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Os melhores filmes de 2017

Confira os filmes preferidos da nossa equipe!

Nossa equipe de redatores resolveu elencar os 5 filmes prediletos de cada um, que tenham sido produzidos ou lançados comercialmente em 2017. Confira nossa lista!


Danilo Carbone:

1.  Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

Direção: Martin McDonagh

O diretor e roteirista Martin McDonagh (Na Mira do Chefe, Sete Psicopatas e um Shi Tzu) aprendeu direitinho com os Irmãos Coen como criar uma atmosfera onde a tragédia e a violência se fundem ‘a uma comicidade quase que doentia graças a personagens complexos e situações absurdas.

Em uma cidadezinha pacata do interior dos EUA, Mildred Hayes (Frances McDormand está espetacular) teve sua filha de 19 anos estuprada e brutalmente assassinada. Após um ano do crime e sem nenhuma pista sobre o assassino, ela se revolta e decide alugar três outdoores gigantes ‘a beira de uma estrada com frases para pressionar publicamente o xerife local Willoughby  (Woody Harrelson) a retomar as investigações sobre o caso.

Um excelente exercício de reflexão sobre a aceitação da raiva para seguir em frente e as consequências dos atos causados pela dor e pelo luto, Três Anúncios Para um Crime conta a história de pessoas afetadas por um crime brutal sem apelar para a obviedade de uma jornada de redenção ao mesmo tempo em que discute a precariedade do sistema judiciário americano, o abuso da autoridade policial e a crescente onda de intolerância.

 

2.  Jim e Andy: The Great Beyond

Direção:  Chris Smith

O documentário dirigido por Chris Smith utiliza cenas de bastidores da transformação de Jim Carrey em  Andy Kaufman ‘a época das filmagens de “O Mundo de Andy” para traçar um paralelo entre duas das mentes mais prolíficas e geniais da história da comédia.

“Jim e Andy: The Great Beyond” funciona como uma espécie de biografia dos dois artistas com tantos tormentos compartilhados em uma complexa dinâmica mestre e pupilo, além de buscar destrinchar os meandros do tão enigmático processo da criação artística.

 

3.  Okja

Direção: Bong Joon-Ho

Desde que despontou como um dos grandes nomes do cinema asiático atual com Memórias de um Assassino em 2003, o sul-coreano Bong Joon-Ho vem se transformando em um mestre na subversão de gêneros e utilização de fábulas satíricas para expressar sua visão crítica de mundo.

Em Okja, o diretor dá um passo largo em direção ao mainstream ao fazer um “filme-família” sobre a saga de uma garotinha e seu bichinho de estimação que é raptado por uma grande corporação capitalista. O que nas mãos de alguém com talento menor poderia se tornar uma obra genérica, nas de Bong se transforma em um discurso ambiental poderoso e uma sensível história sobre infância e amizade.

 

4.  T2 – Trainspotting

Direção: Danny Boyle

Desde que foi lançado em 1996 e se transformou em ícone da cultura pop, muito especulou-se a respeito de uma continuação para Trainspotting. Embora tenha sido concebida originalmente como uma trilogia nos livros escritos por Irvine Welsh (Skagboys, Trainspotting, Porno), a história de uma juventude marginalizada pelas políticas sociais britânicas e corroída pelo consumo de drogas pesadas se encerrou de forma tão brilhante no cinema que até para os fãs menos ardorosos uma sequência soou arriscada e desnecessária.

O receio cai por terra logo nos primeiros minutos de T2- Trainspotting. Com Danny Boyle novamente na cadeira de diretor e a presença de todo o elenco original, o filme mostra que nem sempre a nostalgia é ruim e elucida os novos vícios do século 21.

Reencontrar Rent Boy, Sick Boy, Spud e Begbie depois de 20 anos e acompanhar os efeitos que a recusa ao “Choose Life” surtiram em cada um deles é acenar com o carinho ao passado, mas sem cair na autoparódia ou manchar o legado do original.

 

5.  Mãe! (Mother!)

Direção: Darren Aronofsky

Não importa se você amou ou odiou o filme, mas uma coisa é certa: é impossível chegar ao final de mãe! sem ser arrebatado pela experiência sensorial proposta por Darren Aronofsky. A atmosfera de claustrofobia construída pela quase ausência de iluminação além da natural e a música minimalista e pontual conduzem os personagens e o  espectador a uma espiral de sensações infernais. E isso é ótimo! Sou fã do Aronofsky e a forma como ele conduz o elenco (Michelle Pfeiffer em uma das melhores interpretações de sua carreira) é digna de aplausos.

Esqueça os simbolismos e as milhares de possíveis interpretações sobre a trama, o que importa é que há muito tempo um filme mainstream de Holywood não tinha a coragem de abandonar sua zona de conforto para confrontar a audiência como aconteceu em Mãe!

Tenho certeza de que alguns anos reconhecerão o filme como um dos mais importantes de todos os tempos!


Lúcio Hiko:

1.  The Beguiled

Direção: Sofia Coppola

Sofia Coppola já consagrada com sua carreira, uma cineasta autoral que sempre escolheu trabalhos inovadores e que fugissem ao lugar comum, foi uma das vencedoras em Cannes que para muitos é o melhor festival  do mundo se destacando por premiar filmes mais artísticos, saindo um pouco da esfera comercial.

