O filme “Fast Color”, dirigido por Julia Hart em 2018, traz uma abordagem mais introspectiva e atmosférica ao gênero de super-heróis. A produção acompanha Ruth, interpretada por Gugu Mbatha-Raw, uma jovem que vive num futuro distópico no meio-oeste americano, onde não chove mais. Ruth convive com convulsões que desencadeiam tremores localizados, fenômeno que a faz evitar contato social. Paralelamente, um cientista misterioso a persegue com a intenção de coletar seu sangue para experiências.
Apesar de sua premissa indicar um thriller de ação típico, “Fast Color” se destaca pelo tom melancólico e ritmo contemplativo, focando mais nas relações entre personagens e nas discussões sobre seus poderes do que em cenas de combate ou efeitos visuais. Gugu Mbatha-Raw, conhecida dos fãs da Marvel como a juíza Ravonna Lexus Renslayer na série “Loki”, possui uma carreira consolidada no cinema e na TV, com papéis em produções como a minissérie “Possession”, o filme “Belle” e a série “Doctor Who”.
Três gerações e um legado de poderes
“Fast Color” explora a história de três gerações de mulheres negras americanas que compartilham habilidades extraordinárias e visões de cores brilhantes. Ruth retorna para a casa de sua mãe, Bo (Lorraine Toussaint), que criou a filha de Ruth, Lila (Saniyya Sidney). O elenco restrito conta ainda com o cientista interpretado por Christopher Denham e um xerife local, vivido por David Strathairn. Curiosamente, o xerife é ex-namorado de Bo, o que lhe permite avisar Ruth sobre perigos iminentes.
Bo e Lila também têm superpoderes, capazes de fazer objetos se desintegrar e voltar a se formar, habilidades que praticaram enquanto Ruth esteve ausente. Elas incentivam Ruth a desenvolver seus próprios poderes, que para ela são intensos e ligados a traumas do passado. Além dos tremores causados durante suas convulsões, Ruth pode fazer chover ao experimentar momentos de felicidade intensa.
O filme conclui com um confronto envolvendo armas desintegradas e uma tempestade controlada, mas o que fica na memória são os diálogos íntimos entre Bo e Ruth, que discutem suas emoções e o potencial que tentam controlar. O enredo se apresenta mais como um primeiro ato de uma história maior, encerrando-se sem um clímax típico de filmes de ação, sugerindo continuidade.
Recepção crítica e relevância
Embora “Fast Color” tenha passado despercebido pelo público em 2018, ano marcado por lançamentos de filmes afrofuturistas como “Pantera Negra” e “Sorry to Bother You”, e pela estreia de “Uma Dobra no Tempo” de Ava DuVernay, com Gugu Mbatha-Raw no elenco, o filme recebeu elogios da crítica especializada. Com apenas cerca de US$ 77 mil arrecadados nas bilheterias, foi mais reconhecido pela análise positiva dos críticos.
Imagem: Divulgação
Na avaliação do site Rotten Tomatoes, o filme possui 83% de aprovação com base em 88 críticas. Richard Brody, do The New Yorker, destacou que o filme se distancia dos efeitos especiais e violência típica do gênero para valorizar o cotidiano e as pequenas belezas da vida. Valerie Complex, do The Mary Sue, ressaltou a beleza estética do cenário desértico e a desconstrução do modelo tradicional de filme de super-herói, evidenciando o foco nas relações familiares e na auto-consciência das personagens. Também chamou atenção para a rara presença de mulheres negras com poderes em produções desse tipo.
“Fast Color” é, assim, um filme singular dentro do universo de super-heróis, que prioriza narrativa e emoção sobre ação e espetáculo.
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Com informações de SlashFilm
