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O Culto de Chucky

Com seus pós e contras, longa ainda pode agradar os fãs da franquia

E foi lançado mais um filme da franquia Brinquedo Assassino (Child’s Play), com o boneco icônico Chucky. Don Mancini, criador  do personagem, já havia dirigido o esquecível O Filho de Chucky (Seed of Chucky, 2004), o interessante A Maldição de Chucky (Curse of Chucky, 2013) e agora está de volta também na direção do sétimo filme, O Culto de Chucky (Cult of hucky, 2017), lançado diretamente em DVD e Blu-ray. Entre acertos e erros, o filme mostra que ainda tem fôlego, mesmo depois de tantas continuações.

O enredo retoma a história do filme de 2013 e acompanha Nica, agora internada em uma clínica psiquiátrica depois de ter sido acusada injustamente de assassinar toda sua família. Depois de quatro anos de tratamento, ela própria passa a acreditar que realmente tenha cometido os crimes, sendo assim, a personagem é transferida para uma outra instituição que lhe permite um pouco mais de liberdade.

Ao chegar lá, a garota conhece Malcolm, que sofre de transtorno de múltiplas personalidades, Angela, uma senhora que pensa estar morta, Claire, uma mulher que queimou sua casa e Madeline, que asfixiou seu filho recém-nascido. A grupo é supervisionado pelo Dr. Foley, que cria uma terapia que envolve um boneco Good Guy pra que todos superem seus problemas.

A visita de Tiffany Valentine (Jennifer Tilly) só piora a situação quando a mulher vai visitar Nica e informa que sua sobrinha, Alice, a única sobrevivente do massacre do filme anterior (com exceção de Nica), está morta. Tiffany entrega para a garota outro boneco Good Guy, afirmando ser um presente de Alice antes de sua morte.

A partir daí, o espectador irá se surpreender e estranhar com mais de um boneco causando os assassinatos dentro da clínica, em um jogo com a protagonista e com o próprio espetador que fica sem saber (pelo menos inicialmente) o que está havendo para que mais de um boneco tenha vida. Se por um lado essa ideia se mostra interessante e acrescenta um suspense a narrativa, por outro, sua justificativa no terceiro ato se mostra pouco plausível, quebrando até algumas regras criadas no universo nos outros filmes.

Também o fato de se passar em uma clínica psiquiátrica, possibilitou algumas relações curiosas entre o boneco e suas vítimas. Duas personagens em especial, podem ser vistas interagindo com o brinquedo, mesmo quando ele se mostra ser o espírito de Charles, justificando tal interação na loucura das personagens.

Outro ponto positivo, é que temos algumas cenas com o Andy Barclay (Alex Vincent) e com a própria Tiffany. Por outro lado, os personagens foram pouco aproveitados e ganharam pouco espaço no roteiro. Como em A Maldição de Chucky, os fãs podem esperar mais referências dos outros filmes, tanto em citações, ângulos de câmera, quanto nas mortes, que estão mais sanguinolentas do que as do filme anterior. Claro que não faltam aquelas mortes mais forçadas, mas essa já é uma característica que a própria franquia propositalmente estabeleceu ao longo do tempo, que é justamente um não comprometimento em retratar algo mais verossímil.

Ponto positivo para o design de produção que caprichou na cenografia. Filmado em Winnipeg, Canadá, a história se passa durante o inverno e a neve está presente durante quase todo o filme. Os cenários da clínica estão em sintonia com a estação e carregam uma frieza nas cores brancas e cinzas. Corredores cumpridos luzes brancas que emanam de janelas, por vezes criam uma atmosfera onírica, como se nada daquilo que os personagens estão presenciando seja real. O mesmo se aplica na fotografia, que cria o mesmo clima frio e imaginário. Outro ponto positivo é o design do boneco Chucky. Se em A Maldição de Chucy, os realces em CGI davam às vezes pouca naturalidade para o personagem, aqui podemos perceber que os efeitos visuais foram mais amenos, deixando o boneco mais parecido com os usados nos primeiros filmes.

Pode-se dizer que O Culto de Chucky pode agradar os fãs que não estão dispostos a levarem o filme a sério e simplesmente se divertirem. Se o verdadeiro terror parece mesmo ter ficado lá no primeiro longa, não quer dizer que ainda não possamos aproveitar até mesmo os sustos fáceis de algumas cenas que são facilmente perdoados por conta do clássico já consolidado que se tornou a franquia Brinquedo Assassino.

Ah, esperem os créditos finais terminarem, pois há uma surpresa agradável. Assim como no final dos créditos de A Maldição de Chucky, um personagem importante também está de volta e deve se unir a Andy para o próximo filme que já foi confirmado por Don Mancini.

Written by Tarcísio Araújo

Formado em Cinema pelo CEUNSP - Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio. Escreve para o blog Canal Simulacro e site Cinetoscópio.