Com seu último filme alcançou mais um feito e ainda por cima com um dos trabalhos mais difíceis quando se trata de cinema, realizando um remake!!

É fato que a maioria esmagadora dos remakes é sempre inferior a Obra Original, salvo raras e escassas exceções, mas Sofia conseguiu entrar para essa seleta lista, ao refilmar e dar uma nova perspectiva a partir do ponto de vista feminino e com isso trazer questões através da Obra em si, tudo amparada com um grande elenco e uma estética impecável.

 

2.  BLADE RUNNER 2049

Direção: Denis Villeneuve

Facilmente um dos melhores filmes do ano, quando o projeto foi anunciado muito se especulava da necessidade de fazer uma continuação de um dos maiores clássicos da história do cinema, mas quando foram revelados as pessoas que estavam por trás dessa nova empreitada, aos poucos foi ganhando credibilidade.

Ficando a encargo do Diretor Denis Villeneuve, um cineasta autoral com poucos filmes no currículo mas todos relevantes quando se fala em questão de cinema  e que no ano passado havia lançado um dos melhores filmes do ano a Chegada, a situação começou a mudar.

Ainda mais que o filme contava com a benção de Ridley Scott, carta branca do estúdio e nomes de peso como o Diretor de fotografia Roger Deakins e o roteirista do filme original Hampton Fancher, estava formado o cenário para o nascimento do mais novo clássico.

Apesar de todas as expectativas contrárias o filme triunfou na diversidade, conseguindo um feito quase impossível, sendo tão bom quanto o filme original, pois além de homenagear o clássico, atualiza, expande e aprofunda o universo do mesmo.

Com um roteiro digno de histórias de detetive, ótimas atuações e cenas que não serão esquecidas tão cedo, o filme ficará na memória de todos e conquistou seu lugar de honra ao lado do original.

3.  Dunkirk

Direção: Christopher Nolan

Nolan esta de volta e agora é GUERRA!!

Em seu mais novo projeto o Diretor escolheu um tema ao qual não tinha trabalhado ainda, apesar de ter uma carreira estabilizada onde poderia filmar algo semelhante, mais uma vez ele sai de sua zona de conforto para trabalhar num tema diferente, nesse caso a Guerra.

Mas mesmo assim, ele foge da lógica maniqueísta e traz uma história de sobrevivencia contada a partir do ponto de vista de soldados que ficaram encurralados e precisaram de ajuda para serem resgatados.

Um filme que conta uma passagem não tão conhecida da Guerra, nos aspectos técnicos o filme é fantástico e muito realista uma vez que o Diretor optou por usar o mínimo de CGI e filma de maneira que nós sentimos dentro da ação junto com os soldados, outro ponto que Nolan apesar dos eventos grandiosos que ocorrem no momento, a história é contada pelos dramas pessoais dos personagens em questão, fazendo assim que o filme tenha profundidade ao invés de explosões que são tão habituais ao gênero.

 

4.  Logan

Direção: James Mangold

Em um ano repleto de adaptações de quadrinhos, com algumas gratas surpresas como o filme do Homem Aranha De Volta ao Lar, Mulher Maravilha e Guardiões da Galáxia Volume 2, que apesar de alguns problemas conseguiram cumprir seus papéis, diferente do desastre que foram Thor Ragnarok e o esquecível Liga da Justiça, fomos brindados com uma despedida que já deixou saudades em Logan, finalmente em um filme a altura do personagem.

Um filme forte, pungente no melhor estilo road movie, com uma trama simples, porém intimista e centrada em poucos personagens, dando tempo de desenvolve-los, mais que isso trazendo os elementos das Hqs, aonde vemos um Wolverine amargurado e pessimista num futuro nem tão distante e nem tão estranho como o que vivemos, uma despedida digna para o personagem que após uma sequencia infindável de erros, encontra sua redenção em um filme que funciona.

 

5.  Mother

Direção: Darren Aronofsky

Perturbador, controverso e nauseante. Estas são apenas algumas das palavras para definir a mais nova “loucura” do Diretor Darren Aronofsky , um filme que não deixa ninguém sair ileso da sessão, pois provoca reflexões e algumas delas são incomodas SIM! Nesse filme ele coloca os personagens utilizando um pano de fundo religioso que mistura muitas referências e por isso mesmo causa controvérsia sobre qual seria a mensagem que o Diretor queria passar, mas mesmo que as pessoas não gostem da proposta, é inegável o trabalho do diretor ao colocar muitas questões através de uma série de alegorias, pois isso acaba proporcionando que o filme possa ser analisado por vários ângulos diferentes.

Falando dos aspectos técnicos o filme tem um importante design de som, uma bela fotografia e boas atuações e quem assiste ao filme sai pensando qual seria a proposta do filme, porém concordando ou não, os melhores filmes não são esses?? Aqueles que nos instigam e, gostando ou não, nos causam impacto. Apesar das muitas interpretações cabíveis dentro da obra, esse filme pode ser definido como uma experiência, cheio de possibilidades que além da mais óbvia que é a religiosa, também abre para várias outras, tais como a psicológica, sociológica e principalmente filosófica. Ainda mais que ao final somos remetidos ao eterno retorno. Após esse filme, ninguém sai incólume da sessão.


