo de cera macia e pegajosa, muito usada pelos agentes funerários para consertar rostos machucados dos corpos.

Chaney faz um brilhante trabalho de expressão facial, mesmo com toda a maquiagem, além de um trabalho excelente de expressão corporal.

O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera, 1925)

Com direção de Rupert Julian, o longa é uma adaptação do romance do jornalista francês Gaston Leroux, que foi publicado em episódios entre 1909 e 1910. O longa traz novamente Lon Chaney no papel principal e ainda mais diferente com o auxílio de uma maquiagem muito bem realizada. No elenco também tem Mary Philbin, Norman Kerry, Arthur Edmund Carewee e Gibson Gowland.

Erik é um compositor desfigurado que vive nos subsolos de um grande teatro em Paris. Ele se apaixona por uma jovem cantora de ópera e a sequestra, confinando-a em seus aposentos.

O Fantasma da Ópera teve um orçamento generoso, o que permitiu que as cenas do baile de máscaras, assim como algumas sequências da ópera, fossem filmadas em Technicolor, processo que ainda era novo no cinema.

A imagem mais icônica do filme (e uma das mais icônicas do cinema de horror) é sem dúvida o momento em que Erik tem sua máscara retirada por Christine, que revela seu rosto. A maquiagem criada por Lon Chaney, incluía uma touca coberta com cabelos bem finos que aumentava a testa do ator, que também colava suas orelhas perto da cabeça.

Para criar um rosto semelhante ao de um esqueleto, Chaney acentuava suas maças do rosto com almecega (espécie de goma) e empinava seu nariz com uma tira de um material chamado “pele de peixe”, cuja ponta era colada até a testa.

Para aumentar as narinas, eram usados fios e maquiagem na cor preta. Maquiagem na cor branca era colocada nas pálpebras inferiores e em seguida uma camada de maquiagem preta, aumentava duas vezes o tamanho dos olhos. Uma boca avermelhada e dentes falsos e tortos complementavam o visual. A Universal chegou a proibir fotos de Chaney maquiado até o lançamento do filme.

O longa não explica o que aconteceu com Erik para justificar sua aparência, mas na obra de Leroux, o personagem já teria nascido assim. A cenografia de O Fantasma da Ópera contou com cinco fileiras de camarotes que foram construídas sobre uma armação de aço que replicavam o interior da Paris Opera House. Até mesmo uma cena que mostra a queda de um lustre foi real, mas por questões de segurança, o objeto foi filmado sendo puxado para cima, para que depois o filme fosse retrocedido para dar o efeito de queda.

O Fantasma da Ópera ganhou em reboot em 1943, totalmente filmado em Technicolor e com outro elenco.

O Gato e o Canário (The Cat and the Canary, 1927)

Com direção de Paul Leni, famoso diretor do expressionismo alemão, o longa mistura também comédia e tem no elenco Laura La Plante, Forrest Stanley, Creighton Hale, e Flora Finch.

Parentes de um excêntrico milionário, se reúnem para a leitura de seu testamento no aniversário de 20 anos de sua morte. O que os familiares não sabem, é que na mansão terão que lidar com um misterioso médico, um louco que fugiu do sanatório, além de uma mão misteriosa que surge da parede da casa.

O filme é uma adaptação de uma peça homônima da Broadway, escrita por John Willard. Apesar de uma obra vinda do teatro, Leni fez um bom trabalho de direção ao trazer elementos do cinema e impedir que o filme fosse apenas um teatro filmado.

As sombras típicas dos filmes expressionistas, assim como o visual do filme como um todo, acabam sendo pouco realistas justamente para que representassem as emoções dos personagens. Destaque para os efeitos de sobreposições bem criativos, assim como os intertítulos que algumas vezes são animados, ganhado movimento.

O Gato e o Canário serviu como grande inspiração para diversos filmes de casa assombrada que foram feitos depois de seu lançamento.

