David Bowie realizou uma atuação notável no filme “Merry Christmas, Mr. Lawrence” (1983), considerado um dos melhores dramas anti-guerra já produzidos. Dirigido pelo renomado cineasta japonês Nagisa Ōshima, o longa é inspirado em obras de Laurens van der Post e relata a experiência do tenente-coronel John Lawrence (Tom Conti) em um campo de prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial. Bowie interpreta o major Jack “Strafer” Celliers, um prisioneiro recém-capturado, em uma das performances mais subestimadas e elogiadas de sua carreira.
David Bowie já acumulava experiência como ator antes do filme
Na década de 1970, Bowie já havia se consolidado como ator. Seu papel mais conhecido até então era o de Thomas Jerome Newton, em “The Man Who Fell to Earth” (1976), dirigido por Nicolas Roeg. Em julho de 1980, ele estreou no teatro da Broadway como Joseph Merrick em “The Elephant Man”, recebendo aclamação da crítica. Publicações como Trouser Press destacaram sua capacidade de incorporar magia e música ao texto, enquanto a revista Variety elogiou sua habilidade para interpretar personagens complexos com sensibilidade.
O convite de Nagisa Ōshima para Merry Christmas, Mr. Lawrence
Nagisa Ōshima, famoso por obras polêmicas como “Death By Hanging” (1968) e “In The Realm Of The Senses” (1978), já tinha experiência sólida no cinema quando decidiu convidar Bowie para o elenco de “Merry Christmas, Mr. Lawrence”. Ōshima, apesar de enfrentar resistência do governo japonês devido ao seu estilo transgressor, cativou Bowie, que era admirador da cultura japonesa e do próprio diretor.

Sem ter lido o livro que inspirou o filme, Bowie aceitou o convite imediatamente após conferir algumas obras anteriores de Ōshima, reconhecendo na oportunidade um trabalho único em sua carreira. O roteiro foi coescrito por Paul Mayersberg, que já havia trabalhado com Bowie em “The Man Who Fell To Earth” e escreveu o papel de Celliers pensando no ator.
Reconhecimento da crítica e dos cineastas
Interpretando o personagem que chega recém-capturado ao campo de prisioneiros na Ilha de Java, Bowie chamou a atenção por sua presença intensa e natural. A crítica do New York Times, Janet Maslin, descreveu sua atuação como “espetacular e magnética”, ressaltando sua facilidade diante das câmeras. O filme é frequentemente citado como um dos maiores dramas do cinema japonês.

No enredo, o soldado britânico Jack Celliers, interpretado por Bowie, é levado a um campo de prisioneiros controlado por japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. O personagem enfrenta o rígido capitão Yonoi (Ryuichi Sakamoto), adepto do código bushido, que administra os prisioneiros juntamente com o sargento Gengo Hara (Takeshi Kitano). Apesar da postura desafiadora de Celliers, Yonoi manifesta uma atração paradoxal por ele. O tenente-coronel John Lawrence, vivido por Tom Conti, mantém uma relação de amizade com o sargento Hara e tenta promover entendimento entre britânicos e japoneses.
Imagem: Divulgação
Na época das filmagens, Bowie ainda não havia atingido o auge de sua carreira musical. Ele gravou o clipe de “Let’s Dance” logo após encerrar a produção do longa, alcançando posteriormente sucesso ainda maior na música. Seu comprometimento com o projeto de Nagisa Ōshima ficou evidente na sua performance como Jack Celliers, considerada uma das mais impactantes de sua trajetória como ator.
Atualmente, “Merry Christmas, Mr. Lawrence” mantém uma avaliação positiva com 89% de aprovação no Rotten Tomatoes. Embora parte da crítica especializada tenha apresentado opiniões divididas, poucos questionaram o desempenho de Bowie no filme. Roger Ebert, por exemplo, deu nota duas estrelas e meia ao longa, criticando principalmente os atores japoneses, mas poupando Bowie de críticas. Além disso, o filme foi incluído na lista dos dez filmes favoritos do diretor Christopher Nolan e é um dos prediletos do cineasta Akira Kurosawa.
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Com informações de SlashFilm
