O thriller policial de Denzel Washington, caracterizado por sua atmosfera sombria e trama adulta, finalmente encontrou o público que merecia, consolidando que os 28 anos até seu lançamento valeram a pena. Recentemente, assinantes da Netflix impulsionaram o filme para os primeiros lugares entre os mais assistidos da plataforma, dando nova visibilidade a uma produção que enfrentou décadas de espera até ser lançada em 2021.
O longa sobre um serial killer chegou em um momento atípico para Hollywood. Foi lançado pela Warner Bros. utilizando a polêmica estratégia da empresa em 2021, de estrear seus filmes simultaneamente nos cinemas e na HBO Max, dentro do contexto dos desafios provocados pela pandemia. Apesar do elenco liderado por Washington, a recepção inicial foi mais discreta do que o esperado na época.
No entanto, a recente popularidade na plataforma de streaming indica que o público está cada vez mais aberto a thrillers policiais voltados para o público adulto – gênero pouco frequente na atualidade. Distinto dos mistérios modernos, o filme privilegia a construção de ambiente, o estudo da psicologia dos personagens e a ambiguidade moral, em vez de sequências de ação exageradas ou a criação de franquias.
Essa abordagem tradicional é o que diferencia o trabalho de John Lee Hancock em The Little Things. A obra remete aos dramas criminais complexos que dominaram os cinemas entre as décadas de 1970 e 1990, o que se justifica pela longa trajetória do projeto, cuja origem retorna a esse período, muito antes da estreia do filme.
Foram 28 anos para The Little Things chegar às telas
Um dos aspectos mais interessantes de The Little Things é sua longa jornada até o lançamento. O roteirista e diretor John Lee Hancock escreveu o roteiro originalmente na primavera de 1993, pouco depois de trabalhar no filme A Perfect World de Clint Eastwood, ainda antes de se tornar diretor.
Nas décadas seguintes, o projeto frequentemente esteve próximo da produção, mas nunca foi adiante. Segundo Hancock, diversos cineastas e atores renomados chegaram a se interessar ao longo do tempo. Steven Spielberg cogitou o roteiro, mas rejeitou-o por ser muito sombrio após Schindler’s List. Clint Eastwood esteve envolvido por um período, além de negociações terem acontecido com Warren Beatty e Danny DeVito.
Ao migrar para a direção com filmes como The Rookie, The Blind Side e Saving Mr. Banks, Hancock recebeu incentivo do produtor Mark Johnson para dirigir ele mesmo o roteiro (segundo informações da imprensa). Inicialmente, ele recusou, motivado pela dificuldade de lidar com a temática pesada no mesmo momento em que estava criando os filhos pequenos.
Mais tarde, o cineasta revisitou o texto e percebeu que ele continuava eficaz. A Warner Bros., detentora do roteiro há décadas, optou por manter o projeto sob seu controle ao invés de deixá-lo sair do estúdio. Hancock recorda uma conversa com a executiva Courtenay Valenti, que afirmou que todos adoraram o roteiro, dando nova vida à obra. Quase trinta anos após sua criação, The Little Things finalmente avançou para a produção.
A atuação de Denzel Washington justifica a longa espera por The Little Things
O principal motivo para que a demora na produção de The Little Things tenha valido a pena é a performance de Denzel Washington. No filme, ele interpreta Joe “Deke” Deacon, um ex-detetive de Los Angeles que volta a se envolver numa investigação sobre um serial killer e, durante o processo, tem que lidar com traumas do passado não resolvidos.
Este personagem, marcado por dilemas morais, é característico dos melhores trabalhos de Washington, encontrando paralelo com seus papéis em Training Day, Fallen e The Bone Collector. Deke aparece exausto, atormentado e carregando uma culpa que é revelada aos poucos durante a história.
Washington transmite grande parte dessa carga emocional por meio de pequenos detalhes e momentos silenciosos, em vez de discursos dramáticos. Sua presença ajuda a reforçar o tom nostálgico do filme, que se distancia dos thrillers contemporâneos para abraçar a ambiguidade e recusar soluções fáceis.
Imagem: Divulgação
The Little Things parece uma obra de uma era anterior do cinema de estúdio, quando dramas criminais psicológicos estavam presentes nas salas de cinema em vez de serem relegados às plataformas de streaming. Por isso, o sucesso conquistado no catálogo da Netflix anos após a estreia demonstra que o público ainda se conecta com esse tipo de suspense de ritmo mais lento e elenco estrelado.
A presença do filme nos rankings da Netflix em diversas regiões deixa claro que a audiência continua receptiva a essa narrativa. Se The Little Things tivesse sido realizado em qualquer etapa anterior de sua história, poderia ter se convertido em um filme bem distinto, com resultados diferentes.
Título: The Little Things
Classificação: R
Gêneros: Drama, Crime, Thriller
Data de lançamento: 28 de janeiro de 2021
Duração: 128 minutos
Diretor: John Lee Hancock
Elenco principal
Denzel Washington como Joe ‘Deke’ Deacon- Rami Malek como Jim Baxter
Onde assistir
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Roteiro: John Lee Hancock
Produção: Mark Johnson, John Lee Hancock, Donald Sparks
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Com informações de Screen Rant