Drácula (1931)

Com direção de Tod Browning, o longa é uma adaptação da peça da Broadway de mesmo nome, produzida em 1924. Por sua vez, a peça é uma adaptação livre do romance Dracula, de Bram Stoker. No elenco tem Bela Lugosi, Helen Chandler, David Manners, Dwight Frye e Edward Van Sloan. No enredo, o antigo vampiro Conde Drácula chega em Londres e conhece sua presa: a jovem Mina.

Na versão original do filme, havia um epílogo no qual Edward Van Sloan, que interpreta Van Helsing, diz para a plateia: “Se acalmem e lembre-se que no final das contas, isso existe”. Embora um recurso similar tenha sido usado também na peça da Broadway, o propósito no longa era de dizer ao público que o filme não teria um final que revelasse tudo sendo uma farsa ou brincadeira, muito comum nos filmes de terror da época. Drácula foi a primeira produção americana a apresentar o sobrenatural de forma séria.

O roteiro escrito por Garret Fort, apresenta momentos irônicos e dissimulados como a famosa frase “Eu nunca bebo…vinho. “ e também o comentário improvisado de Drácula a Rendfield de que a viagem para a Inglaterra exigiria apenas “três, uh, caixas”. (Incidentemente, na obra de Stoker, é Harker quem traz os papeis dos imóveis para Drácula e não Renfield, que no livro já está internado no sanatório do Dr. Seward.)

E o que dizer do Conde Drácula? Impossível imaginá-lo sem Bela Lugosi, que por sinal era um dos últimos atores a ser considerado para o papel. Conrad Veidt chegou a ser uma opção, mas Lugosi, que havia interpretado Drácula na peça da Broadway, aceitou o papel mesmo com um salário baixo de 500 dólares por semana. Lugosi que era conhecido por seus comentários bem-humorados, disse que aceitou o papel depois de Carl Laemmle (dono da Universal) não conseguir ter encontrado nenhum parente para interpretar o personagem.

Drácula rendeu a Universal uma fortuna, fez de Bela Lugosi um astro, além de seu personagem ser um dos vampiros mais icônicos do cinema.

Frankenstein (1931)

Com direção de James Whale, a produção é também uma adaptação de uma peça de teatro escrita por Peggy Webling, que por sua vez é baseada no livro de Mary Wollstonecraft Shelley. No elenco tem Colin Clive, Mae Clarke, John Boles e Boris Karloff.

Na sinopse, um cientista obcecado cria um ser vivo a partir de partes de corpos que ele mesmo exumou.

E finalmente chegamos ao mais querido personagem de todos os filmes de terror da Universal. O monstro bruto e desajeitado que não tem nome, foi criado e ganhou vida graças ao Dr. Frankenstein, mas com o tempo todo mundo passou a chamá-lo pelo nome de seu criador.

Bela Lugosi chegou a fazer um teste para viver o monstro, ideia que não agradava o ator que reclamava dizendo que ele foi reduzido a interpretar um espantalho. As cenas que mostravam Lugosi fazendo o teste, com o rosto pintado de argila e usando uma peruca enorme, foram destruídas depois pelo estúdio. Vários atores foram entrevistados para o papel do Monstro, mas ninguém agradava o diretor James whale. E para o seu desespero, tudo já estava pronto para iniciar as filmagens, até que um homem de olhar triste e medindo 1,80 apareceu. Seu nome era Boris Karloff.

O ator tentava emplacar em Hollywood há 15 anos e Whale o viu em Los Angeles durante a produção da peça teatral “The Criminal Code”, no qual o ator interpretava um condenado. Logo que foi contratado, Karloff passou noites fazendo testes de maquiagem na sala de Jack Pierce, criador da maquiagem responsável por aterrorizar o público. A testa do monstro era feita com algodão. Um líquido espesso e selante chamado colódio, era usado para fazer as cicatrizes no rosto do ator. Gazes eram usadas para simular os poros da pele e uma maquiagem num tom cinza-esverdeado dava o tom cadavérico no personagem, enquanto um tom roxo era usado para as sombras (uma vez que o filme é em preto e branco). Karloff contribuiu para a maquiagem ao sugerir uma camada de cera sobre a pálpebras e a remoção de suas próteses dentárias para dar o efeito de um rosto mais afundado.