Rafaela Germano:

1.  RAW

Direção: Julia Ducornau

O filme é oficialmente de 2016 porém foi lançado comercialmente em 2017, por isso entrou na lista (ainda bem, porque eu amo esse filme). Raw é simplesmente maravilhoso, e mais do que isso, é um filme necessário. A diretora francesa Julia Ducornau explora com maestria a descoberta da sexualidade através do contato com a morte, e exibe através de múltiplas alegorias e metáforas como tornar-se mulher não é fácil. É visceral.

 

2.  Lady Bird

Direção: Greta Gerwig

Lady Bird é um daqueles filmes pra ver e rever um milhão de vezes e rir e se emocionar todas as vezes. Eu já estava aguardando ansiosamente a estreia de Greta Gerwig como diretora por que amo todos os filmes que ela escreveu e atuou, então minhas expectativas estavam altas e posso dizer: essas expectativas foram alcançadas. O filme mostra com autenticidade e franqueza o amadurecimento feminino de uma forma pouco vista no meio cinematográfico, onde as mulheres são idealizadas sob o ponto de vista masculino.

 

3.  Projeto Flórida (The Florida Project)

Direção: Sean Baker

O filme foi esquecidíssimo no Globo de Ouro mas no meu coração ele é nota 10! Uma mistura de Harmony Korine com a direção de arte de Wes Anderson, o filme mostra uma realidade dura do ponto de vista de crianças, que mesmo com dificuldades ainda levam tudo na brincadeira e vêem beleza nas coisas. O filme tem um tom documental que se faz muito presente nas atuações que contrasta com belos planos abertos e uma direção de arte impecável.

 

4.  Três anúncios para um crime (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)

Direção: Martin McDonagh

Esse foi o filme que virou de cabeça de pra baixo a minha lista e me fez quebrar a cabeça pra que eu pudesse encaixá-lo. Assisti antes de ontem e me surpreendi, o roteiro é simplesmente sensacional e a forma como todas as histórias se encaixam e passam umas pelas outras poderia facilmente se tornar algo forçado mas só torna tudo mais interessante. Merecem destaque as atuações de Frances McDormand como Mildred Hayes e Sam Rockwell como Jason Dixon.

5- Corra (Get out)

Direção: Jordan Peele

Como boa fã do gênero de Horror, Corra foi uma grata surpresa nesse ano. Além de tratar do racismo de uma forma honesta de modo com que as pessoas brancas reflitam seriamente sobre seus privilégios, o filme constrói uma tensão crescente e trabalha com perfeição o clima de suspense. O desfecho do filme é inesperado e em literalmente todos os aspectos, o filme não deixa à desejar.


Tarcísio Araújo:

1.  Corpo Elétrico

Direção: Marcelo Caetano

Marcelo Caetano surpreendeu ao realizar um filme que vai além das questões da homossexualidade de seu protagonista. O filme transborda naturalidade nas atuações. Um plano sequência de várias conversas paralelas dos personagens e a sexualidade e questões sobre o futuro e o amadurecimento, são de fácil identificação com o espectador.

 

2.  Extraordinário (Wonder)

Direção: Stephen Chbosky

Um filme feelgood, mas com uma abordagem que nunca ficará fora de moda, principalmente nos dias de hoje: empatia. Além dele nos colocar no lugar do protagonista, o que seria óbvio, a narrativa também dá espaço para os outros personagens e nos mostra que se pôr no lugar do outro é algo necessário.

 

3.  A Ghost Story

Direção: David Lowery

Acusações contra Casey Affleck a parte, A Ghost Story eleva o personagem do fantasma que não aceita ou compreende bem sua própria morte, através de um existencialismo e questionamentos sobre nosso lugar no mundo, de uma forma profunda e inteligente. Sem contar que tem Affleck coberto por um lençol em boa parte do filme, e sem prejudicar em nada a importância da narrativa.

 

 4.  Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

Direção: Barry Jenkins

O filme ganhador do Oscar em 2017, é uma celebração do humano e de como ele é capaz de modificar a vida das pessoas. Essa humanização também se estende  e transcende estereótipos que poderiam facilmente se sobressaírem no filme, o que felizmente não acontece.

 

5.  Mãe! (Mother!)

Direção: Darren Aronofsky

Você pode ter detestado ou amado o filme, mas ele sem dúvidas rendeu e rende discussões, teorias e diversas interpretações. Só por isso ele já cumpriu um papel muito importante, que é justamente o de tirar o espectador de seu lugar de conforto.


E para vocês, quais seriam os 5 melhores filmes do ano? Escrevam nos comentários!

Written by Rafaela Germano

Feminista e apaixonada por Cinema de Horror. Graduanda em Cinema e Audiovisual, atualmente realizando uma pesquisa sobre a Representação feminina e atribuições de gênero em filmes de vampiro.