Desde o lançamento de “Stranger Things”, obras de entretenimento têm seguido tendências muito próximas de referências anteriores, sobretudo nas adaptações de quadrinhos de super-heróis para cinema e TV. Após o sucesso de “The Dark Knight” (2008), que projetou o Batman sob forte influência do filme “Heat”, produções passaram a buscar modelos populares para se basear, como “The Batman” remetendo a “Seven” e “Joker” a “Taxi Driver”, entre outros exemplos.
Uma das promessas que parecia reforçar esse cenário foi “Lanterns”, anunciada em 2025 com inspiração explícita em séries de crimes, como “True Detective” e “Slow Horses”. A produção, que estreou em agosto de 2026, chegou a ter James Hawes, diretor da primeira temporada de “Slow Horses”, à frente dos dois primeiros episódios, o que reforçou a expectativa de uma repetição do padrão.
Lanterns gasta metade da temporada imitando outros programas
Nos quatro primeiros episódios, “Lanterns” traz Hal Jordan e John Stewart chegando a uma cidade esquecida para investigar um mistério, uma trama que lembra o estilo de “True Detective” e “Slow Horses”, porém sem os diálogos marcantes ou o suspense da série original. O mistério principal, envolvendo o Manhunter, não convence e sua revelação no episódio 4 causa pouco impacto.
Além disso, a dinâmica entre Hal e John apresenta conflitos superficiais e diálogos que não alcançam a qualidade das comparações feitas com personagens como Jackson Lamb e River Cartwright de “Slow Horses”.
Série evolui e cria narrativa própria a partir do episódio 5
Com a chegada do caos em Rushville, Nebraska, e a intensificação das tensões entre Hal e John, “Lanterns” muda o rumo da narrativa. A partir do quinto capítulo, a série abandona a investigação entediante e os modelos baseados em outras produções, focando na relação entre os protagonistas, que passa a oferecer maior profundidade emocional.
O episódio 7 é destacado como o mais emocionante da temporada, retratando John Stewart investigando a morte de Hal com o auxílio de um Halogram, uma versão armazenada da consciência mais jovem de Hal contida em seu Power Ring. A relação entre eles mistura conflito e afeto, preparando o terreno para a cena final da série, quando o Halogram expressa amor por John, criando um momento de grande impacto emocional.
Imagem: Divulgação
Essa abordagem permite que “Lanterns” utilize elementos da mitologia do Lanterna Verde para explorar temas sobre mudanças pessoais ao longo da vida e o impacto das versões passadas de si mesmo nas relações presentes, elevando o conteúdo além da simples imitação de séries policiais.
A transformação da temporada demonstra que é possível escapar do modelo de adaptações de super-heróis que se apoiam excessivamente em obras já consolidadas, criando uma narrativa mais autêntica e relevante.
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Com informações de SlashFilm