O figurino contava com uma bota com sola de 5 centímetros e meio, que elevavam a altura de Boris Karloff. Um terno preto com mangas curtas complementava o visual que deixava o Monstro parecendo “um garoto gigante e desajeitado, que cresceu demais”, nas palavras do próprio Karloff. O ator ainda andava com o rosto coberto por um saco, enquanto era guiado por Pierce, para que a caracterização não chocasse nenhuma secretária do estúdio.

“Frankenstein” conta com um trabalho excelente de todos os envolvidos e em nenhum momento enxergamos um ator maquiado para parecer um monstro. O carisma do personagem e do filme como um todo, não deixam dúvidas de que “Frankenstein” é e continuará sendo um grande clássico do terror.

A Múmia (The Mummy, 1932)

Com direção de Karl Freund, o filme foi escrito por John L. Balderston e tem no elenco Boris Karloff, Zita Johann, David Manners e Edward van Sloan.

Boris Karloff interpreta o príncipe Im-Ho-Tep, que comete um sacrilégio e como castigo é mumificado e enterrado vivo. Milênios depois, ele ganha vida e persegue uma mulher que ele acredita ser a reencarnação de sua amada, Ank-es-em-Amon.

O roteiro do filme não poderia ter sido escrito por ninguém melhor que Balderston, que antes de se estabelecer em Hollywood, era repórter do New York World. A descoberta da tumba do Faraó Tut-Ankh-Amen em 1923, ainda estava fresca na memória das pessoas, e Balderston estava cobrindo o dia em que ela foi descoberta.

Diferente de outros monstros clássicos da Universal, a identidade da Múmia mudaria com o passar dos anos, embora o pano de fundo essencialmente fosse o mesmo.

Mesmo que não pareça, a maquiagem usada por Boris Karloff foi mais difícil do que a aplicada no ator em  Frankenstein. Também criada por Jack Pierce, o processo consistia em aplicar várias camadas de algodão e revestir cada uma delas com goma espírito. Depois de uma camada pesada de maquiagem cinza-amarelada, Pierce sombreou as rugas profundas com lápis de sobrancelha. O cabelo do ator era coberto com argila, e depois Karloff era enrolado em gazes. Depois de todo o processo, era preciso ficar embaixo de uma forte lâmpada que esquentava bastante, para que tudo ficasse com a aparência ressecada. O processo todo levava oito horas por dia.

Como se não bastasse todo esse trabalho, Karl Freund filmou pequenas partes da maquiagem e do figurino na cena em que a Múmia ganha vida, deixando para o público imaginar todo o resto. Uma pena, mas muitas vezes brincar com a imaginação do público, pode ser mais eficaz. Karloff fez um ótimo trabalho ao interpretar uma múmia mais humanizada e melancólica, diferente de muitos filmes que focam mais em uma retratação mais grotesca e assustadora do personagem.

O Homem Invisível (The Invisible Man, 1933)

Com direção de James Whale, O Homem Invisível foi roteirizado por R.C. Sherriff e baseado na história de H.G. Wells. No elenco tem Claude Rains, Gloria Stuart, Flora Cranley, William Harrigan, Henry Travers, e Una O’Connor.

Jack Griffin é um cientista que encontrou uma fórmula que o permite ficar invisível, porém, agora ele precisa reverter o processo. Para isso ele vai até uma pousada em Ipping, na Inglaterra e lá tenta trabalhar para reverter sua situação. Com o passar do tempo, Jack atrai curiosos e vai aos poucos perdendo sua sanidade.

O longa ganhou uma série de outros filmes que se mostram bem incomuns por não terem uma narrativa contínua entre uma produção e outra. A única linha de continuidade era simplesmente a presença de um homem (ou uma mulher, como em um dos filmes da série) que fosse invisível.

Boris Karloff originalmente, viveria o cientista, mas o ator havia rompido o contrato com Carl Laemmle Jr. Claude Rains, ator veterano do teatro e que nunca havia feito um filme, aceitou o papel. Sua ótima impostação de voz, contribuiu na construção do personagem, uma vez em que o ator fica boa parte do filme com o rosto enfaixado.

Se os efeitos visuais do longa, ainda surpreendem hoje em dia, imagina em 1933. Em uma época em que não existia o famoso chroma key, muitos menos computadores, Hollywood já conseguia fazer um ótimo trabalho na criação de efeitos visuais.

Para criar os efeitos dos objetos que eram pegos pelo personagem sem as faixas, ou seja, invisível, foram usados fios presos aos objetos. Às vezes o ator (ou dublê, dependendo da cena) usava uma roupa de veludo preta, além de um capacete na mesma cor, para que cobrisse totalmente seu corpo e a cabeça. O ator então ficava em frente a um fundo preto, manipulando os objetos com dois gravetos. Essas cenas eram então combinadas com o fundo de outras cenas que já haviam sido gravadas no set, com o auxílio de uma impressora ótica (o “computador” da época, usado para unir as películas). Qualquer falha no processo, era corrigido frame a frame. A mão. Foram necessários 64 mil retoques.

James Whale empregou muitas de suas assinaturas no filme, como o conceito visual do jump cut, que usa três planos para introduzir seus monstros e o uso de seus atores e atrizes favoritos, como Una O”Connor, Dwight Frye e John Carradine.

O Lobisomem (The Wolf Man, 1941)

O longa foi dirigido por George Waggner e roteirizado por Curt Siodmak. No elenco tem Lon Chaney, Jr., Claude Rains, Warren William, Ralph Bellamy, Patric Knowles e Bela Lugosi.

Larry Talbot retorna à sua cidade natal, no País de Gales onde conhece uma mulher e ambos vão para uma festa local. Larry é atacado por uma criatura e uma maldição o transforma em Lobisomem.

O filme criou o ícone mais popular da década de 40:  O Lobisomem. A produção traz uma atmosfera que remete aos contos de fada e à fantasia logo no primeiro plano, que mostra um livro sendo aberto em uma passagem que fala sobre a licantropia (homem que apresenta a capacidade ou maldição de se transformar em um lobo).

Lon Chaney Jr., filho de Lon Chaney, levava seis horas para aplicar a maquiagem e outras três para tirar. Criada por Jack Pierce, a caracterização envolvia um nariz de borracha, pelos de iaque (mamífero semelhante ao boi) que eram encrespados e colados no rosto, pernas e braços do ator com goma espírito.

O roteiro do filme, escrito por Siodmak foi baseado em suas experiências durante o Nazismo na Alemanha. O roteirista tinha uma vida normal no país, mas tudo ficou caótico quando os Nazistas assumiram o controle, caos esse que acontece na vida de Larry Talbot depois que ele se transforma em Lobisomem. A criatura pode ser vista como uma metáfora para os Nazistas: um homem bom que se transforma em um animal cruel e assassino e que reconhece sua próxima vítima quando o símbolo de um pentagrama é visto. (No caso dos Nazistas, uma estrela).

No roteiro original, a transformação de Talbot no Lobisomem não era especificada se ela realmente acontecia ou se acontecia apenas na cabeça do personagem e a criatura nunca era vista. Porém, para chamar mais a atenção do público, foi decidido que haveria uma cena de transformação durante o filme. O roteiro foi então  revisado e as alterações foram feitas.

O Filho de Frankenstein (The Son of Frankenstein, 1939)

O filme é dirigido por Rowland V. Lee e roteirizado por Wyllis Cooper. No elenco tem Basil Rathbone, Boris Karloff, Béla Lugosi, e Lionel Atwill.

Um dos filhos do Dr. Frankenstein, decide limpar a honra da família e a imagem de seu pai ao tentar ressuscitar o monstro e transformá-lo em uma criatura boa. A criatura, porém, é controlada por Ygor, um ferreiro com problemas mentais, que busca vingança.

O filme quase foi filmado em Technicolor. Testes chegaram a ser realizados, porém foi decidido que a cor seria só uma distração do que algo relevante para a narrativa. Esse é também o filme mais longo da série Frankenstein (99 minutos) e o que mais abusa de um visual expressionista. Alguns dos elementos do design de produção feitos por Jack Otterson, parecem ter sido construídos apenas com sombras.

O destaque na época foi para Béla Lugosi, na pele de Ygor, que mistura maldade com humor na dose certa. Isso se deu por conta de não haver um roteiro já preparado de antemão.

Muitas cenas eram escritas antes dos atores entrarem em cena, o que possibilitou ao diretor manter Béla Lugosi trabalhando na construção de seu personagem (que nunca apareceu no roteiro original de Cooper) durante as filmagens. Lugosi sempre foi grato a Lee por permitir que ele criasse um personagem que é considerado um dos melhores já interpretados pelo ator.

Já Boris Karloff, disse depois das filmagens “que não havia sobrado muito de seu personagem (O Monstro) para ser desenvolvido”. A filha do ator nasceu durante a produção do longa e isso foi o que mais pareceu encantar Karloff.

O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, 1954)

Dirigido por Jack Arnold e roteirizado por Harry Essex e Arthur A. Ross. No elenco tem Richard Carlson, Julia Adams, Richard Denning, e Antonio Moreno.

Carl Maia é um pesquisador que fotografa o que parece ser a nadadeira de um anfíbio que talvez estivesse extinto. Porém, a criatura está viva e próxima dele. O pesquisador viaja para mostrar sua descoberta e obter apoio financeiro. Ao retornar com outros pesquisadores, todos se deparam com a criatura e se inicia uma tentativa de capturá-la.

O produtor William Alland, quando jovem, tentava a vida como ator e chegou a trabalhar em “Cidadão Kane”, interpretando o repórter que investiga a vida do magnata. Durante as filmagens, um jovem mexicano que trabalhava como câmera, falou sobre uma lenda de uma criatura que habitava o Rio Amazonas. A ideia persistiu em Alland, que uma hora desistiu de sua carreira de ator e resolveu trabalhar como produtor em Hollywood.

Alland então se juntou a Jack Arnold na Universal para supervisionar a última onda de filmes de monstros, agora com ênfase na ficção científica, do que no horror gótico. Nascia então Gill Man, O Monstro da Lagoa Negra.

Duas unidades separadas trabalhavam simultaneamente, uma na Universal, (que transformou o estúdio na vasta Lagoa Negra graças à ângulos de câmera habilidosos, e edição competente), e outra em Wakulla Srpings, Florida, onde eram filmadas as cenas debaixo d’água.

Ben Chapmam, ex-soldado da Marinha, foi escolhido para fazer as cenas em que a criatura aparece em terra, já Rico Browning fez as cenas em que a criatura estaria submersa. Foram então confeccionadas duas roupas em látex para que Chapman e Browning usasse durante o filme. O design da roupa foi inspirado na estatueta do Oscar.

O longa foi filmado no formato 3D que já existia na época e era uma sensação, mas o filme conseguiu seu sucesso independente do formato 3D. Assim como o monstro que é metade homem e metade criatura, a produção é híbrida entre os elementos tradicionais dos filmes da Universal (como o monstro, o cientista dedicado, o triângulo amoroso) e as novas tendências da ficção científica da época.

 

 

 

 

 

 

Written by Tarcísio Araújo

Formado em Cinema pelo CEUNSP - Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio. Escreve para o blog Canal Simulacro e site Cinetoscópio.